Clara Haddad

Storytelling | Criar e narrar histórias, transformar ouvintes

Storytelling | Criar e narrar histórias, transformar ouvintes

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Imagine a seguinte situação situação: Uma pessoa entra numa sala e diz: “Estou cansado!” e outra diz: “Cheguei ao fundo do poço!”?

Qual é a que gera impacto imediato nos outros, uma curiosidade de saber o que se passa? De certeza a segunda frase. E por quê? A segunda frase cria uma imagem mental e nos ajuda a criar uma associação ou relação com alguma situação.

Sem dúvida, as histórias estão repletas de metáforas que podem criar uma intensidade emocional que pode transformar-nos instantaneamente. Mas então, qual a melhor metáfora para combater uma depressão? E para uma perturbação de ansiedade, baixa autoestima, luto ou uma perda significativa? Se gostaria de saber como contar, criar e narrar metáforas que podem transformar os seus ouvintes, então, saiba como utilizar o poder transformador das metáforas para operar mudanças rápidas e duradouras em sua vida.

 

O que é Storytelling?

Contar histórias é a mais antiga forma de comunicação da humanidade.

Todos precisam ouvir histórias, e não importa a idade! Não são só as crianças que precisam ouvir!

Os contos são um meio simbólico, onde podemos abordar temas como perda, fome, medo, abandono violência, morte… Porque os contos têm, na sua base, camadas do inconsciente coletivo, sentimentos comuns a todos os indivíduos.

As pessoas têm-se empenhado em contar histórias (ou “storytelling”, do termo popular em inglês) desde muito antes do advento da escrita. Através da narração, fazemos uso de nosso repertório pessoal, da memória afetiva, dos nossos gestos, voz e expressão. O narrador de histórias, de hoje em dia, possui uma conotação diferente da que teve no passado, mas ele continua sendo uma figura com “poderes” capazes de despertar o imaginário e o sonho. Contar histórias é um meio de comunicação ancestral. As narrativas tradicionais representam as bases de uma civilização, as suas profundas raízes garantem e conservam os valores e as tradições humanas e são carregadas de informações históricas, etnográficas e sociais. É a vida documentada: costumes, ideias, mentalidades, decisões, julgamentos. Por isso, são tão importantes na formação do indivíduo desde tenra idade, pois preparam para a vida. Ensinam. As crianças aprendem sobre o mundo ao seu redor através desta forma particular de comunicação, enquanto os idosos podem ordenar as histórias pessoais das suas vidas também por meio desta prática.

 

De onde surgem os contos?

Talvez a resposta mais sensível seja: do coração dos seres humanos.

Ninguém sabe onde e como começaram os contos. Eles atravessaram gerações, do coração, da boca à orelha, até chegarem aos dias de hoje, e continuam a traduzir o pensamento do ser humano, trazendo elementos culturais dos países em que se originaram, mas também criando elos e pontes com outros países, outras culturas, confirmando que todos somos iguais nos sentimentos e que não existem fronteiras a este nível.

 

Por que contar histórias?

Para entender o mundo que nos cerca e a nós mesmos. As histórias representam uma importante contribuição para a estrutura da vida emocional do ser humano.

O ‘Storytelling’ tem muitas funcionalidades em diversas áreas, seja ela educacional, terapêutica, corporativa ou artística. Hoje narramos histórias de diferentes formas e com diferentes objetivos e agregamos habilidades que possuímos em função do que queremos e como queremos contar. Entretanto, em qualquer uma dessas componentes, devemos sempre lembrar que o ato de contar histórias cria vínculos. Narrar é intimidade, sinceridade, observação, é falar e calar, é ser natural e, sobretudo, é uma atividade de partilha prazerosa para quem conta e para quem ouve.

Contar histórias é, por isso, uma ferramenta poderosa. Passando por todas as fases da vida, a narrativa assume diferentes papéis na existência das pessoas, em todas as partes do mundo. É um meio infinitamente flexível, adaptável e relevante.

Atualmente está havendo uma alta procura por cursos sobre a arte de contar histórias e a proliferação de profissionais dessa área, nascendo assim um novo ofício: o narrador de histórias profissional ou “storyteller”, que é uma “atividade “ancestral, mas que ganha matizes de cores no séulo XXI.

 

Benefícios de contar histórias

As histórias são universais; e podem saltar perfeitamente barreiras de língua e cultura. Histórias permitem-nos conectar com os outros, dão-nos uma sensação de “pertencimento” e permitem-nos compreender melhor o mundo que nos rodeia.

No âmbito educacional e afetivo, contar histórias pode tornar possível a construção da aprendizagem relacionada com a competência cognitiva da criança, propiciando a elaboração de conceitos e a identificação com papéis sociais que exercerá ao longo de sua existência. O amadurecimento dum indivíduo é um processo, muitas vezes, sofrido, doloroso e amplamente apresentado nas narrativas populares. Pelas metáforas apresentadas nos contos, a criança pode ir entendendo e elaborando os desafios que a vida lhe apresenta.

A criança necessita ouvir histórias para desenvolver sua criatividade, a observação e a linguagem oral e escrita, assim como o prazer pela arte, a habilidade de dar lógica aos acontecimentos e estimular o interesse pela leitura. A narração de histórias está diretamente ligada ao imaginário infantil e contribui para a aprendizagem escolar em todos os aspetos: cognitivo, físico, psicológico, moral ou social, proporcionando um maior desenvolvimento percetivo no aluno.

O ‘storytelling’, também, em sua forma mais pura e ingénua, fortalece as ligações entre filhos e pais, pessoas, culturas e ideais. As histórias funcionam como um “manual” para a descoberta dos mistérios da vida. Elas conectam-nos com nossos anseios, medos, ansiedades, alegrias, desejos, frustrações… E isso significa que quando entramos em contato com estes relatos, podemos mergulhar nos nossos próprios sentimentos e assim aprendemos a lidar com essas sensações que dão vazão às nossas próprias emoções. Contar e ouvir histórias significa partilhar um mundo simbólico, afetuoso e sagrado.

No âmbito empresarial, as técnicas orais de “storytelling” podem ser especialmente úteis. Contando histórias, humanizamos artigos, obtendo assim uma maior identificação do público com eles. A narrativa permite dar personalidade e «brilho» a uma marca, não só vender. Entretanto, devemos ter em atenção que as narrativas precisam ser reais ou baseadas num facto real, pois é importante que a história evoque sentimentos e emoções de compradores potenciais. A intenção é inspirar as pessoas e, por isso, é importante ser genuíno, honesto e real. Quantas vezes você já se sentou para ver uma apresentação de um produto e se sentiu entediado? Quando um público considera a narrativa enfadonha, é muito mais fácil e rápido desconectar–se emocionalmente e ficar “de corpo presente na sala”, mas a cabeça e atenção estarem noutros temas, de tal forma, que acaba por não absorver nenhuma palavra do narrador.

Artisticamente é uma manifestação poderosa, alegre, intensa e realizada em teatros, casas de cultura, festivais ao redor do mundo, etc.. Geralmente dinamizados por narradores de histórias profissionais, os espetáculos são elaborados com base em contos literários ou contos populares. Podem ser acompanhados por música ou outros recursos cénicos.

 

As histórias são terapêuticas?

A arte narrativa é tão versátil que pode ser usada no âmbito terapêutico com muita eficácia. Na vida, passamos por adversidades e situações diversas que nos atingem direta ou indiretamente, e nem sempre conseguimos superá-las, pelo contrário, muitas são «esquecidas», guardadas numa das «gavetas das emoções no nosso corpo». Esse conteúdo, que fica no «passado», é capaz, em algum momento, de ressurgir, as gavetas que fechamos ou escondemos podem em qualquer momento abrir, o que exige de nós um olhar para nós mesmos, para que possamos resolver aquilo que deixamos sem solução.

O trabalho com os contos, metáforas, parábolas, mitos… desenrola o fio da meada e ajuda adultos, jovens e crianças na elaboração de seus transtornos emocionais (com ou sem causa aparente), pois os contos possuem elementos simbólicos que fazem parte, tanto do inconsciente pessoal, como do inconsciente coletivo.

A narrativa tradicional utiliza símbolos para demonstrar realidades mantidas no imaginário pessoal e coletivo, sendo aqueles, portanto, expressões da vida real.

Os contos, lendas, mitos e fábulas são uma tradição oral de passagem de sabedoria e de conhecimentos ancestrais. De facto o poder de uma história permite transformar a mente do ouvinte, já que sua mensagem metafórica está relacionada com as crenças e padrões sociais que foram condicionados e impostos ao longo da vida de cada indivíduo.

A metáfora é uma maneira de pensar antes de ser um estilo com palavras. As últimas pesquisas nas ciências sociais e cognitivas, deixam cada vez mais claro e em evidência que as metáforos, contos, mitos ouvidos podem influenciar nas nossas atitudes e emoções. O uso das histórias, de vida ou literárias, podem ser particularmente interessante em doenças psicossomáticas ou relacionadas com stress, preocupações e ansiedades pois trazem autênticas lições de vida – que podem funcionar como eco ou espelho da própria vida para que o ouvinte se aproxime da verdade que existe no seu coração.

Os contos têm o poder de evocar nossos recursos internos, apontar soluções promovendo paz, equilíbrio interior, alegria, e processos poderosos para uma “cura” completa. Além de nos encantar e afagar a alma com insights superpositivos e animadores.

Independente da forma ou estilo, a arte de contar histórias atravessa gerações, convida a humanidade através da imaginação a refletir sobre a própria vida e a transformar comportamentos. As histórias podem ser lidas ou contadas, podem transformar ou curar, mas, para que isso aconteça, é preciso responsabilidade, conhecimento e sensibilidade para saber contá-las.

Ser contador de histórias é ser um leitor do mundo, da vida, dos sons, dos silêncios das pessoas.

 

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Categorias: Crónica

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