18-19/9 Ante-estreia e Estreia. Casa das Artes, V.N. de Famalicão

Grande Reportagem | Cinema: “O céu é o limite. ‘Estórias de Villa’ fica a pertencer à Galeria dos Imortais”

Grande Reportagem | Cinema: “O céu é o limite. ‘Estórias de Villa’ fica a pertencer à Galeria dos Imortais”

 

 

Sim, é verdade, “sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança” ou não estivesse aí o filme ‘Estórias de Villa‘, idealizado e realizado por João Pedro Castro, pronto a ser apresentado ao mundo para o confirmar. Vila Nova de Famalicão é apenas um pequeno ponto no Universo, mas João Pedro, tratemo-lo assim, pois é assim que toda a gente o conhece, e a sua equipa foram capazes de o-a colocar no centro da sua vida.

Quase todos 100 por cento amadores – realizador e atores, à exceção dos professores do Curso Profissional de Audiovisuais do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, dirigido por Maria José Carneiro, que também participou neste projeto com toda a parte de produção -, nunca antes se haveriam imaginado noutra. Mas todos eles agarraram a ideia gizada por um mentor capaz de liderar toda o processo e a vasta equipa atrás de si.

Nunca digas nunca… Tenho a sensação que daqui até à Viagem com o “Barqueiro” muita coisa vai suceder. Ainda hoje me pergunto o que gostaria de ser quando fosse “Grande”, afirma com humor, quando relembramos que, inicialmente, a ideia passava antes por escrever um livro.

O filme está prestes a ser dado a conhecer ao público. “Ao fim de um ano e meio, o projeto ‘Estórias de Villa’ chega ao seu epílogo com a ante-estreia, no dia 18, e estreia, no dia 19” que irá acontecer na Casa das Artes, indica o timoneiro do projeto que tem agitado águas, mentes e corpos desde maio de 2017 da pequena-grande urbe famalicense. “Uma data por que todos ansiamos pois é um projeto que nos custou muito, nos deu muito prazer, mas queremos finalmente ver o seu resultado”, refere João Pedro, ou JP como muito carinhosamente lhe chamam os amigos mais íntimos e conhecido na cidade por ser homem de mil e uma vidas concretizadas em outras tantas tarefas e experiências.

O que importa relevar deste projeto?“, pergunta-se o realizador, em video de divulgação da conclusão do filme, entrevistando-se a si mesmo.

Destacando, em primeiro lugar, o reforço de algumas amizades, João Pedro Castro salienta “Vasco Pereira, o Miguel Araújo,  Américo Senra, com a Rita, com a Márcia e muitos outros”. Mas acrescentar-nos-ia que começou “pelo principal, ou seja, reunir um conjunto de atores que me garantissem alguma continuidade e solidariedade para com as ‘Estórias de Villa’.” Depois bateu “à porta da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, sôfrego e sem muita esperança” no seu plano. “Afinal a felicidade estava logo ali, ao dobrar da esquina. Quanto ao resto, posso afirmar, com alguma vaidade, que a tarefa foi simplificada pela qualidade e quantidade de amizades que fui granjeando ao longo da minha vida: ninguém me negou um Favor sequer… Alguma coisa boa devo ter feito!” Por isso, João Pedro não esquece que, “com ‘Estórias de Villa’, conheceu “pessoas novas, fantásticas” destacando “naturalmente, a pessoa que colaborou comigo e que me ajudou em todas as frentes, a professora Maria José [Carneiro], e que entretanto também se tornou numa grande amiga, uma pessoa com nível intelectual superior, que soube liderar o projeto de forma brilhante e foi por isso que depois de alinhados os planetas e depois de confluírem todas as vontades se conseguiu concluir finalmente o trabalho cinematográfica.”

Por outro lado, “foi muito gratificante verificar que a escola pública, nomeadamente a nossa escola pública, a Camilo Castelo Branco é uma escola de excelência, de professores, directores de excelência que sabem o que fazem e, por isso, produzem alunos de excelência, como o Nuno, o Paulo Loureiro, a Magui, o Márcio, o Diogo, gente que nos prestou um serviço inestimável e que deu uma enormíssima contribuição ao projeto ‘Estórias de Villa‘.”

A este propósito, João Pedro Castro relembra que “desde sempre os analistas sociais referem que a Escola deve estar em contacto permanente com a sociedade. Não podia estar mais de acordo. Para além desta verdade axiomática, convém referir que a sociedade “Civil” formula, vezes sem conta, opiniões desajustadas sobre aquilo que não conhece ou sobre aquilo que lhe parece distante. Este projeto aproximou a Escola da comunidade, deu a conhecer os méritos de quem tem responsabilidades e potenciou uma maior interação entre todos”.

Mas, acima de tudo, “o projeto enriqueceu o currículo de todos nós”, acrescenta com ênfase. “Alguém, há muitos anos atrás, dizia que as ideias são a matéria-prima mais preciosa do mundo. Mas as ideias só por si não valem nada. Elas precisas ser exequíveis. E, para serem exequíveisprecisam que muitas pessoas se juntem à volta delas. E foi isso que aconteceu neste projeto estórias de Villa.

Já o disse, anteriormente, também que o céu é o limite. Esperamos por vocês no dia 18 e 19 para a ante-estreia e para a estreia absolutas do filme. Esperamos que gostem. Sem qualquer tipo de pretensão, e de imodéstia, inclusive, Estórias de Villa‘ faz-nos pertencer à Galeria dos Imortais.

Em relação ao futuro, com a singeleza que todos lhe reconhecem, o realizador indica que “há uma nova ‘Estória’ na forja… Espera-se um novo alinhamento dos Planetas e o confluir das vontades. A “sorte “ costuma proteger os audazes, mas desta vez tudo terá que ser feito em moldes distintos. Quanto ao balanço, julgo que este só será validado quando o projeto “Estórias de Villa” constituir uma memória longínqua. Talvez quando for declarada a independência da “República do Minho”.”

 

O Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco e as ‘Estórias de Villa

O AECCB respondeu ao desafio lançado por João Pedro Castro com um “Sim”. O seu diretor, Carlos Teixeira, declara que “desde o primeiro momento não hesitamos em aceitar o desafio, pois o mesmo cumpre objetivos elencados no Projeto Educativo do AECCB, nomeadamente, a ligação com o território local e a articulação com os agentes culturais em parceria com o trabalho desenvolvido pelos alunos, promovendo as competências do perfil do aluno do séc. XXI.

Para a participação do Agrupamento neste projeto, “bastou  dar continuidade ao trabalho já desenvolvido, com o inevitável aumento de trabalho para todos, mas que redundou num ato de crescimento técnico e humano. Porventura, o maior ajustamento foi o recurso a parceiros externos para colmatar as especificidades de recursos materiais que este tipo de projeto acarreta. O Curso de Audiovisuais, os alunos e professores da componente técnica estão já habituados a responder às exigências do mercado de trabalho afeto ao setor.”

Carlos Teixeira garante ainda que a participação da Escola Secundária nas ‘Estórias de Villa’ permite mostrar as potencialidades do local, mostrar que é possível chegar mais longe, quando se juntam sinergias, revelando a qualidade dos cursos profissionais oferecidos pelo AECCB.”

Visivelmente satisfeito, até mesmo feliz, com os resultados desta associação, Carlos Teixeira assegura ainda que “ao nível da conceção, execução e envolvimento de todos os agentes, o balanço é muito positivo. Quanto ao responder a projetos similares, no futuro, desde que estejam reunidas as condições”, garante que o seu Agrupamento estará “sempre disponível para equacionar, estudar as propostas que possam surgir e decidir em função da leitura do momento”.

Maria José Carneiro, diretora do Curso de Audiovisuais, indica ser este “o culminar de mais de um ano de trabalho, em que toda a equipa envolvida teve a oportunidade de levar a cabo um trabalho inovador e com um potencial que tem crescido em termos exponenciais e, de certa forma, excedido as expectativas de muita gente.” Como responsável deste projeto pela ESCCB, acentua um facto: “A escola não se poupou a esforços para garantir o sucesso destas ‘Estórias de Villa’.  

Igualmente feliz pelo cumprimento dos seus objetivos e pelo que crê ser tão importante para todos os envolvidos no projeto, desejando “o maior sucesso a todos”, afirma estar “convicta que o dia 18 vai marcar um ponto na vida de todas os intervenientes: atores, equipa técnica, orquestra da Camilo, amigos, familiares e famalicenses em geral”.

 

As ideias precisam de muitas pessoas à volta delas…

‘Estórias de Villa’ movimentou imensa gente á sua volta. Como já ficou referido, João Pedro idealizou e realizou, Maria José Carneiro, Carlos Teixeira e o AECCB produziram para levar até si, mas os atores, os técnicos, os músicos e outros que tais tomaram também parte no processo em curso na cidade ao longo deste ano e meio.

De todos estes, e na impossibilidade de os escutar a todos, há que saber, pelo menos, o que pensam, ou o que passaram, o que viveram, os atores e o autor da banda sonora – Rui Mesquita, um famalicense como não poderia deixar de ser neste caso, igualmente professor do AECCB.

Rui Mesquita, músico e professor, homem tranquilo quase em final de carreira, considera que o desafio da composição da banda sonora foi assaz estimulante. E recorda: “No final do “IV Banquete com Camilo”, atividade que se realiza em fevereiro na ESCCB, a minha colega Maria José e o João Pedro vieram ao meu encontro e mencionaram o projeto que estava em curso manifestando o seu interesse pelo meu contributo no âmbito da produção musical. Surpreso pelo convite, o qual foi extensivo aos alunos que comigo trabalham na orquestra do Agrupamento, logicamente aceitei. No entanto, muitas dúvidas e receios me assaltaram pois não pretendia compor temas inéditos pelo timing da conclusão do filme, além das gravações e da minha minha atividade docente. No entanto, o João Pedro sabia bem o que pretendia pois os temas que tínhamos interpretado ao longo da noite (e mais alguns) seriam ideais para o filme. Assim se deu início à minha colaboração neste nas ‘Estórias de Villa’.”

Rui Mesquita esclarece também que o seu trabalho musical incidiu particularmente em arranjos e orquestrações. “Entendi não enveredar pela composição, conforme mencionei anteriormente, pois não conseguiria, em aproximadamente 5 meses, criar toda a banda sonora para um filme com a duração de 1 hora e meia, ensaiar uma orquestra composta por alunos que também estão comprometidos com os seus estudos e outras atividades. Desse modo procurei orientar os arranjos para vários naipes da Orquestra AECCB. Todos os temas foram interpretados por alunos, com exceção do tema “Mio Babbino Caro” que teve a participação da minha amiga e professora de canto Inês Sofia. Assim, todas as orquestrações e arranjos tiveram como referência a Orquestra AECCB. Ainda pensei utilizar alguns temas do meu CD (“Ao espelho de um piano”), mas entendi que não seriam adequados para os fins pretendidos”. O músico ressaltou ainda que, no seu processo de composição, pretendo o tema “diga algo a quem o ouve, crie emoção e não seja mais um dentro de uma infinidade de composições. Não posso, em consciência, dizer que emoções se pretendia nas ‘Estórias de Villa‘, pois não conhecia bem o conteúdo do filme (o João Pedro fez apenas uma pequena recensão da história e sugeriu alguns temas musicais). Segui o meu instinto musical e o resultado parece-me bastante agradável”.

Em particular, sobre o seu processo de composição e influências no seu modo de abordar e viver a música, o autor especifica que, quando cria se faz acompanhar do “instrumento ao qual tenho dedicado toda a minha vida: o piano. Possuo o Curso Superior de Piano e orgulho-me de ter tido excelentes professores como Fátima Travanca, Hélia Soveral e José Alexandre Reis. Mas, na minha adolescência, o rock progressivo dos anos 70 evidenciou vários teclistas que muito me influenciaram: Keith Emerson, Rick Wakeman, John Lord, Tony Banks… Em Portugal, uma figura emergiu, Miguel Graça Moura, que muito contribuiu para o meu percurso musical, pois fui seu aluno de Formação Musical no Conservatório de Música do Porto. Considero-me um músico muito versátil. Toco vários estilos, desde o erudito ao urbano. No entanto, há referências que tenho como incontornáveis, tais como J. S. Bach, Beethoven, Liszt, Schumann e Chopin.”

Nos últimos anos, “graças ao aparecimento da Orquestra no Agrupamento, do projeto “Sonata” (com o meu amigo Nuno Montalto) e da “Casa de Esmeriz Ensemble” (Rui Costa, Duarte Faria…), as orquestrações e arranjos levaram um rumo novo com um espetro sonoro mais abrangente”.

De volta ao assunto ‘Estórias de Villa’, Rui Mesquita menciona, a propósito do processo de gravações, que “a ESCCB tem um estúdio de gravação muito interessante e um corpo docente (Curso de Audiovisuais) muito competente”, no qual destaca “o professor Alexandre Sousa, um conhecedor profundo de todas as técnicas de gravação e programação. Com ele gravámos todos os temas que fazem parte do filme. Também houve necessidade de gravar 2 temas num piano de cauda, tal tendo sido possível pela generosidade, compreensão e amizade do Diretor da Casa das Artes, Dr. Álvaro Santos, que nos disponibilizou o auditório e o respetivo piano. Desse modo foi possível gravar os temas “Mio Babbino Caro” e “Nem de chorar sou senhora”.

Sobre o trabalho final, a que, como não poderia deixar de ser, já teve acesso, está em crer que “o resultado de todo este trabalho foi surpreendente”, pelo que pode “dizer orgulhosamente “Missão cumprida””.

No fim de todo o esforço suplementar que este último ano letivo lhe exigiu, Rui Mesquita manifesta-se também um homem feliz e agradecido. Assim sendo, não consegue deixar em mãos alheias um rol de “profundos agradecimentos para com todos os(as) alunos(as) que abraçaram comigo este projeto. A dedicação, generosidade, paixão, empenho, profissionalismo foram contagiantes e alicerçaram a qualidade artística desenvolvida no Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco”. Mas Rui não esquece os demais intervenientes que consigo se relacionaram neste trabalho específico e algo distante do grupo maior e mais ativo, mais diretamente participante na história por detrás das ‘Estórias’, pelo qu elembra também “os Encarregados de Educação, a quem deixo o meu reconhecimento pela disponibilidade dada aos seus educandos proporcionando-lhes uma experiência única, ao Diretor do Agrupamento, Dr. Carlos Teixeira, por todo o apoio incondicional ao sucesso de todo o projeto, a todos os professores do Curso de Audiovisuais e fantástica equipa de alunos(as) que demonstraram um profissionalismo irrepreensívele e, por fim, e mais uma vez, à professora Maria José e ao João Pedro, o meu profundo agradecimento pelo convite formulado bem como a confiança demonstrada para com a minha pessoa. Foi uma honra ter participado neste projeto”. E, para concluir, mais uma frase repete: “Que ‘Estórias de Villa’ seja um verdadeiro sucesso!”.

 

Os homens de mão, os sempre disponíveis, os… atores 

Na primeira entrevista que realizámos com João Pedro Castro sobre o filme em apreço, o realizador referiu que as ‘Estórias de Villa’ descrevem e retratam a realidade de um conjunto de protagonistas de meia-idade, numa simbiose entre o trágico e o cómico, afinal inevitabilidades da própria vida. No filme, vai ser possível detetar com alguma facilidade uma série de situações em que todos nos identificamos, numa perspetiva política e social. De facto, são banalidades quotidianas associadas a um certo “elogio da loucura.”

São os atores que protagonizam e vivem esta narrativa. Terá sido sobretudo entre eles que se criou e viveu a forte amizade a que João Pedro Castro mais atrás se referia. Afinal, foram muitas as horas que passaram juntos, frequentemente em finais de tarde em que não apeteceria sair de casa, a estudar guiões que iriam ser trabalhados no dia seguinte.

Luís Forte, um dos atores chave em toda a tragicomédia associada ao filme e que desempenha o papel de médico, é parco em palavras sobre a sua experiência em todo o processo.

Considerando o desafio de se transformar em ator numa altura em que não pensaria sobre esse assunto, “apanhado de surpresa”, aceitou. “Senti as dificuldades próprias de  quem representa pela primeira vez. Acho, por isso, que a personagem que represento, apesar de a considerar interessante do ponto de vjsta psicológico, precisaria de um pouco mais de densidade”. Para Luís Forte,  o filme irá despertar a curiosidade da comunidade local porque “os integrantes sâo outros famalicenses, porventura até conhecidos, amigos ou familiares, que vestiram personagens díspares”.

 

Vasco Pereira, sobre a sua participação nestas ‘Estórias de Villa‘, indicou que foi “muito estimulante e muito interessante” e permitiu-lhe “conhecer, para além de excelentes pessoas com quem contracenei, alguns deles meus amigos,  um conjunto de miúdos com muito talento e que irão num futuro próximo, dar cartas nesta área, e com tive prazer em trabalhar. Espero ter ajudado a mostrar o talento desse conjunto de rapazes e raparigas, e que tenha ajudado a tornar o seu futuro mais risonho.”

Evoca o momento em que a sua participação em ‘Estórias de Villa’ aconteceu: “O convite surgiu numa conversa de amigos, entre eu e o João Pedro Castro, e que entretanto fomos amadurecendo até se concretizar. Como o projeto me mereceu toda a credibilidade, e como acreditei na palavra de um amigo, foi fácil concretizar e participar. Devo-lhe todo o conhecimento adquirido, as indicações que foi dando, a forma muito objetiva que pretendia fazer as coisas e a mestria com que conseguiu guiar todo o elenco para uma história estruturada, quotidiana e descontraída. Para além disso, foi o elo de ligação e foi a pessoa que permitiu a interação entre a escola e a comunidade.”

O facto de jamais ter tido qualquer tipo de “experiência prévia não foi importante. O objetivo foi mesmo esse: arranjar um elenco sem experiência para ser mais fácil de transmitir o conhecimento necessário para a realização do filme. Mas o trabalho de ator não é fácil e, para o público em geral, esse enorme trabalho de preparação não é percetível, apenas o resultado final. Mas melhor ou pior, fomos todos ultrapassando as dificuldades, sendo que hoje estamos melhor preparados para participarmos noutro filme”.

Sobre esta experiência, Vasco Pereira deixa bem claro: “Nunca tive o sonho de ser ator, nem nunca me passou pela cabeça desempenhar uma personagem com esta idade, mas aceitei o desafio de um amigo. Tentei dar o meu melhor, mesmo sabendo que não percebia nada da arte da representação e de cinema”. Seguro do prazer que viveu em participar neste projeto, não deixa de realista, “A experiência foi de tal forma positiva e enriquecedora que me sinto tentado a experimentar novamente, sem fazer disso um objetivo de vida. Para isso acontecer ainda falta um pormenor que acho importante, e que poderá ditar o meu futuro como ator que é a crítica do público. Com o feedback do público, com a avaliação desse conjunto de pessoas, é que podemos dizer se temos futuro nesta arte. Eu posso ser o melhor actor do mundo e ter tido a melhor formação, mas se o público não gostar é melhor continuar o meu papel na sociedade por outro caminho…”

O ator, que representa o papel austero de um ex-militar com alguns traumas de guerra e que tenta liderar um grupo de amigos, também ele com problemas sociais, a executar um plano de rapto de uma individualidade, saiu muito enriquecido da experiência: “Levo desta experiência, o conhecimento de como é difícil ser artista, de como é difícil pôr no terreno um projeto diferente, de como é difícil arranjar meios, mas levo também a enorme satisfação pessoal por ter conhecido pessoas boas e com talento, levo o resultado de mais de um ano de trabalho, um filme, uma história, um resultado magnífico, e levo a sensação de que é possível fazer muito mais.”

Para além disso, considera que “a interação entre a comunidade e a instituição Escola, foi potenciada ao máximo, e o resultado é este filme. Um resultado excelente, uma parceria magnifica, e um filme para comprovar esta interação para memória futura.”

Assentando esta produção numa história simples, “de pessoas normais, onde não existem heróis e onde se pretende retratar alguns problemas da sociedade em geral, com alguma sátira,  sem pretensões de produção megalómana, inteiramente rodado em Famalicão, tornar-se-á numa história especial e interessante para o público. Por ser simples, por ser contracenado por pessoas “normais” e sem experiência, mas com uma qualidade cinematográfica muito boa, ao nível dos planos e da qualidade gráfica.

Jorge Vale é outro dos amigos arregimentados por João Pedro Castro que, nesse aspeto, seguiu o modelo de alguns dos mestres do cinema de autor. Jorge Vale ficou, antes de mais nada, “surpreendido com o desafio, mas respondi logo que sim. Confesso, no entanto, que pensei que não se iria concretizar.” Até à data, “nunca me passou pela cabeça participar na realização de um filme; nem a sonhar”, diz no seu habitual tom de humor. Indagado acerca da possibilidade de repetir a experiência, adiciona de imediato: “Claro que gostaria de participar noutro filme. O convite até já me foi formulado pelo JP”.A nível pessoal, “para além de estimulante, foi também muito gratificante a participação nas ‘Estórias de Villa’. Conheci novas pessoas, fiz algumas amizades, tivemos momentos únicos, de grande diversão.

Não menos importante: confirmei como é muito difícil ser ator.

O convite à participação no projeto “aconteceu de forma natural, numa amena conversa de café. Penso que o JP me preparou previamente para o convite no seu carro uns dias antes. “Tenho um convite para te fazer, depois falamos”. É muito típico dele.”

Jorge é extrovertido e brincalhão. Talvez por essa razão, aquilo que para outros são problemas, para ele não será nada de especial. Assim, quando conta que para si “tudo foi novidade” fá-lo com toda a desenvoltura. “O engraçado é que nem tive tempo de me aperceber das dificuldades. Representei a personagem “Carlos Alberto”, um funcionário público com um fétiche por se vestir de Drag Queen. A minha representação foi um bocado a “Santa Ignorância em Pessoa”, o  que me ajudou imenso.

Engraçado que inicialmente comecei por representar um outro personagem, “um empresário falido”, mas tive que mudar a pedido do JP já que a pessoa que representava o “Carlos Alberto” se recusou a encarnar o papel que acabou por me dar um imenso gozo.

Quanto ao eventual interesse para o público famalicense por este projeto e o filme que dele irá resultar, haverá duas razões, aliás também já indicadas pelos seus colegas, ainda que por outras palavras. Até hoje “penso que só há um filme realizado em V. N. de Famalicão pelo realizador Manoel de Oliveira.

‘Estórias de Villa’ é um filme com crítica social atual, mordaz e trágico-cómico. Tem os ingredientes suficientes para cativar a plateia e, não menos importante, é tudo prata da casa, famalicenses de gema, que estão bem inseridos na cidade desde sempre. Como tal está a causar grande expectativa e uma enorme curiosidade”.

 

Claquete: Cena 3, Plano 8, primeira

Todas as histórias têm um fim, as reportagens também; e esta já vai longa. O povo, em geral, gosta de finais felizes, a literatura e a poesia nem por isso. Também no que a tal diz respeito, este filme vai ao encontro da comunidade. ‘Estórias de Villa‘ não pretende ser revolucionário no mundo do cinema, antes marcar um ponto de encontro entre a comunidade – famalicense, mas não só, pois esta história poderia igualmente acontecer em qualquer outra pequena cidade do Portugal profundo. Por isso, a João Pedro Castro, nesta fase de conclusão de projeto, deixa os seus “agradecimentos a todos os amigos que embarcaram comigo nesta aventura. Um agradecimento sentido pelos momentos inesquecíveis que proporcionaram a toda a equipa, um agradecimento sentido por fazerem parte da construção da minha existência e sobretudo um agradecimento pela dedicação a uma ideia de difícil concretização. Dedico o filme “Estórias de Villa” aos meus amigos e amigas do elenco e a todos os ilustres e anónimos cidadãos que nele participaram e aqui vivem e se vão poder rever nesta história.”

O filme será apresentado na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, nos próximos dias 18 e 19 do corrente mês de setembro, em ante-estreia e estreia respetivamente.

 

Artigos relacionados:

  1. Entrevista | João Pedro Castro. Histórias de vida de uma Villa
  2. Estórias de Villa | Cinema famalicense. AECCB transforma sonho de João Pedro Castro em realidade

 

FIM

 

Se chegou até aqui é porque provavelmente aprecia o trabalho que estamos a desenvolver.

Vila Nova é gratuita para os leitores e sempre será.

No entanto, a Vila Nova tem custos. Gostaríamos de poder vir a admitir pelo menos um jornalista a tempo inteiro que dinamizasse a área de reportagem e necessitamos manter e adquirir equipamento. Para além disso, há ainda uma série de outros custos associados à manutenção da Vila Nova na rede.

Se considera válido o trabalho realizado, não deixe de efetuar o seu simbólico contributo sob a forma de donativo através de multibanco ou netbankimg.

 

NiB: 0065 0922 00017890002 91

IBAN: PT 50 0065 0922 00017890002 91

BIC/SWIFT: BESZ PT PL

 

Pub

Categorias: Agenda, Cultura, Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Costa

Diretor e editor.

Escreva um comentário

Apenas utilizadores registados podem comentar.