Pedro Costa

9/7/2018 | Vila Nova de Famalicão, 33 anos. Bem-haja, Agostinho Fernandes!

9/7/2018 | Vila Nova de Famalicão, 33 anos. Bem-haja, Agostinho Fernandes!

 

 

9 de junho de 2018.

Vila Nova de Famalicão completa hoje 33 anos enquanto cidade, pois concelho já o era.

De pequeno burgo limitado a uns quantos habitantes, Vila Nova de Famalicão transformou-se, não num enorme polo populacional, como Braga, mas ainda assim um polo congregador de gentes e vontades ao longo dos últimos anos.

A história de Famalicão não será significativamente diferente da de tantos outros centros urbanos que cresceram e se desenvolveram exponencialmente, em particular a partir da década de 70 do Século XX. Contudo, em todas estas localidades há sempre homens que marcam mais o seu destino do que outros.

É certo que Agostinho Fernandes é ainda vivo. É certo que Agostinho Fernandes não passou à História. Agostinho Fernandes persiste na sua ação vitalizadora deste espaço comum que é Famalicão, cidade e concelho.

Homem de cultura, docente pensador na sua essência profissional, revelou ser homem capaz de movimentar em torno de si muitos outros verdadeiros ativistas da cidade enquanto espaço público comum feito pelo homem e para o homem. Recordo, em relação a isso, e Agostinho Fernandes não se lembrará de todo deste facto, o único momento em que privámos mais de perto, à mesma mesa, por essa época. Aconteceu na Luso-Brasileira, um restaurantezinho popular, em que se comia bem e barato, situado na Av. 25 de Abril, mesmo em frente à garagem dos autocarros da Abílio da Costa Moreira. Alguns dos seus amigos e colaboradores mais próximos, na Câmara ou no jornal Vila Nova, estavam presentes – recordo, entre outros que neste momento não lembro o nome, Custódio Oliveira, Joaquim Lima, Sá da Costa e Mário Martins, homens que ajudaram a construir a cidade que hoje é Famalicão. E ali mesmo, em ambiente bem popular envolto de operários, para além de algumas piadas de ocasião, discutiram-se, com entusiasmo, ao longo de todo o almoço, projetos para a cidade. Lembro um, em especial, a perspetiva que se abria para o novo abastecimento de água que se preparava a partir das águas do Cávado.

Não me cumpre fazer o elogio de Agostinho Fernandes apenas pelo simples facto de o fazer ou pelo facto de ter de registar a efeméride e respetiva homenagem que o Município lhe realiza hoje elevando-o à categoria de Cidadão Honorário  ou, ainda, pelo facto de ser atualmente colaborador ativo da Vila Nova Online, o que, só por si, muito nos orgulha. E, pelo que já se depreendeu, nem sequer nos conhecemos muito bem. Mas antes pelo contrário, faço-o porque, não sendo natural de Famalicão, adotei esta cidade no meu coração como sendo a minha, como sendo o espaço onde me enquadro e me relaciono mais diretamente com o(s) outro(s) e o mundo no meu quotidiano.

A Vila foi elevada a cidade em 1985, altura em que ainda aqui não vivia, mas me preparava para o passar a fazer. À época, a Vila, muito mais pequena do que aquilo que hoje é, fervilhava de gente e atividade. Sem que tenha desenvolvido significativa ação política de caráter partidário – nunca ou muito raramente o quis fazer –, vivia por dentro desse ambiente emocional que tudo queria e sentia necessidade de transformar.

Por esses anos, mais coisa menos coisa, Famalicão ganhava escolas, de excelente qualidade naquela altura, habitações privadas, mas também de apoio social, novas fontes e novas redes de água e saneamento – bem me recordo como as condutas de água sistematicamente estouravam na cidade ou a água não chegava ao topo dos edifícios mais altos em época de verão, e viária, o que também incluiu a auto-estrada para o Porto. A vida associativa proliferava, marco que ainda hoje se mantém e que demonstra o apanágio das populações famalicenses.

Não querendo de todo o modo menosprezar o valor de qualquer um dos outros 34 cidadãos que serão homenageados na cerimónia que irá decorrer hoje à tarde, ninguém pode ficar indiferente ao trabalho que este homem desenvolveu e continua a desenvolver em prol da sua cidade.

Parabéns, Dr. Agostinho Fernandes! Que a cidade saiba merecer a sua herança.

Um bem-haja

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Categorias: Editorial

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Pedro Costa

Diretor e editor.

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