Liliana Barros

Animais Vivos | Exportação. A verdade escondida

Animais Vivos | Exportação. A verdade escondida

 

 

 

O transporte de animais vivos é regulado em Portugal pelo Decreto- Lei n.º 265/2007, de 24 de Julho e pelo Regulamento (CE) N.o 1/2005, que estabelece as regras de execução relativo à proteção dos animais em transportes e operações afins.

Desde 2015, a exportação de animais vivos por via marítima para países do Médio Oriente e Norte de África, através do porto de Setúbal e do porto de Sines, tem vindo a aumentar. Desde o início do ano, mais de 150.000 vacas e ovelhas, adultas e jovens foram exportadas como se de mercadoria se tratassem. Estes transportes têm a duração de 6 a 11 dias (por vezes mais) e sujeitam os animais a más condições de segurança e higiene, maus tratos e abusos, que violam o bem estar animal.

O Setúbal Animal Save – stop live exports e a PATAV têm unido esforços para denunciar estes casos, desde o transporte de animais nos camiões, até ao embarque. Os animais que chegam ao porto de Setubal e Sines estão muitas vezes cobertos de fezes, caídos, feridos, cegos ou debilitados. No passado dia 10 de julho, num dos muitos camiões que chegaram ao porto de Setúbal, encontrava-se uma ovelha inconsciente, caída no chão. O que lhe aconteceu? Será que embarcou?

Durante os vários embarques também foram documentadas várias ilegalidades desde o uso métodos violentos como os bastões elétricos três a quatro vezes no mesmo animal, animais a serem arrastados pelas patas ou pela cabeça, embarque de animais com fraturas e queda de animais do camião para a rampa que dá acesso ao navio.

As imagens que acompanham este artigo representam a dor e sofrimento vividos pelos animais que são exportados, ainda vivos, para Israel. No caso concreto, serão submetidos a abate segundo as regras tradicionais das leis judaicas. Mas milhões de outros animais são diariamente submetidos a idênticas torturas quando enviados para outros destinos.

Se os animais saem de Portugal neste estado como será que chegam ao destino? O Israel Against Live Shipments documenta a chegada destes animais. Em todos os barcos há animais que chegam feridos, ensanguentados, com membros partidos, cegos por causa da concentração de gases devido à falta de ventilação e à falta de espaço, cobertos de excrementos, moribundos. Vários animais morrem durante a viagem, alguns são atirados ao mar. Os animais que sobrevivem à viagem são ainda sujeitos a quarentena, feita em condições deploráveis.

Depois de uma vida de tortura e exploração e de todo o sofrimento e mau estar causado nestas viagens, são abatidos pelo método Halal ou Kosher, onde são degolados e sangrados até à morte, enquanto estão ainda conscientes.

Será mesmo necessário sujeitar os animais a este tipo de transporte? O dinheiro vale mais que uma vida?

Uma certeza temos, se naqueles matadouros ou naqueles portos, entrassem cães ou gatos, em vez de 20 ou 30 ativistas, estariam 200. Vacas, porcos, ovelhas, cabras e galinhas também sentem, também sofrem. A única diferença é a nossa percepção.

É importante agir. É importante participar em vigílias, assinar petições, denunciar e divulgar as imagens recolhidas pelos ativistas.  Que sociedade é esta em que temos tanto cuidado a transportar móveis e eletrodomésticos e desvalorizamos o transporte de animais? Os animais não são mercadoria.

“Quando o sofrimento de outra criatura faz com que sintas dor, não te submetas ao desejo inicial de fugir do sofrimento; pelo contrário, aproxima-te o mais que puderes daquele que sofre e tenta ajudar.” – Leo Tolstoy.

O Braga Animal Save, criado em dezembro de 2017, pertence a uma rede de ativismo que conta com mais de 330 grupos espalhados pelo mundo inteiro, sob a alçada do movimento internacional The Save Movement.

No Braga Animal Save e outros movimentos similares associados testemunhamos, sob a forma de vigília, a chegada de vacas, porcos, ovelhas, cabras e galinhas ao matadouro. A viagem para o matadouro provoca muita agitação nos animais, eles estão assustados, desesperados e cansados. A maior parte das pessoas vê estes animais como “objetos”, “mercadoria” ou “comida”. Mas nós não. Nós vemos seres únicos, com personalidade própria, que sentem dor, fome e frio como nós e que merecem amor, respeito e compaixão. E é por eles que fazemos vigílias, para lhes dar carinho e amor, para lhes pedir desculpa e para estar com eles no último dia das suas curtas vidas.

 

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Liliana Barros

Co-organizadora do Braga Animal Save e Porto Animal Save

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