Riscos de Incêndio e Poluição atmosférica

Altas temperaturas | ZERO alerta para eventuais altos níveis de poluição, Municípios para riscos de incêndio

Altas temperaturas | ZERO alerta para eventuais altos níveis de poluição, Municípios para riscos de incêndio

 

 

A maior parte do ozono, cerca de 90%, está concentrado na atmosfera na denominada camada de ozono, a cerca de 45 quilómetros de altitude; protege-nos da radiação ultravioleta. A quantidade restante, cerca de 10%, está presente à superfície, na troposfera, e pode causar prejuízos à saúde e à vegetação.

Este último tipo de ozono, presente na troposfera, respirável, é um poluente secundário que se forma a partir de outros poluentes como os óxidos de azoto – emitidos pelos tráfego rodoviário e pela combustão na indústria – e os compostos orgânicos voláteis – emitidos pelo tráfego rodoviário e também por determinado tipo de espécies florestais. A formação de ozono é propiciada por forte radiação solar e elevadas temperaturas.

De acordo com a legislação atualmente em vigor, há dois limiares de informação a partir dos quais é obrigatório proceder a avisos à população:

  • primeiro nível – limiar de informação ao público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 180 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas pelos grupos sensíveis
  • segundonível – limiar de alerta do público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 240 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas por toda a população.

A associação ZERO – Sistema Terrestre Sustentável analisou os dados dos últimos 10 anos de todas as estações de monitorização de qualidade do ar disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, desde 2008, inclusive, tendo constatado que o ano de 2018 foi o primeiro em que, no período do início de janeiro até ao final de julho não se verificou, em qualquer local, uma qualquer ultrapassagem horária das concentrações mais elevadas de ozono de superfície, os denominados limiares de informação e alerta ao público. As temperaturas abaixo da média dos últimos meses e algum vento têm impedido as condições propícias à formação deste poluente.

Como curiosidade, assinale-se que os piores anos foram 2010 (146 horas de ultrapassagens em diferentes locais), 2008 com 96 horas e 2013 com 92 horas.

 

Próximos dias merecem atenção especial da parte das autoridades

Com o previsível aumento significativo das temperaturas nos próximos dias e a elevada radiação solar, a formação de ozono é claramente expectável.

Assim, a ZERO, independentemente da população poder consultar os níveis de ozono medidos através da rede de monitorização de qualidade do ar no site da Agência Portuguesa do Ambiente, considera que “é obrigação das entidades regionais – Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional – avisarem as outras autoridades e a população, através da comunicação social, da ocorrência de ultrapassagens dos limiares já referenciados. É também desejável o anúncio de previsão de ultrapassagens.”

Como as ultrapassagens aos limiares têm um curto período  de duração – as variações oscilam de uma hora a algumas horas -, “os avisos têm de ser rápida e eficazmente transmitidos à população”. o que, em princípio, deverá acontecer através das rádios nacionais e locais e televisões com uma forte componente de informação. Considerando que estes avisos nem sempre são realizados da forma adequada, a ZERO defende que “deve existir um sistema que obrigue determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos, à semelhança do que acontece noutros países.”

 

Evitar consequências para a saúde

Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos aos pulmões e inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma. São particularmente os grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias) que podem sofrer consequências mais graves. Quando se verificam elevadas concentrações, as precauções passam por as pessoas permanecerem em casa ou noutros locais fechados e não realizar atividade física intensa.

 

Municípios de Braga e Guimarães avisam para agravamento significativo dos riscos de incêndio

De acordo com a informação disponibilizada pelo IPMA, a partir de hoje, 1 de Agosto, e até ao próximo fim-de-semana, estão previstas temperaturas elevadas e teores de humidade baixos, destacando-se os seguintes aspetos:

  • O vento será moderado (até 30 km/h) de noroeste na faixa costeira ocidental durante a tarde, podendo ser forte (até 40 km/h) de nordeste nas terras altas até meio da manhã. Na quinta-feira (2 de agosto) prevê-se que o vento seja do quadrante leste, podendo ser moderado a forte (até 40 km/h), em especial até meio da manhã.
  • Aumento muito significativo da temperatura máxima, sendo que no dia 2 de agosto (quinta-feira) com valores acima dos 35ºC. Esta situação poderá estender-se no dia 3 de agosto (sexta-feira). Prevê-se ainda que as noites sejam tropicais, com os valores de temperatura mínima a excederem os 20ºC na generalidade do território na noite de 2 para 3 de agosto.

Considerando estas previsões meteorológicas, as quais apontam para um agravamento gradual da severidade em matéria de perigo de incêndio florestal, assume-se como praticamente garantida a emissão de aviso Laranja para o distrito Braga – entre as 10h00 da próxima quarta-feira (1 de agosto) e as 00h00 de sexta-feira (dia 3 de agosto).

A situação tende a agravar-se durante o fim-de-semana para alerta Vermelho, prevendo-se que esta situação se mantenha até à próxima segunda-feira (6 de agosto).

As temperaturas vão estar acima dos valores médios, pelo que podem ter impacto em termos de saúde pública e de propagação de incêndios. Se verificar o início de um incêndio florestal contacte de imediato o 112.

As divisões municipais de Proteção Civil de Braga e Guimarães recordam que, de acordo com as disposições legais em vigor, não é permitido:

  • Realização de queimadas, de fogueiras para recreio ou lazer, ou para confeção de alimentos;
  • Utilização de equipamentos de queima e de combustão destinados à iluminação ou à confeção de alimentos;
  • Queimar matos cortados e amontoados e qualquer tipo de sobrantes de exploração;
  • O lançamento de balões com mecha acesa ou qualquer outro tipo de foguetes;
  • Fumar ou fazer lume de qualquer tipo nos espaços florestais e vias que os circundem;
  • A fumigação ou desinfestação em apiários com fumigadores que não estejam equipados com dispositivos de retenção de faúlhas.

Face a estas condições, são de ter ainda alguns cuidados suplementares na realização de trabalhos agrícolas e florestais, nomeadamente:

  • Manter as máquinas e equipamentos limpos de óleos e poeiras;
  • Abastecer as máquinas a frio e em local com pouca vegetação;
  • Ter cuidado com as faíscas durante o seu manuseamento, evitando a sua utilização nos períodos de maior calor.

Recomenda-se, por isso, a adequação dos comportamentos e atitudes face à situação de perigo de incêndio florestal, nomeadamente com a adoção das necessárias medidas de prevenção e precaução, observando as proibições em vigor e tomando especial atenção à evolução do perigo de incêndio para os próximos dias, disponível junto dos sítios da internet da ANPC, do IPMA e da respetiva Câmara Municipal.

 

Governo aciona Sistema de Alerta

O Ministro da Administração Interna, por seu turno, declarou a Situação de Alerta para o período compreendido entre os dias 2 e 6 de agosto para a globalidade do território continental, considerando o comunicado da Autoridade Nacional de Proteção Civil da passagem aos Estados de Alerta Especial Vermelho e Laranja do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios.

Assim, decorrente desse despacho foram determinadas várias medidas de carácter excecional, tais como:

– Proibição total da utilização de fogo-de-artificio ou outros artefactos pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, bem como a suspensão das autorizações emitidas enquanto vigorar a situação de alerta;

– Proibição de acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais ou outras vias que os atravessem;

– Proibição de realização de trabalhos nos espaços florestais.

 

 

 

Fonte: Zero – Sistema Terrestre Sustentável; Câmara Municipal de Braga; Câmara Municipal de Guimarães

Imagem de destaque: António Cruz

 

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Categorias: Sociedade

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