Inteligência Emocional | Dormindo com o Inimigo

Inteligência Emocional | Dormindo com o Inimigo

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A existência humana compreende dois grandes momentos: o dia e a noite.

Durante o dia, o organismo está dotado de mecanismos internos para pensar e produzir, durante a noite para descansar. O equilíbrio entre estes dois polos é o garante para uma vida plena e saudável.

À partida, a manutenção deste equilíbrio parece óbvia. Todavia, na prática nem sempre é assim.  O dia é vivido de uma forma stressante e desgastante e a noite – momento representativo do descanso – é, quantas vezes, um momento de luta, pois o sono recuperador teima em não aparecer.

Estamos, assim, na presença de um conflito entre as nossas “duas” mentes: a racional e a emocional.

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Ora vejamos!

As mais recentes investigações científicas sugerem que estas duas mentes estão delicadamente coordenadas entre si, isto é, os pensamentos são essenciais para os sentimentos, bem como os sentimentos para os pensamentos. Porém, quando há um desequilíbrio entre elas, é a mente emocional que assume o controlo, avassalando a mente racional, produzindo cenários muitas vezes irreais.

A noite é representativa de momentos de maior introspeção. É na cama, na hora de dormir, que fazemos uma retrospetiva do dia que acabamos de viver e projetamos o dia seguinte.

Quando existe equilíbrio entre o racional e o emocional, com toda a certeza o sono será recuperador. O perigo está quando deixamos que a nossa mente emocional reine sobre a racional levando ao aparecimento do Pensamento Ruminativo.

É chegada a hora de dormir. Chegamos à cama, e por muito confortável que ela seja, por muito acolhedoras que sejam as almofadas e os lençóis de qualidade, o sono teima em não chegar. Isto porque, nesta nova era, já não nos deitamos sós, deitamo-nos com o nosso pior inimigo, o  pensamento ruminativo que rói e corrói o nosso âmago. Este parece ganhar vida própria, insiste na sua reprodução e multiplicação, conferindo àquilo que poderia ser de fácil resolução proporções distorcidas aquietando-nos a alma. Em boa verdade, deitamo-nos com um problema e acordamos com vários.

Este pensamento tem um elevado teor de toxicidade minando a nossa qualidade do sono e consequentemente de vida. É um pensamento ausente da clarividência da mente racional, daí ser tão urgente ensinar às crianças e adultos estratégias de engajamento no combate a este nosso inimigo invisível.

Deitamo-nos confortavelmente e daí a pouco segundos a nossa mente começa a vaguear pelos medos que nos atormentam.

E no dia seguinte inverte-se o dia na noite. Andamos sonolentos, o corpo pede cama e a mente tem de trabalhar. Acumulamos trabalho, procrastinamos e o mau humor instala-se. Entramos num ciclo vicioso que pode levar ao aparecimento de doenças psicossomáticas.

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Como combater este inimigo?

Como acabar com o pensamento ruminativo?

Recorrendo, mais uma vez, aos contributos das teorias científicas, nomeadamente à psicologia positiva centrada na prevenção, urge substituir estes pensamentos tóxicos por pensamentos de gratidão.

É certo e sabido que muitos não foram educados para esta prática, isto porque o ser-humano tendencialmente foca-se mais no que não tem, dando por adquirido o que já tem. Em boa verdade, só nos momentos de perda damos real valor ao que perdemos.

Direcionar os nossos sentimentos e pensamentos para a gratidão, agradecendo diariamente, sobretudo na hora de dormir, eleva-nos a sensação de bem-estar, minimizando os problemas sentidos e, claro está, promove um sono reparador.

Ao cabo e ao resto, há tanto para agradecer. Há certamente mais para agradecer do que para ruminar.

Ao cabo e ao resto, ao adquirir este hábito feliz estaremos, indubitavelmente, a promover a nossa felicidade interna.

Segundo a filosofia Hindu, são necessários vinte e um dias para adquirir um hábito feliz. Neste caso, se treinarmos ininterruptamente o pensamento de gratidão durante vinte e uma noites antes de dormir, este hábito tornar-se-á consistente e os resultados positivos far-se-ão sentir de forma magistral no nosso corpo e na nossa mente.

Afinal, o que custa não é viver, é Saber Viver! A felicidade sempre veio e sempre virá de dentro para fora!

Vale a pena tentar!

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Manuela Cunha

Formação Académica - Mestre em Ciências da Educação - Investigação na área da Inteligência Emocional e Psicologia Positiva. - Especialização em Educação Especial - Licenciatura em Ensino de Português e Francês Participação nos seguintes projetos: - Comunidades de Aprendentes com o Prof. Dr. Joaquim Azevedo - Embaixadora Led on Valius com o Prof. Dr. Roberto Carneiro - Mentora e Formadora da Escolas de Pais Especiais - Aprender a ser pais felizes com um filho com deficiência mental. - Palestrante convidada sobre Inteligência Emocional e Felicidade, em vários pontos do país - Participação em vários programas de televisão no âmbito da Educação Especial - Cronista convidada pela Porto Editora no portal da Educação - Educare.pt Livros publicados 1º - A Familia e a Escola face ao Auntismo 2º - Semeadores de Afetos - Vivências reais de uma professora da Educação Especial ( Este livro teve o reconhecimento televisivo pelo atual Presidente da República) 3º - Pais Felizes! Filhos Felizes! 4º- Ainda em fase de construção

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