Questionário de Proust | António Álvaro de Azevedo Vieira de Castro

Questionário de Proust | António Álvaro de Azevedo Vieira de Castro

Pub

 

António Álvaro de Azevedo Vieira de Castro nasceu no número 26 da Rua de Santo António, em Vila Nova de Famalicão, no dia 6 de Novembro de 1946.

Nos seus tempos de estudante, frequentou o Externato Particular do Barreiro, a Escola Comercial e Industrial de V. N. de Famalicão e a Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Crescido no “Estado Novo”, muito cedo compreendeu o significado de ditadura. “Também tínhamos em casa!”, refere o próprio. Na adolescência foi muito influenciado por um amigo de seu pai, habitual frequentador da casa de família, o Sr. Teófilo Nunes Bento, membro importante do Partido Comunista que o politizou. Por essa altura, passou a ser assinante do “Comércio do Funchal” e do “Notícias da Amadora”. Também foi utilizador assíduo da biblioteca itinerante da Fundação Gulbenkian.

Entretanto, em 1967, fez a sua entrada no serviço militar obrigatório e cumpriu serviço militar na Guiné nos anos de 1968, ’69 e ’70.

Finalmente livre, em 1971, viajou até Londres para visitar os grandes Museus. Daí passou para Paris, onde o “Museu do Homem” foi o que mais o marcou e fez interessar ainda mais pela Antropologia.

Fez então aí diversos amigos. Por essa altura, passava longos períodos nesta cidade frequentando como assistente, a École des Beaux-Arts.

A abertura, em 1977, do Centro Georges Pompidou, e toda a sua proposta, marcou-o de modo significativo, o que o fez regressar  muitas vezes a esta cidade.

De 1971 a 1975, foi Gerente da fábrica de confeitaria Vieira de Castro & Filhos, Lda, empresa famalicense que este ano assinalou o seu 75º aniversário, tendo criado a marca “VIEIRA” e o seu primeiro logotipo, uniformizando toda a imagem da casa pela primeira vez.

Em 1974, dá-se o “25 de Abril” e, no ano seguinte, 1975, António Vieira de Castro cria uma loja na Av. 25 de Abril, em V.N. de Famalicão, a “LEO – presentes”, com um novo conceito de comércio e uma proposta muito diversificada: Das antiguidades ao Design até peças do quotidiano.

No ano seguinte, 1976, passa a residir em Lisboa, onde lança uma nova loja na Tv. da Queimada, 48, ao Bairro Alto, a “LEO Decorações – presentes com objetos”. Aí comercializa mobiliário dos anos 30 e 40, arte popular e erudita, dos designers contemporâneos aos ceramistas de Barcelos.

Em fevereiro de 1980, António Vieira de Castro avança com um novo projeto. Abre a “Galeria LEO”, com uma exposição de Mário Botas, artista plástico de referência com intensa obra ligada à pintura, ao desenho e à ilustração, intitulada ” Os Passeios do Sonhador Solitário”.

A partir da criação da galeria, desenvolveu a procura de novos talentos, jovens artistas em primeira exposição. De então para cá, promoveu exposições de diversos artistas de Lisboa e Porto, entre os quais destaca o escultor Rui Chafes, “pela sua grandeza e humildade”, desde a sua exposição na LEO até hoje. “Nunca parou de me deslumbrar”, afirma.

Presentemente, António Vieira de Castro, está retirado no campo, que sempre amou. Dedica-se ao cultivo de flores, mas também das suas dores.

.

.

1- Qual é para si o cúmulo da miséria moral?

Desonestidade intelectual.

.

2- O seu ideal de felicidade terrestre?

Paz, amor e liberdade.

.

3- Que culpas, a seu ver, requerem mais indulgência?

As não premeditadas.

.

4- E menos indulgência?

As premeditadas.

.

5- Qual a sua personalidade histórica favorita?

Santo António.

.

6- E as heroínas mais admiráveis na vida real?

As minhas amigas.

.

7- A sua heroína preferida na ficção?

“Sophie”, em O Golpe de Misericórdia, de Marguerite Yourcenar.

 

8- O seu pintor favorito?

Caravaggio.

.

9- O seu músico preferido?

Erik Satie.

.

10- Que qualidade mais aprecia no homem?

O cavalheirismo.

.

11- Que qualidade prefere na mulher?

A conciliadora.

.

12- A sua ocupação preferida?

Viajar.

.

13- Quem gostaria de ter sido?

Luís II da Baviera.

 

14- O principal atributo do seu carácter?

Autenticidade.

.

15- O que mais apetece aos amigos?

Abraçá-los.

.

16- O seu principal defeito?

Pensar.

.

17- O seu sonho de felicidade?

Muito amor.

.

18- Qual a maior das desgraças?

Nascer muito pobre.

.

19- Que profissão, que não fosse a de escritor gostaria de ter exercido?

Jardineiro.

.

20- Que cor prefere?

Amarelo.

.

21- A flor que mais gosta?

Cravo encarnado.

.

22- O pássaro que lhe merece mais simpatia?

Melro.

.

23- Os seus ficcionistas preferidos?

Bernardo Santareno, Virginia Woolf, Simone de Beauvoir, Richard Zimler.

.

24- Poetas preferidos?

Sofia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Constantin Cavafy, Garcia Lorca.

.

25- O seu herói?

Nelson Mandela.

.

26- Os seus heróis da vida real?

Os meus amigos.

.

27- As suas heroínas da história?

Natália Correia, Maria de Lurdes Pintasilgo, Sofia de Mello Breyner.

.

28- Que mais detesta no homem?

O machismo.

.

29- Caracteres históricos que mais abomina?

Holocausto.

.

30- Que facto, de ponto de vista guerreiro, mais admira?

As conquistas de Alexandre, o Grande.

.

31- A reforma política que mais ambiciono no mundo?

Socialismo.

.

32- O dom natural que gostaria de possuir?

Inteligência.

.

33- Como desejaria morrer?

Tranquilo.

.

34- Estado presente do seu espírito?

Inquieto.

.

35- A sua divisa?

Um por todos, todos por um.

 .

36- Qual é o maior problema em aberto do concelho?

Não sei responder. Há quarenta anos que vivo fora do concelho.

.

37- Qual a área de problemas que se podem considerar satisfatoriamente resolvidos no território municipal?

Não sei responder. Há quarenta anos que vivo fora do concelho.

.

38- Que obra importante está ainda em falta entre nós?

Não sei responder. Há quarenta anos que vivo fora do concelho.

.

39- De que mais se orgulha no seu concelho?

Não sei responder. Há quarenta anos que vivo fora do concelho.

.

40- Qual o livro mais importante do mundo para si?

Bíblia.

.

Pub

Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Agostinho Fernandes

Agostinho Peixoto Fernandes nasceu em Joane, em 1942. Após a instrução primária, ingressou na austera Ordem do Carmo, em Viana do Castelo, tendo terminado a licenciatura em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Como professor do ensino Secundário ocupou, a partir de 1974, vários cargos de gestão em estabelecimentos de ensino. Entre 1980 e 1982 foi vereador da Cultura, pelo Partido Socialista, na Câmara Municipal de Famalicão, sendo Presidente Antero Martins do PSD, onde alicerçou uma política inovadora nesta área. Promoveu os Encontros Municipais e de Formação Autárquica, fundou o Boletim Cultural. Dinamizou o movimento associativo local. Em 1983 foi eleito presidente da Câmara de Famalicão, cargo que ocupou até 2001. O seu trabalho de autarca a favor da educação, ensino e acção social (foi um dos primeiros autarcas do país a criar no seu concelho uma rede pública de infantários) foi reconhecido em 1993 pela UNICEF, que o declarou “Presidente da Câmara Amigo das Crianças”. Ao longo dos seus sucessivos mandatos – que se estenderam por um período de quase 20 anos – o concelho transfigurou-se. A ele se deve a implantação de importantes infra-estruturas como o Citeve, Matadouro Central, Universidade Lusíada, Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Biblioteca Municipal, Artave, Centro Coordenador de Transportes, Casa das Artes, Museu da Indústria Têxtil e piscinas municipais. Também tomou decisões polémicas, como a urbanização da parte dos terrenos de Sinçães, a instalação de grandes e médias superfícies comerciais à entrada da cidade e a demolição do Cine-Teatro Augusto Correia. Foi um dos fundadores da Associação de Municípios do Vale do Ave, tendo, neste âmbito, enfrentando a maior contestação popular dos seus mandatos com a construção da ETRSU de Riba de Ave. É sócio de inúmeras associações cívicas, culturais e de solidariedade social e foi mandatário concelhio de Mário Soares e Jorge Sampaio (1º mandato) nas suas campanhas à Presidência da República.

Escreva um comentário

Apenas utilizadores registados podem comentar.