Vila Nova de Famalicão

Marchas Antoninas Infantis | 30 anos de Histórias. Os temas, os percursos, actividades: uma aproximação

Marchas Antoninas Infantis | 30 anos de Histórias. Os temas, os percursos, actividades: uma aproximação

 

Actividade de forte tradição desde o reinício das Festas Antoninas, as Marchas Antoninas Infantis chamam ao centro de Vila Nova de Famalicão, todos os anos, milhares de pessoas para assistir ao desfile das crianças dos jardins-de-infância e escolas do 1º Ciclo. Se, por um lado, as actividades infantis e pedagógicas nas “Festas Antoninas” sempre estiveram praticamente presentes (exceptuando os anos de 1979 e de 1980), por outro lado, as “Marchas Antoninas Infantis” marcaram a sua presença, desde 1988, com algumas variantes na sua denominação ao longo de trinta anos.

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Em 2009, as “Marchas Antoninas Infantis” denominaram-se “Antoninas Infantis – Desfile” e em 1989 “Marchas Antoninas das Crianças”, enquanto que no ano do seu arranque se denominaram simplesmente “Marchas das Crianças”. Na tentativa de incorporar todas as actividades infantis numa única rúbrica, o Município fê-lo, em 1991, com a designação de “As Antoninas e as Crianças” e, dez anos depois, em 2001, na designação de “Antoninas Para Crianças”, ficando assim no programa das respectivas “Antoninas”, tal como aconteceu em 1986, denominando-se “Festas Antoninas das Crianças”.

Mas as “Marchas Antoninas Infantis” têm outras particularidades, nomeadamente os temas referentes a Santo António, na excepção de alguns anos. Atente-se, a título de exemplo, alguns dos temas que se conhecem: “Santo António e o Património Local” (2017), “Santo António e a Alimentação” (2016), “Santo António e a Luz” (2015), “Santo António e as Profissões do Seu Tempo” (2013), “Santo António e as Marchas” (2010), “Mata dos Medos”, livro de Álvaro Magalhães, tendo a Ecologia por base plástica (2008), “Santo António e Hans Christien Andersen” (2007), “Os Santos Populares” (2006), “Santo António e o Pão” (2001) e “A Nossa Terra, os Nossos Costumes Neste Século” (1999).

VN Online | Amadeu Gonçalves - Antoninas Infantis. 30 anos de histórias. Temas, percursos, actividades: uma aproximação

Marchas Antoninas Infantis (2015) (Imagem: Amadeu Gonçalves)

Em anos excepcionais, como foi o caso de 2005, considerado pelo Presidente da Câmara Municipal de então, Armindo Costa, o “ano historicamente mágico para o concelho”, na medida em que se comemoraram os “800 Anos do Foral”, os “170 Anos da Criação do Concelho” e os “20 Anos de Elevação a Cidade”, o tema proposto foi, nada mais nada menos, do que “Santo António e o Foral”.

Mais atrás no tempo, em ano de comemorações do I Centenário da Morte de Camilo Castelo Branco (1990), o tema escolhido para as “Marchas” só poderia ter sido “As Crianças na Época Camiliana”. Veja-se a notícia do então “Vila Nova”, de 21 de Junho de 1990. Mediante o tema proposto, a Câmara Municipal definiu então como norma que “pelo menos um par de crianças trajadas à século XIX” fizessem uma homenagem a Camilo Castelo Branco. Desta forma, “entre os trajes coloridos que diferenciava as várias escolas, destacavam-se pequenos «Camilos», «Anas Plácido» e «filhos de Camilo».

Invariavelmente, houve poucas alterações no que diz respeito ao percurso das “Marchas Antoninas Infantis”. No ano de 2012 , as “Marchas”  tiveram o seu início no Parque 1.º de Maio, finalizando nas Piscinas Municipais, e, no ano passado, em 2017, o percurso iniciou-se na Av. 25 de Abril. Pelo menos de 2006 até aos nossos dias, o início teve sempre a sua marca nos Jardins da Câmara Municipal / Praça Álvaro Marques,  finalizando nas Piscinas Municipais, com algumas excepções: em 1994, com início na Câmara Municipal, finalizou no Parque 1.º de Maio, em 1993, na Praça D. Maria II e em 1992 novamente no Parque 1.º de Maio. Este ano, o percurso das “Marchas Antoninas Infantis” tem um percurso diferente, finalizando onde durante muitos anos teve o seu início: R. Adriano Pinto Basto, R. de Santo António, Praça 9 de Abril, R. Júlio de Araújo, Avenida 25 de Abril e Parque 1.º de Maio.

Tal como disse no início, exceptuando nas primeiras “Festas Antoninas” (1979, 1980), as actividades infantis e pedagógicas sempre tiveram a sua marca presencial nas “Festas Antoninas” em V. N. de Famalicão. Em 1981, salvaram-se pelas actuações dos Ranchos Infantis de Mouquim e do Grupo Folclórico de S. Miguel de Seide, enquanto que a partir de 1987 a grande marca serão as exposições referentes aos “Desenhos Infantis” sobre as “Antoninas” ou referentes a Santo António, aliando-se aos desenhos as esculturas, assim como os cartazes, na visualização estéticas das crianças.

Acrescenta-se a cascata infantil, sempre presente na Praça 9 de Abril, acrescentando o Município em 1996, 1997 e 1998 a “Romaria da Pequenada”, com actuações dos ranchos infantis, palhaços, ventríloquos, na denominação dos “Espectáculos de variedades”. O Ano que marca a diferença será, precisamente, 2005, com dois projectos pedagógicos: “A Máquina da Energia”, tendo como tema central “O Corpo Humano como Fonte de Produção e Consumo de Energia” e a apresentação da “Maleta Gigante”, no âmbito do projecto pedagógico do Município “Viagens Pelo Património Cultural”.

“Vila Nova”. V. N. de Famalicão (6 Jun. 1988), p. 22. (espólio do autor)

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Imagem de destaque: Marchas Antoninas Infantis (2016). Tema: “Santo António e a Alimentação” (Imagem: Amadeu Gonçalves).

 

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Amadeu Gonçalves

Técnico-Superior do Município de V. N. de Famalicão é licenciado pela Faculdade de Filosofia de Braga / Universidade Católica Portuguesa e mestre pela Universidade do Minho, Braga, em Filosofia. Tem participado como conferencista em colóquios, seminários e encontros sobre Filosofia, Literatura e Cultura Portuguesa. É ainda membro do Conselho Consultivo do “Boletim Cultural” da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, onde tem colaborado. Tem ainda publicado sobre os mais diversos assuntos, sobretudo relativos ou relacionados à História local famalicense.

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