Elda Fernandes

Viver na Cidade | (Novas) Políticas ambientais para Braga

Viver na Cidade | (Novas) Políticas ambientais para Braga

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O Braga para Todos, movimento de ação cívica, existe há um ano, com muitas vitórias e uma certeza: Vamos continuar, numa cidade que não é para Todos.

Braga não tem políticas ambientais eficientes. Parece estranho para quem acompanha regularmente a imprensa regional e vê várias plantações no Monte do Picoto, atividades no Parque da Ponte e ainda mudanças prometidas após muita pressão do nosso movimento Braga para Todos para a substituição dos copos de plástico de utilização única por copos reutilizáveis. Mas nem sempre o que parece é; e, em Braga, esse ditado define o executivo.

Quando criticamos o atual edil, Ricardo Rio, a nossa atuação política pode, num primeiro olhar, parecer exagero. Mas, na realidade, Braga não tem espaços verdes. Eles existem sim, mas sem políticas: estão abandonados, cheios de lixo, sem segurança, sem árvores e sem serviços. Encontram-se neles reunidas todas as condições para serem espaços sem presença humana. Um exemplo: O Picoto ganhou recentemente um fundo europeu para a plantação de árvores autóctones. Além disso, anualmente, vários voluntários e empresas privadas efetuam plantações, mas o ato louvável não tem uma logística e a par com a Câmara Municipal de Braga andam à deriva porque passado um mês as árvores estão secas e mortas pelo esquecimento do acompanhamento, essencial para a sua sobrevivência. Por outro lado, o Picoto tem uma vista privilegiada sobre a cidade, mas a parte da frente, virada para a Av. da Liberdade, encontra-se repleta de seringas, a limpeza é rara, a par da segurança. A situação lastimável deste pulmão verde bracarense é semelhante ao Parque da Ponte, onde um ativista, em plena reflexão inocente, teria fé da reabertura do Parque de Exposições de Braga ser um empurrão para a reabilitação do parque fantástico da cidade. Mas não, metade não tem relva,  há ausência de serviços, zero segurança e limpeza rara. O Braga para Todos acredita ser imperativo criar um plano ambiental para Braga, agir com bom senso e trabalhar o bem comum de humanos e não humanos.

A inércia de ação nos espaços verdes, supracitada de forma resumida é apenas um das dezenas de outros problemas ambientais de Braga que pioram com um executivo sem agenda nestas matérias. Outro, relevante e urgente a nível local e mundial, é a banalização do uso de plástico. Braga é a cidade das festas. Talvez mesmo o maior projeto político de Ricardo Rio seja esse: festas e mais festas. O povo adere, mas urge repensar a pegada ecológica. Além da promoção e execução de um evento é necessário medir o seu impacto ambiental e trabalhar para diminui-lo. O Braga para Todos, durante meses, pediu a troca dos copos descartáveis das festas da cidade por copos reutilizáveis. Testámos o método no nosso S. João Vegan e funcionou. Depois de muita insistência, Ricardo Rio cedeu e a Festa Branca contemplará esta opção. É um princípio, mas não chega. É preciso sensibilizar os espaços de restauração a banir os utensílios plásticos, realizar campanhas para abolição das palhinhas, proibir o uso de balões que, em pleno contrassenso, são lançados às centenas na Festa Branca.

Braga, Portugal e o mundo têm de repensar o uso do plástico. Um copo pode ficar 400 anos no planeta. Antes de reciclar é preciso evitar usar, abdicar, retornar a hábitos de há 50 anos. Sim, foram apenas necessários 50 anos para deixar os oceanos cheios de plástico.

O uso abusivo do plástico não é problema do outro, é nosso. Depende de ações políticas, leis que taxem os produtos plastificados, preços para os sacos de frutas e legumes, a criação de métodos de compras a granel. Ao nível do poder local, há que sensibilizar e beneficiar quem reduz e recicla, começando pela função pública que deve ser obrigada à separação do lixo, e incutir essa prática, através de coimas e prémios, a quem o faz no privado. Não é tendência, é uma urgência! Em jogo está a nossa casa, partilhada com animais não humanos e com a natureza. Se deixamos o planeta neste estado é nosso dever fazer tudo para travar um desastre, onde a espécie humana e senciente pode, em última instância, ficar sem um planeta habitável.

 

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Categorias: Política

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Elda Fernandes

Porta-voz do movimento Braga para Todos. Assessora de imprensa.

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