Cláudia Machado

Violência | A Não-Violência, Mito ou Realidade?

Violência | A Não-Violência, Mito ou Realidade?

 

 

No dia 2 de outubro, dia do aniversário do nascimento de Mahatma Gandhi, comemorou-se o Dia da Não-Violência. Gandhi ficou conhecido por ser um grande propugnador da Satyagraha, ou seja, da não-agressão. Outros nomes como Martin Luther King, Eleonor Roosevelt, Nelson Mandela e Silo (1938-2010, escritor argentino, fundador do Movimento Humanista) e outros tantos cidadãos do mundo continuam a defender a Não-Violência.

Para compreender melhor a Não-Violência é preciso saber o que é a violência e que tipos de violência existem.

Segundo o dicionário Priberam, violência significa “constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer um ato qualquer. Abuso da força”. Quando alguém exerce a força física ou psicológica está a fazer uso da violência para se sobrepor ao outro.

A violência pode ser das mais variadas formas – emocional, social, física, sexual, financeira, de género, racial, religiosa e moral.

Todos os dias, gente do mundo inteiro sofre de qualquer tipo de violência porque perdeu o seu emprego e não tem dinheiro para comer e ter um lugar para morar; mas também porque são perseguidos pelas suas opções políticas ou religiosas; quantas mulheres e homens são assediados e mesmo abusados sexualmente; e crianças que em vez de irem à escola têm de trabalhar, entre muitas mais situações, por isso é necessário despertar o mundo para esta realidade.

A Não-Violência é uma postura ativa de denúncia e tentativa de resolução dos conflitos existentes, através de métodos não-violentos. É também, como explicou Silo, compreender que dentro de nós existe um ser humano que por vezes é violento e outras vezes sofre violência, mas pode sair desse círculo fechado através da meditação interna e da ação solidária no mundo.

A sociedade deve estar consciente da violência que existe e tem por obrigação construir um mundo que defenda a Não-Violência através da educação, informação, bem como, do desarmamento comprometido dos países.

Hoje em dia, ativistas humanistas levam a mensagem da Não-Violência para a rua, nas escolas e nas universidades fazendo atividades diárias para apelar à Não-Violência. Gente do mundo inteiro tem divulgado a mensagem de Não-Violência, tem feito o símbolo humano da Não-Violência e da Paz, cordões humanos e marchas pela Paz. Nessas atividades, reflete-se sobre o significado da Não-Violência e cada um tem a missão de difundir esta ideologia e o seu objetivo de construir um mundo melhor. A Arte também tem sido um excelente veículo para propagar esta mensagem e unir os povos.

Mas não basta, por isso os humanistas têm feito campanhas contra o armamento e defendendo o desarmamento, mas também e sem esquecer não menos importantes campanhas pelo respeito de todo o ser humano.

Todos os dias pessoas comuns pelo mundo inteiro como Nadia Muarad (sobrevivente dos abusos sexuais de grupos terroristas que tudo faz pela libertação das restantes vítimas), Denis Mukwege (médico ginecologista que tem contribuído para abolir a mutilação genital e tem salvado imensas mulheres africanas deste flagelo), Malala (que defende uma educação para todos(as) e disse que a única arma que devia de existir devia de ser uma caneta), entre muitos outros, têm contribuído para extinguir a violência e superar a dor e o sofrimento provocado pelo abuso do outro.

Na verdade, todos podemos ser humanistas e contribuirmos para um mundo mais justo e harmonioso.

 

Imagem: Carl Fredrik Reutersward, por ZengZhou

 

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Categorias: Crónica

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Cláudia Machado

Licenciada em História via Ensino pela Universidadedo Minho. Lecciona atualmente a disciplina de História e Geografia de Portugal, no 2º ciclo. Apaixonada pela leitura e a natureza.

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