Seguros | Autoridade de Supervisão assinala melhoria significativa de contas e resultados do setor em 2017

Seguros | Autoridade de Supervisão assinala melhoria significativa de contas e resultados do setor em 2017

 

 

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões acaba de publicar o seu Relatório de “Análise de Riscos do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões” relativo a 2017. Esta entidade reguladora considera que “apesar dos desafios e vulnerabilidades salientados, e que importa manter sob atenção, a rendibilidade e a solvabilidade do setor segurador nacional tem continuado a evoluir de modo favorável.”

Diferenciando por segmentos, em referência ao ramo Não Vida, “prossegue a tendência de recuperação observada desde 2015, depois de 8 anos de queda consecutiva da produção. Esta evolução positiva, particularmente expressiva na modalidade de Acidentes de Trabalho, além de refletir a melhoria da conjuntura nacional, traduz ainda o efeito das ações corretivas levadas a cabo pelas empresas de seguros nas suas políticas de subscrição e de tarifação, com vista a restaurar o equilíbrio técnico desse segmento.”

Considera a Autoridade que tal “correção não está ainda terminada, sendo necessário continuar os esforços de alinhamento das tarifas face aos riscos incorridos”, com isso querendo referir o aumento de preços que se tem verificado na generalidade das seguradoras. “Mais recentemente, esta preocupação tem-se estendido também à exploração técnica do ramo Automóvel, pressionada por um nível de concorrência elevado.”

O ramo Vida, segundo a Autoridade de Supervisão, “registou igualmente uma subida da produção, muito embora o volume de prémios e entregas se mantenha ainda longe dos níveis pré-crise financeira.” A esse propósito, acrescenta a ASF que “apesar de a comercialização de seguros de vida temporários refletir a dinâmica crescente de concessão de novos contratos de crédito à habitação – e saíram dados recentes que dão a conhecer um aumento na ordem dos 40 % – por parte das instituições bancárias, a oferta de seguros financeiros com rendibilidades atrativas continua fortemente condicionada pelo ambiente de baixas taxas de juro.” Por essa razão, refere a ASF que “continua a assistir-se a alguma recomposição da carteira, com um aumento do peso dos produtos com garantias variáveis e em que os riscos de investimento são assumidos pelos tomadores de seguros e beneficiários.”

No setor dos fundos de pensões, observou-se, em 2017, um aumento do património sob gestão, bem como à melhoria dos níveis de rendibilidade e de financiamento.

 

Enquadramento

No contexto macroeconómico, em particular “a nível nacional, continuam a assinalar-se evidentes melhorias, nomeadamente em matéria de crescimento económico e de redução do desemprego”. A ASF alerta, no entanto, para as “fragilidades estruturais, com destaque para os ainda elevados níveis de dívida pública e privada, que condicionam o desempenho da economia portuguesa em conjunturas futuras que sejam menos favoráveis.”

“A nível global, permanecem no horizonte os riscos inerentes às políticas de protecionismo que têm vindo a ser seguidas pelos EUA, às tensões de natureza geopolítica e à incerteza ainda latente no processo do Brexit, entre outros.”  A Autoridade de Supervisão do setor segurador realça ainda picos de volatilidade que se fizeram sentir nos mercados financeiros no passado recente e que demonstram o potencial para alterações súbitas na perceção e comportamento dos investidores.”

O ambiente de baixas taxas de juro permanece como um aspeto incontornável da economia europeia, antevendo-se a continuidade, ainda por algum tempo, do cenário atual.

Assim, “considerando a incerteza associada a todos esses riscos, bem como o papel do setor segurador como grande investidor institucional, o risco de reavaliação dos preços dos ativos financeiros continua a ser um dos principais desafios que as empresas de seguros enfrentam no horizonte mais imediato.”

 

José Figueiredo Almaça, o presidente da Autoridade de Supervisão financeira, na introdução ao documento, refere ainda que “além da melhoria da posição financeira das empresas e da sua resiliência a choques externos, é hoje notório que os operadores nacionais têm uma melhor perceção dos riscos a que se encontram expostos e, desta forma, estão melhor preparados para tomar decisões eficientes para a mitigação de alguns desses riscos e para a gestão mais eficiente do seu capital.”

Figueiredo Almaça aproveita ainda para se referir aos novos desafios que se colocam ao setor, salientando “os riscos decorrentes das alterações climáticas, da digitalização da sociedade e da economia, da emergência dos riscos cibernéticos e das inovações introduzidas pelas insurtech.”

Ainda neste âmbito, ressalta também “as características diferenciadas da nova geração de consumidores
exigem a conceção de produtos inovadores, adequados a expetativas e necessidades diferentes das atuais, o que em conjunto com as novas tecnologias, obrigará os operadores a uma revisão profunda dos respetivos modelos de negócio.”

 

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Categorias: Economia

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