Marisa Sousa

Veganismo | O que é afinal ser vegan? E será suficiente?

Veganismo | O que é afinal ser vegan? E será suficiente?

 

 

Numa altura em que ouvimos cada vez mais falar em “veganismo”, são também muitas as dúvidas que vão surgindo. O que é afinal ser vegan? E será suficiente? Muitos fazem-no pelos animais, mas será que os estamos realmente a proteger, optando por um estilo de vida vegano?

Quando a Vegan Society se tornou uma instituição registada, em 1979, o veganismo foi definido como “uma forma de viver que procura excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra os animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade”. O que isto significa é que ser vegano não é ser perfeito, é fazer o melhor que podemos com aquilo que temos.

Hoje em dia, temos a possibilidade de optar diariamente por alternativas livres de sofrimento animal, seja no vestuário, na área do entretenimento, cosmética ou saúde. É tão fácil quanto escolher materiais sintéticos em vez de artigos em pele ou lã; participar em circos sem animais ou visitar uma reserva natural ao invés de ir ao zoológico; comprar produtos de empresas que não testam em animais; ou escolher a alternativa vegetal daquele nosso prato favorito. Mas então não será isso suficiente?

Acredito que, com o conhecimento, vem também a obrigação de agir, de lutar ativamente contra injustiças, pois se estivéssemos a falar de qualquer outro flagelo, não seria esperado que ficássemos em silêncio. Se, ao passear na rua, víssemos um animal ser mal tratado, pontapeado, por exemplo, seria aceitável continuarmos o nosso caminho simplesmente por não estarmos a contribuir para a agressão? Ou seria esperado que interviéssemos e tentássemos travar a situação, salvando aquele animal? Ser vegano é decidir não contribuir para o sofrimento animal, mas ser ativo é tomar posição para acabar com esse sofrimento. É educar o público e procurar que mais pessoas adotem este estilo de vida, salvando assim muitos mais animais.

Estudos dizem que por cada pessoa que leva uma alimentação 100% vegetal cerca de 350 animais são salvos por ano. 350 vidas poupadas por cada pessoa que escolhe viver com compaixão. Mas ao sermos ativos conseguimos multiplicar esse número, já por si astronómico, por cada pessoa que, direta ou indiretamente, influenciamos. O nosso impacto é infinito!

Independentemente da nossa disponibilidade e personalidade, todos podemos ser ativos. Ativismo pode ser simplesmente partilhar publicações nas redes sociais ou cozinhar para os nossos familiares e amigos ou mesmo usar, no dia-a-dia, roupa com mensagens veganas. Pode ser participar em marchas, protestos, sessões de sensibilização, palestras ou festivais. E pode também significar juntarmo-nos a um movimento já existente e ter uma ação mais direta e continuada, participando nos seus eventos.

Em Portugal, existem vários grupos e vários movimentos, mas todos com um objetivo comum: a libertação animal. Enquanto uns se focam em educar o consumidor quanto às consequências das suas escolhas, outros procuram agir diretamente junto dos animais, como é o caso do The Save Movement. Este movimento conta já com 9 grupos em Portugal (e mais de 400 em todo o mundo) e tem como foco principal a realização de vigílias junto aos matadouros, com o objetivo de testemunhar a chegada dos animais e transmitir-lhes algum amor e compaixão nos seus últimos momentos de vida. No norte, o Porto Animal Save e o Braga Animal Save, têm feito um trabalho fantástico ao mostrar a realidade destes animais e a forma como são tratados pela indústria.

Se ainda não segue uma dieta vegetal, adira já ao Desafio Mês Vegetariano para ter acesso a um plano alimentar com acompanhamento de mentores e nutricionistas. E se, como nós, não consegue ficar indiferente enquanto seres inocentes, com personalidade e família, continuam a ser sacrificados, junte-se a um dos movimentos ativistas e dê voz a todos os que já foram silenciados.

A solução está nas suas mãos, pois no que diz respeito a vidas: enquanto o carnismo tira, o veganismo poupa e o ativismo salva!

Movimentos ativistas: The Save Movement, Anonymous for the Voiceless, Círculo do Silêncio, The Earthlings Experience, Direct Action Everywhere.

 

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Categorias: Política, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Marisa Sousa

Marisa, 30 anos, vegana desde os 25 anos e agora ativista a tempo inteiro. O veganismo surgiu na minha vida numa fase de grandes mudanças, quando tentava alinhar as minhas ações com os meus princípios e percebi que, enquanto alguém que sempre disse gostar de animais, não podia continuar a comê-los. Sendo já ativista por outras causas sociais, a luta pelos direitos dos animais acabou por acontecer naturalmente até se tornar uma grande parte da minha vida. Hoje sou, entre outras coisas, co-organizadora do Porto Animal Save e Braga Animal Save, dois grupos de ativistas veganos que realizam vigílias pacíficas junto aos matadouros.

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