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CGD | O encerramento do balcão de Arcozelo à luz da visão social do serviço público

CGD | O encerramento do balcão de Arcozelo à luz da visão social do serviço público

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Começo por manifestar total indignação pela opção de gestão administrativa da Caixa Geral de Depósitos em encerrar 75 agências.

Uma das obrigações da CGD, enquanto banco público, reside precisamente na manutenção de uma rede de agências que garantam o acesso a serviços bancários em todo o país, tendo por obrigação a sua presença de cobertura geográfica numa relação de proximidade com as populações e de regulação do mercado bancário. Se precisamos de ter uma Caixa Geral de Depósitos forte e recapitalizada é precisamente para esta instituição estar ao serviço da economia local e das pessoas. Por outro lado, a CGD tem de ser um referencial de transparência e de irrepreensível relação com os seus trabalhadores e não ser um bastião de despedimentos e de encerramentos para que o presidente da comissão executiva seja galardoado com méritos financeiros.

Não se põe em causa a necessidade de uma gestão cuidada e eficiente, desde que essa seja compatível com os desígnios de uma instituição pública com responsabilidades sociais e com princípios de regulamentação de mercado não permissíveis à selvajaria especulativa.

Numa visão mais localista, contesto veementemente o encerramento da agência de Arcozelo. Esta dependência bancária abrange uma extensa área de cobertura – tanto de clientes individuais como de empresas; desempenha um papel social relevante – quantas pessoas levantam aqui a sua reforma; desanuvia o serviço prestado à população do concelho – imagine-se a concentração na agência central de Barcelos; movimenta um conjunto de atividades à sua volta – repare-se no comércio que depende da afluência das pessoas a este serviço; emprega trabalhadores que ficam sujeitos a deslocalizações ou despedimento. Na verdade, esta agência, desempenha um serviço público muito procurado pela população e não se vislumbra qualquer razão que justifique esta absurda decisão. A não ser que haja interesses estranhos de manobras de bastidores, até porque os CTT têm um posto em frente e sabe-se a voracidade pela banca que esta privada instituição tem.

A Junta de Freguesia fez saber que está contra esta decisão e já tem um abaixo-assinado no terreno a ser subscrito por todos quantos assim o entendam fazer. O Presidente da Câmara, estranhamente, diz que a situação é irreversível como que aceitando que assim seja. A população afetada não desiste da luta e marcou para esta sexta-feira uma concentração como ato de cidadania e repúdio por esta absurda decisão. A visão redutora dos gabinetes economicistas de Lisboa, sem auscultação de ninguém e somente pelo corte cego da despesa para mostrar serviço, não se pode sobrepor à visão social do serviço público.

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Categorias: Política

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

José Maria Cardoso

Professor. Deputado Municipal do Bloco de Esquerda.

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