Raias Poéticas, 7ª edição – 2018 | RAIAS: CONCEITOS RITORNÉLICOS

Raias Poéticas, 7ª edição – 2018  | RAIAS: CONCEITOS RITORNÉLICOS

AS RAIAS POÉTICAS: AFLUENTES IBERO AFRO AMERICANOS DE ARTE E PENSAMENTO, acontecem há 7 anos na CASA DAS ARTES de VILA NOVA FAMALICÃO, PORTUGAL. Professores, escritores, poetas, tradutores, críticos, ensaístas, artistas, viajantes das metamorfoses… intensificaram e intensificam as conexões estéticas éticas, as reviravoltas moleculares, a transgeografia linguística, as estéticas do esquecimento como memória-ontológica-futurível, sim, um acontecimento indizível a partilhar ritmos problemáticos do sensível, partilhar o acontecimento estilizador da existência, actualizando a vitalidade do desejo: LITERATURA-ARTE-CORPO-PENSAMENTO-CIÊNCIA-NATUREZA: entrecruzamentos híbridos do pensamento por vir-contagiante, fluxos imanentes misturam rotas da política do impossível e da arte ibero-afro-americana, mesclam fronteiras estéticas, atravessam perplexidades, heterogeneidades, transformam vizinhanças captadoras de forças expressivas em zonas movediças, em espaços fragmentários-miscigenados, gerando deslocamentos ampliadores de mapas de sensações que desmoronam hierarquias, representações totalizadoras, rasgam caminhos de liberdade entre processos artísticos, escapam ao poder recognitivo, suscitando os RITMOS das aventuras enciclopédicas que partilham geografias, forçando-nos acometer o desconhecido, a dizer o indizível, a ver o invisível, a tocar o intangível, a escutar o insonoro. Porque a ARTE é memória-mundo a resistir aos microfascismos, é cartografia de relações de forças que rasgam dentro de nós os sistemas produtores de medo! A ARTE experimenta as potências de diagramas insaturáveis, experimenta radicalmente a existência. A ARTE é experimentação do insatisfazível. A arte torna a vida intensiva! Com a arte buscamos o infinito em cada perspectiva entre correntezas violentamente musicais e silenciosas! RAIAS assumem a sua própria liberdade ao acelerarem seus devires por meio do espírito dionisíaco!

VN Online | Raias Poéticas, 7ª edição - 2018 ... RAIAS: CONCEITOS RITORNÉLICOS, por Luís Serguilha

RAIAS transmudam a incompletude, entrecruzam conceitos, subvertem as identidades por meio da sedução polimórfica das ruínas da língua materna: quem somos nós e o que somos nós nos jogos rítmicos de espelhos quebrados, nas interrogações contínuas, nos avessos friccionados pelos magnetismos impensados? Sim, sentir as fendas desterritorializadoras que potencializam a interrelacionalidade filosófica, os pensamentos sem destino, e as singularidades transfronteiriças das línguas-sem-repouso onde as contaminações diversas fazem das cartografias de tempos clandestinos,  inscrições das correntezas vibráteis que habitam o invisível dentro do acontecimento: são feixes de transversalidades afectivas, de emaranhamentos corporais, são dobraduras de encontros intensificados entre os desejos do viver-crítico, as resistências-moventes, os conceitos em deslizamento e as visões reveladoras de novos espaços de vida intensiva! Construir matérias expressivas que atravessarão e fissurarão as verdades-verdadeiras, as homogeneizações que tentam prevalecer no mundo da agoridade. É urgente aproximarmos multiplicidades, problematizações, geografias, nomadismos, criando zonas de vozes singulares e de diferenças para enfrentarmos a consciência-julgadora-punidora, o consenso hegemónico, sim, produzir tempo, cérebro, eternidade, corpo, espaço por meio da alegria do phaneron-cristalino da plenitude( devir-mundo com milhares de fendas sinápticas): sim, a urgência de reinventar novos mundos no mundo, novas visões de variações contínuas que nos retiram e colocam simultaneamente no mundo: deslocar o eixo da terra através de almas contemplativas-larvares): estamos dentro da transposição do imaginário, da memória-ontológica-futurível, dos fluxos do movimento da vida, recomeçando sempre numa filosofia incomensurável, tentando plantar rosas na barbárie e na loucura, a loucura que diz SIM à vida, às energias da criação em devir, libertando-nos do encarceramento, do normativo, dos julgamentos, do tautológico, quebrando as couraças dos moralismos e do estrelismo fantasioso. Assim, juntamente com académicos, artistas, pensadores, críticos, professores, escritores e leitores experimentaremos transleituras, desleituras, novos ritmos expressivos, línguas perfuradas por outras línguas que captam permanentemente forças de vida em transitividade( ciranda afectiva que sofre intervalos, repetições, transes, volteaduras, renascimentos, fluxos que se esgaivam uns nos outros): são oscilações sublimes da multiperceptividade, germinando novos mundos, potencializando a quebradura das flechas do tempo. Partilharemos também cirandas da paradoxalidade corporal que mergulham no pensamento da diferença ao inventar ritmicidades em imensas hipóteses-dinâmicas, escarvando orifícios nas percepções por meio de ondas de intensidades inesperadas, de relações dinâmicas, de volteaduras agramaticais( mosaico de tempos, reviravolta de sensações, mutações da impossibilidade). É com as permutações visionárias, com as experimentações infinitas da aprendizagem transhistórica, com os deslizamentos da vontade de confrontar criticamente, esteticamente os solos da homogeneização, da mercantilização, das significações totalitárias, da padronização que subverteremos as versões do mundo, anteciparemos as coexistências das escritas-de-vida e a exigência de uma estética de vida sem limites para mudarmos o tempo do mundo( múltiplas sensações entrelaçadas, encontro de ressonâncias do acaso). Haja RAIAS-POÉTICAS sem estruturas históricas, sem cógitos intelectuais, sem biografias): haja fluxos criadores de voltagens sígnicas, simultaneidades das batalhas cósmicas, paradoxalidades que raptam o avesso do mundo, roubos perceptivos que reinventem mundos em inúmeras possibilidades( afecções corporais para além dos limites, sim, invenções que fazem durar o instante)! Urgente cartografar vestígios das línguas, desmontar brinquedos linguísticos com a veemência da primeira vez, cartografar as magicaturas das semióticas das intensidades com a epiderme intersticial da potência afectiva, com o inconsciente, sentir o vazamento do mundo das línguas dançantes não mensuráveis onde ninguém domina, nem pertence, porque somos atravessados por milhares de falas iniciantes sem dono, por desdobramentos atmosféricos invisíveis que nos fazem interromper estruturas, pensar dentro das multiplicidades, do inesperado, do imprevisível, transformar a história num ritmo a-histórico( atractores estranhos entre aprendizagens inventivas e o saber do corpo catalisador de experimentações problemáticas, sim RAIAS não têm cronologias, narrativas da linearidade porque são atravessadas ininterruptamente por instantes imprevisíveis do FORA que nos fazem acontecer como artistas da própria-vida, sim, nos efectuamos na composição-durável que absorve superfícies moventes das afectologias polimórficas): acontecer nas forças topológicas contaminadas pelos olhares-olhantes, pela rotação institual da orfandade, pela transmutação da alegria desejante, por isso tentaremos romper realidades organizadas, procurando incessantemente as palavras descodificadas, os ecos das palavras sem habitações fixas, as forças caóticas-mutantes, as forças intrusas sígnicas que nos fazem jogar com a fascinação do acaso, com as linhas compositivas de vizinhanças do sensível que se abrem ao corpo-olhar fugitivo das utilidades da percepção: é o nomadismo aberto ao desconhecido, às qualidades da diferença que impulsionará a estranha iluminação das RAIAS nos mapas sem origem que jamais sustentarão a racionalização do entendimento, porque os movimentos estéticos são videntes, profanadores, excessivos e resistentes a qualquer tipo de poder ou a qualquer justaposição____haja RAIAS agitadoras de pontos de vista incontroláveis! Haja recriação de vida porque todo o acto-pensar é criativo, inventivo, transbordante. Pensar é sentir a diferença e buscar a heterogeneidade da resistência, RE-existência. O pensamento-RAIAS conquista tempo, experimenta a vida, modifica a relação com a vida. RAIAS são blocos de afectos, são ritornelos críticos, são combates de si-em-si, são tempos delirantes, forças inexplicáveis criadoras de cérebros-larvares fora de razões psicológicas( a incomensurabilidade de estar dentro e fora simultaneamente, transfronteirando o mundo por meio de animais ritmáveis de sensações)

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URGENTE construir LUGARES de contradições inultrapassáveis, lugares fabulatórios, sim, pensar o impensável entre memórias tatuadas pelo futuro da estética do acontecimento, criando uma zona de indiscernibilidade ou de entrecorte entre topologias da arte e os espaços não artísticos, resistindo aos microfascismos, ao niilismo da vida-orgânica. Intersectores de coreografias convulsivas entre ficção-real e vida. Assim, juntamente com académicos, artistas, pensadores, críticos, professores, escritores e leitores, experimentaremos alfabetos nómadas, transleituras, desleituras, novas correntezas de expressão de línguas perfuradas por outras línguas, antecipando coexistências das escritas-de-vida e a exigência de uma estética de vida, tão urgentes para mudar o tempo do mundo. O signo-RAIAS compõe relações de forças afirmadoras de vida no seu extremo. RAIAS são forças da insubordinação, forças acontecimentais-construtivistas, sempre transbordantes, turbilhonantes, fulgurantes, paradoxais porque não se submetem ao organismo-identitário, à servidão ! RAIAS colocam em estado de emergência o esquema sensório-motor, escapam ao saber déspota, aos dualismos, mazdeísmos que vedam, esgotam o fluxo, o ritmo da criação e da diferença!

RAIAS são cartografias do pensamento em risco, do anorgânico desterritorializador de rostos, por isso, estimulam a transvocalização das vozes, arrebenta percepções vividas, estraçalha o percepcionado, o experimentado para entrever, visionar novas possibilidades de re-existências adentro e fora concomitantemente, sim, RAIAS potencializam a crítica numa ondulação cerebral repleta de devires, cartografam o tempo-puro,  desterritorializam o pensamento intempestivo, variando sentidos entre forças abstractas-inventivas,  atravessam a língua sem essencialismos por meio de intensidades, embaralhando e destruindo códigos pré-estabelecidos, regras intrínsecas, sim, devastam territórios discursivos congelados, sedentários com o sublime de uma política de vida, uma política ética-estética catapultadora da impessoalidade, do acósmico, do háptico, das potências afectivas, assim, questionam interpretações, abalam o mundo sensível, destroem as anestesias dos sentidos, rupturam formulações instauradas, dialogam com a vida-criativa, emancipam vida, fazem vida, fazem escolhas, suspendem, interrompem, fracturam estruturas deterministas, misturam devires sensíveis, forçam o pensamento a pensar adentro das multiplicidades, do inesperado e das imprevisibilidades, transformam a biografia num ritmo transhistórico, subvertem as configurações de olhar o mundo, mergulham no processo transcartográfico, transgeográfico sem relativismos, mas com uma miríade de ressonâncias afectivas-olhantes, quebrando o prolongamento da percepção cartesiana, SIM,  as RAIAS despedaçam singularmente os horizontes porque não absorve as verdades instituídas, SIM,  com seus  signos malditos, com suas máquinas germinadoras perturbam a quietude dos estúpidos, as normoses dos donos do poder por meio das intensidades geofilosóficas, das cumplicidades vibratórias da fabulação-dos-esboços que conecta o virtual com o actual onde linhas intersectoras fazem da matéria em movimento um devir em potência, é o ritornelo ressoante, é a memória-futuração, é o paradoxal da natureza: um prisma misturador do dentro e do fora, criando intersecções de forças que respondem ritmadamente ao caos entre a complexão de contrastes  heterónimos e lances de dados, sim, RAIAS fazem da ficção um modo de reexistência, de invenção de novas e vigorosas formas de vida, estimulam os arcos voltaicos de ser estrangeiro dentro da própria língua, sim, urgente libertar a vida do aprisionamento racionalizador-totalizador, das cavernas neuróticas, das verticalidades afuniladoras, urgente sentir que o desejo é inovador, insubmisso, sentir a epiderme da revolta, sentir que o pensamento não admite o centro, nem a unidade porque suas forças precisam de trilhar sentidos sem significação, de bosquejar acontecimentos dilatados, de esboçar deserticamente, nauticamente o mundo: urgente sentir que o afecto é o recomeço sígnico das transmutações de pontos de potência do mundo, religa tudo.

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RAIAS são atravessadas pela potência de sensações de entre-dois, inventam campos problemáticos e refazem intensivamente o pensamento que é vida a combater o entretimento do cretinismo, o infantilismo e a fragilização da linguagem( RAIAS são ritmos involuntários que nos fazem acontecer)! RAIAS fazem-se de enxurradas de sensações incontroláveis, de topologias de passagem sem finalidades, são forças dos sismógrafos do sensível porque no mergulho OCEÂNICO das RAIAS sentimos o reconhecimento caológico, a pluralização de mundos, a multiplicação de matrizes, as tessituras esfíngicas, mágicas, que experimentam o mundo na sua própria dimensão caótica, o caos das RAIAS não é desordem é uma força que se refaz no caos e multiplica o caos, entre-caos, vive do caos, sim, RAIAS leva-nos à experimentação de luz excessiva, à extrema lucidez, ao inacabado, à potência das perguntas dos artistas-escritores-múltiplos, à paradoxalidade que tangencia o caos, reconfigurando e desconfigurando o olhar do vazio-inventivo que observa, contempla antes de ler, afectado por energias não mensuráveis, sim, o caos das RAIAS caotiza e desfaz no incomensurável a erudição e a percepção porque seus ritmos aberrantes actuam simultaneamente em várias superfícies flutuantes, em várias geografias cristalinas, conjugando todas as artes, perfuradoras da memória-mundo, da memória-futuração onde o sujeito e objecto se destronam e se descentram entre linhas afectivas (com as RAIAS somos atraídos para fora de nós-mesmos, no qual se verifica a escultura geometral da vida, do tempo-puro-geográfico: direcções coexistem com outras direcções: i-emergem correlações, o mundo mundifica, nada é objecto, tudo é inobjectivável porque os atravessamentos sígnicos dançam no instigantíssimo processo IBERO AFRO AMERICANO escarificado por eternos retornos, por movimentos vertiginosos, por movimentos de ciclos descentrados, SIM, sentimos uma força capaz de pensar permanentemente, de mergulhar no caos, de vencer o caos em metamorfoses contínuas, capturando os agenciamentos dos heterogéneos que implica sempre um devir entre correntezas do impossível e os sensíveis dos sensíveis da potência da vida( evitar as sentenças da consciência arrolada em apenhoramentos espirituais)!

RAIAS são violências silenciosas do imperceptível que nos mostram novas possibilidades de existência, ultrapassando formas canónicas das ditas culturas apinhadas de logicidades: haja o disfuncional da osmose, da atracção, da contaminação, porque não há movimentos separados, há uma escritura infinita, há um infinito jogo de deslocamentos, transversalizando sentidos, não há unificação, nem imo, mas transcodificações, transducções, diferenças sem sujeito e ressingularizações que dilaceraram, rupturaram entendimentos deterministas!

RAIAS transbordam o jogo do domínio das margens porque têm a urgência de evadirem-se e desvendarem o figural do mundo, são corpos-vivos, são línguas anárquicas,  são constelações semióticas do corpo que experimentam a inesgotabilidade do real, emancipam-se, misturam-se com o mundo-desejante: criam, afectam caleidoscopicamente, NÃO há uma língua-mãe, nem uma língua-pátria, estamos perante  a LINGUA-MUNDO ressuscitada entre línguas porque o texto da arte é o texto da vida que busca o inacessível, é um traço do passado em futuração, um catalisador que escuta o infinito, um receptáculo que apreende, esculpe e escarça, rasga o tecido da palavra num combate ininterrupto, faz reaparecer a língua na fascinação da entrada do abismo, no pensamento em revolta! São excriptas que transvazam acentradamente o mundo, ficcionam o real, caotizam o caos por meio de jorros de sensações irrefreáveis que nos transportam para o pensamento impensável( eis, a FORÇA MAIOR DA VIDA)!

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RAIAS faz-nos estar sempre des-focados naquilo que podemos sentir como ARTE-PENSAMENTO entre uma miríade de saberes-moventes-interrogativos, de não saberes e de golpeaduras das diferenças, sim, faz-nos auscultar as transducções do mundo, a intensificação das singularidades entre os DESEJOS estéticos, as dobraduras sígnicas, as redes intersemióticas, os abismos neurológicos, as matemáticas criativas, as velocidades-lentas, as hibridizações…estamos dentro do ritmo vasculhador da germinação dos cios das deslocações geográficas porque, RAIAS nunca serão obras, mas, temporalidades paradoxais, PROCESSOS CONTAGIANTES   de ritornelos, de zonas irradiantes-aformais, de alfabetos agramaticais, de línguas estranhas dentro de uma língua escorregadia( cristal-sonoro-do-tempo do artista-escritor em fugas permanentes), sim, com as RAIAS copulamos imensas línguas do inumano do humano, abrimo-nos às forças transmutantes da NATUREZA, resistimos, reexistimos e exploramos arquipélagos inabitados, despovoados. RAIAS acontecem num poema NAUTICO-alpinista, lenhador de caos, contaminador e transformador do caos, não explica nem representa o caos, perfura-o orficamente, produzindo encontros e intensidades afectivas adentro da loucura do inacabado, feito de choques vertiginosos, de rastros imperceptíveis, somos trespassados por sensações desorientadas, enfrentamos o estranho, o estrangeiro, o exílio, absorvendo uma língua nómada, que está sempre por vir, bosquejando espaços, sim, um devir desarranjado que diz-desdizendo escoriando a língua com fluxos fabulatórios, com esfinges verbais: eis, a sedução do apavoramento linguístico-balbuciante que nos leva para o subversivo enigmático, sem respostas, cauterizando a matéria, assim, seremos dobrados de imensas maneiras, urdiremos dilemas semantúrgicos incomensuráveis, cartografamos interferências geodésicas, gaguejamos nas intersecções repulsadas, aconteceremos soberanamente no corpo hipnótico-jazzístico das medusas labirínticas, sim, o processo das RAIAS é uma ventilação obscura que perfura o colosso inamanipulável da língua, transformando-nos permanentemente num estrangeiro, FAZENDO do leitor-artista uma absorção da orfandade-nómada entre a aisthhésis cósmica e as forças enciclopédicas que são devires de micromovimentos incomensuráveis, são cartografias de afectos fora das extremidades corporais, são feixes de forças autopoiéticas que nos forçam a pensar na rasgadura do real, abrindo os olhares às transfronteiras do mundo, transvocalizando vozes, escutas, olhares para dizerem sim à insânia da VIDA!

RAIAS FAZ-NOS perspectivar singularmente o mundo ao redobrar o pensamento no MACARÉU que se desalinha no impensável, no “de-FORA”, sim, faz-nos mesclar, criando pontos de vista, mónadas intensivas, com as possibilidades criativas do mundo porque não comunicam, nem descrevem, nem informam, mas problematizam por meio das forças invisíveis dos signos que tornam vivas as sensações das aprendizagens onde os tempos se convergem a um só tempo por meio de afecções em decifração contínua: é uma correnteza de VIDA com infinitas variações ritmáveis-permutáveis que se apropriam do rodopiar das vozes dançantes, de todas as artes, de todas as ciências, de acasos dos encontros que retraçam os corpos, buscando o inacessível, fracturando a recognição dentro da instabilidade das superfícies multiformes( experimentações críticas se ligam abismadamente), sim, são sentidos lisos-sonoros, linhas do acontecimento que infinitizam metamorfoses, obscuridades incicatrizáveis das tonalidades da memória, do espanto, do drama, do transe, do êxtase, construindo tensões nos olhares-corporais com os labirintos imanentes da vida, com o nomadismo acústico, sedutor( desastre-regenerativo-das-travessias rasgadoras de bolhas, sentir as enciclopédias movediças e sem significações) assim, os itinerários são destruídos e reconstruidos com os jogos de escutas e de capturas das possibilidades de futuro, com as e-imigrações heterogéneas, com as esfinges moventes onde o magnetismo da estranheza reconstrói a cosmicidade mágica por meio da experimentação  estética do cântico do mundo, da experimentação do grito que nos transforma numa voz de muitas vozes( sempre nas RAIAS de todas as artes)

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O LEITOR das RAIAS nunca é um, mas é em si uma multidão em reviravolta, um incessante fluxo em espiral sempre acrescida de novas experimentações, de novos pensamentos; é um navegador musical das extremidades da língua, é feito de intensidades andarilhadas, de trapezistas das fracturas espélhicas do mundo, de sensibilidades desconhecidas, de infinitudes caleidoscópicas, de saltos semantúrgicos enfeitiçados pelo estilo dos alfabetos nómadas, pelo charme das transversalidades, das mestiçagens, que fazem do corpo uma ondulação repleta de devires. O seu corpo metamórfico se deforma em vizinhanças turbulentas, em fendas ininterruptas da tragicidade alegre, em descidas SISIFIANAS, em escavações medulares, em relações mutantes, sim, o LEITOR das RAIAS se trespassa e se impulsiona por meio de dobras variadas, de mosaicos resplandecentes porque o seu corpo se constituí entre campos magnéticos e os campos problemáticos de uma planície siberiana, concentrando-se e se expandindo simultaneamente ao ver o imperceptível, ao auscultar o insonoro, ao tactear o intocável, sim, um LEITOR escavador da língua dentro do silêncio do mundo, sentindo o mistério verbal, a transvocalidade da multidão metamórfica porque procura os acasos secretores de tempo, abre-se aos lances de dados por meio da estética da REDOBRA, de imagens delirantes! Ele faz da reacção das úlceras da língua um esboço cartográfico de conexões, de encontros contemplativos, de interferências, de contaminações em permanente desafio, faz da tatuagem da memória corporal um “cristal sonoro do tempo”, uma cartografia do tempo puro, uma navegação do inacabado, uma dança infinita feita de várias correntezas de signos onde o deslocamento das memórias-mundo, das memórias-futuração, das memórias vadias são já corpos mergulhados em galopes interrogativos, em personagens rítmicos, em sombras expressionistas-polimórficas, violentamente paradoxais, desviando gestos adentro do inesperado, instaurando o caos, multiplicando o caos, o entre-caos, sacudindo assombrações e activando simulacros entre traços selváticos-disjuntivos e desvios cronológicos!

O LEITOR DO RAIAS é um passado presentificado em direcção às possibilidades do futuro exaltado pelas forças intensivas do pensamento( eis, a cosmicidade bruxuleante, fabuladora que faz do nosso cérebro uma multidão semiótica do corpo-mundo, eis, o mundo desejante de um corpo-de-dicionários-vivos que experimenta outros corpos avassaladores, intensos, indomáveis, um corpo que transgeografa sensações, pontilha transfronteiras com o inexplorado e o estranho, enfrentando as decifrações em devir, porque o acto mais revolucionário e mais subversivo é o SENTIR como nos disse Ranciére)! COM as RAIAS sentimos o mundo expressivo onde o EU-realista e as histórias pessoais são evitadas para que tudo retorne, reemerja e estimule as afecções num complexo de possíveis porque o ritornelo desbrava o caos, mergulha em superfícies profundas, experimenta as partículas a-significantes, o pan-barroco dos tremores sensoriais, estamos dentro do espanto, da extrema lucidez que tangencia a fulguração epidérmica, as ressonâncias afectivas, os incomensuráveis desdobramentos dos ritmos IBERO AFRO AMERICANOS___ser atravessado por singularidades estéticas-fractais, sim, exigimos uma ESTÉTICA de VIDA porque a vitalidade do pensamento não está na representação, nem nas identidades, mas na fricção com o novo em relações variáveis, com aquilo que não existe, deixamo-nos afectar pelas superfícies turbilhonantes das RAIAS que nos atravessam, nos cruzam em todos os limites, compondo forças resistentes em diferenciação, intersectando e perfurando obstáculos porque sentem a complexidão do mundo, os ritmos germinativos, fazendo do acontecimento uma simbiose de policromias estéticas( INTENSA ritmicidade das cartografias do pensamento)

As RAIAS agenciam diferentes pensamentos, produz tempos diferentes, esculpem ontologicamente o tempo no caos, vibram em forças singulares, agem com várias potências do corpo, com várias potências da natureza, com várias potências da vida, com vários conflitos entre estas potências repletas de afectividades, sim, captam uma dispersão de vozes nos espaços não mensuráveis por meio da intensidade das expressões, dos devires imperceptíveis, dos campos problemáticos que atacam o pensamento e que nos forçam a pensar adentro da vertigem da aceleração e da retardança e perante o arrastamento de todas as relações-artistas num plano de imanência, ou seja, as transcodificações do mapa do mundo, do mapa cósmico regressam permanentemente ao corpo, colocando-o suspensivo, interrogante entre a expansão dos entrecruzamentos das vozes dos povos-acontecimentais e as lentidões-velozes-infinitas, transleitoras das rupturas do mundo( eliminar as forças reactivas do acontecimento com os esboços do geometral e do figural)

Esculpir-absorver-atravessar as RAIAS é pensar no escorregadiço, na política do impossível, nas alucinantes sombras, na fenda de um caos que caotiza e que nos transporta para grandezas movediças, destruidoras das normoses anestesiantes da vida. É a estética da redobra, em avalanche, é o resultado de todos os jogos de forças, dos mundos possíveis, das micropercepções inconscientes, das expressões envolvidas noutras expressões, dos espelhos quebrados da palavra que chamam a luz turbilhonante da matéria-olhante para despedaçar as suas extensões( quebrar os espelhos da rostificação), sim, RAIAS são olhares osciladores entre o perceptível e o imperceptível porque tenta extrair as qualidades intensivas das intersecções rizomáticas, arrancar possíveis acontecimentos, forçando-nos a abocanhar o desconhecido, a dizer o intraduzível, a torcer-espremer a língua, levando-a ao delírio, perante o excesso do mundo, sim, RAIAS nos fazem ver o que não pode ser visto. (relembrando J GIL)

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RAIAS vitalizou-nos a vida sem intencionalidades, confirmou-nos a vida fora das compensações, fez sobressair a sublimidade da vida entre possíveis releituras, pensamentos impensáveis, esponjas acósmicas, sim, faz de nós um ritmo da multiespécie intensificadora da vida! RAIAS criam, bosquejam, exploram os interstícios das cartografias imanentes do pensamento, entranham as traçaduras alegóricas, as tessituras epifânicas, geram gagueira nos aglomerados acontecimentais por meio de forças afectivas-vibráteis, desequilibrando as linguagens porque estão carregadas de disjunções, de diferenças embaralhadoras de códigos, de irrigações cósmicas, de intermezzos das forças primordiais, sim, são correntezas dionisíacas que arrastam o pensamento para o delírio-abdutor, para fora do hábito-linguístico através do ritmo criativo-sedutor da visageidade absoluta onde a vida não fala mas escuta o silêncio do mundo, aguarda as vozes-do-mundo perfuradoras do inconsciente!

RAIAS escrevem-se com todos os tempos simultaneamente, tudo converge num só tempo em quedas horizontais, expansivas, captando uma dispersão de vozes dobradas de infinitas maneiras, sim, RAIAS não rastreiam, escoltam os vaticinadores-dialécticos, nem os preceptores, nem comentaristas, nem os espaços sedentários do poder, nem as cartilhas do já-dito produtor de estrangulamentos: abrem-se ao mundo sem significações, são múltiplas potências de corpos-histéricos porque se desdobram diferentemente num saber órfico-monádico, num processo migratório-extremado, numa máquina de produzir experimentações alógicas: são ulcerações sígnicas do incorporal, forçando a linguagem ao seu limite recreativo! RAIAS surfam com todas as línguas, acompanham as vozes solitárias do mundo, acompanham uma voz estrangeira-ostracizada que perfurou o mundo com os riscos superiores da vida para deslizar na correnteza in-sonora dos corpos que se recortam metamorficamente por meio de forças espirituais impulsionadoras de instantes inventivos, assim, tornamo-nos num fragmento das várias línguas em dimensões fugitivas, não mensuráveis, enfrentando caminhos labirínticos, transversalidades, vizinhanças dos signos do indiscernível, porque ao navegarmos, mergulharmos no MAR-ALTO das RAIAS sentimos turbulências dos processos criativos, dançamos nas musicalidades simultâneas da crítica, somos inundados por rotas não trilhadas, ultrapassamos os reflexos do mundo, pressentimos a relação do colosso com a língua poética, com as artes como uma interrupção de um dizer insubordinado às verdades instituídas e preestabelecidas, sim, lançamo-nos na perturbação das tremendas visageidades, arrastamo-nos em todas as relações, questionamos interpretações, rupturamos formulações fundadas, fazemos do corpo o mapa molecularizado e imanente do mundo, o mapa cósmico das aprendizagens-inventivas e dos pontos de vista-pulsáteis!

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Por meio das RAIAS transformámo-nos numa esponja de decifrações sígnicas, sim, estamos no ACONTECIMENTO que absorve, capta, assimila, transforma as auscultações matéricas em música do mundo, faz coexistências de visibilidades intersticiais, refaz as multidimensionalidades activas, refaz o mapa cósmico, mostra suas forças afectivas nos campos problemáticos que atacaram e atacam permanentemente o pensamento e nos forçam a pensar e a navegar no acaso onde o infinito se adentra, sim, RAIAS faz-nos esperar respostas impossíveis nas imagens em movimento, é um animal da estética do impossível, é a expressão das expressões, expressão viva, voltada para si e sobre si devorando mundos sem instrumentos designativos, colocando o leitor-artista fora de si num movimento suspensivo, interrogante adentro da vertigem da aceleração e do retardamento( horizonte chegante de partículas abstractas): estamos perante a expansão dos entrecruzamentos das vozes dos povos-por-acontecer que traduzem os arquipélagos moventes do mundo, absorvem o estilhaçamento do mundo e nos arremessa para o abismo do silêncio do mundo, multiplicando as matrizes dos olhares porque nunca asseveram o cristal absoluto, nunca se materializam diametralmente, nunca se fecham na completude, não assoalham e não camuflam, transbordam fronteiras, ALVOS, vivem na e da imanência, provocam o ressurgimento de uma LÍNGUA-NÓMADA por meio de interrupções, de fluxos pervagadores de outros fluxos, de aberturas-do-caos-irisado que deixam vazar permanentemente o mundo( afirmação da metamorfose intensiva).

Entre as dobras de pensamento realizámos TRANSLEITURAS-metamórficas, transcodificando e improvisando as cartografias-do-poema com novos campos de experimentação CIBRIDA-olhante-anorgânica-alógica-musical-intertextual( ritmos ondulatórios em transformação contínua): urgente deixarmo-nos afectar pelos movimentos imprevisíveis das linguagens verbais e não verbais, buscando a imperceptibilidade dos estilhaçamentos das fissuras semânturgicas, a inacessibilidade vertiginosa, as contracturas sinestésicas nas desecritas dançantes do pensamento, na intensidade das simultaneidades indetermináveis, nas permutações esfíngicas, nas margens eruptivas-problematizadas, nas flexibilidades sinergéticas do texto-intensificado que se desdobra em desterritorializações indecifráveis( interpenetração dos instantes): deslizamentos dos sentidos-phaneroscópicos, redobras das sensações, potência dos desregramentos criativos, singularidades e multiplicidades de uma língua sem tempo, uma língua errante, uma língua de gestações insondáveis, uma língua de superfícies multiformes, transformadora e destruidora de itinerários. TRANSLER concomitantemente com os curto-circuitos das sensações dentro das im-possibilidades e das distribuições nómadas-ondulatórias do inesperável: não reler sobre a vida mas sim viver a arte regeneradora da vida adentro de planos de imanência( romper passadismos com aventuras existenciais): produzir riscos sedutores, romper com o senso-comum, dilacerar o sedentarismo reinante das leituras pré-concebidas, nutrir as forças do difícil ecoante e da afectuosidade emancipadora do animal-texto-ritmável que nos leva para a incerteza ininterrupta, para o inclassificável, para o fazer-pensar ético-estético, eliminando as normoses, a padronização, os determinismos, a logicização: vejam, o desassossego crítico-criativo num tempo sem datas, nos silêncios tipográficos-cibernéticos que carregam os rumores do insondado sem saída nem chegada, reinaugurando a vertigem sacralizadora-fertilizadora do olhar perdido do-no mundo, sim, a vastidão do inabordável traçará novos planos de infinitas imagens expansivas, embaralhando códigos com composições multivocálicas, com transfigurações em falha heteronímica: são acelerações dos devires onde a fractura inumana-do-humano-animalizante-multiespécie esculpe suas e-imigrações-hápticas entre as incisuras espectrais-polinervadas, as transduções heterogéneas repletas de estímulos e fluxos intermináveis: sedução da errância permanente adentro de um alfabeto a-gramatical descaracterizador das geografias poemáticas: experimentar o espanto do isocronismo da catástrofe-regeneração-polirrítmica do corpo-texto como acontecimento e multiplicidade de outros corpos-textos: plasticidade intervisual nas performances turbilhonantes onde as encruzilhadas do irrepresentável impulsionam descentramentos nas desleituras, nas zonas desfocadoras de olhares que jamais alcançarão a visibilidade completa: são polimorfias pré-semióticas-piroclásticas-lávicas sem coordenadas, são caixas de ressonâncias fora dos limites da inteligibilidade, sim, TRANSLER com o grau máximo de lucidez metacorporificada: projectar fragmentos estranhos, vazadores de geometrais em transformação de formas variáveis: vozes anamórficas entre ex-criptas inobjectiváveis, fragmentos múltiplos e flutuações labirínticas: teceduras e magnetizações das lacunas onde os poemas se reconstroem para além das RAIAS: corpo-leitor-algorítmico-arquimediano, recuperando as forças estéticas-incorpóreas do mundo com  os entrelaçamentos impensados-paradoxais do texto porque as transformações são vertiginosas no ritmo de serendipitias cibernéticas, de ressemantizações, transpoesias, de progressões geométricas-aritméticas, de matemáticas combinatórias, de sinergias-labirínticas de barbarismos informáticos, máquina-homem, capitalismos selvagens, hipertextualidades, fragmentações, atractores estranhos, fractalizações, interfaces, esferizações, anamorfoses, translações dimensionais, simultaneidades, ubiquidades, virtualizações, dobraduras, molabilidades, redes intersemióticas, abismos neurológicos, algoritmos, velocidades-lentas hibridizações, experimentações da impossibilidade, de errâncias que abrem o corpo-crítico ao mundo, ao reactualizarem o passado por meio do presente em direcção às metamorfoses futuríveis, às línguas gaguejadas que vazam o mundo, sim, a perplexidade relacional das derivas sígnicas e a-sígnicas, das ressonâncias verbalizantes e não verbalizantes, buscam romper exactidões organizadas por meio de alfabetos escorregadios, de forças alvéolares, das escarificações, das multiplicações do caos, de línguas sem pátria em variações infinitesimais: é o nomadismo singularmente múltiplo e de extrema lucidez que faz das RAIAS UMA FORÇA de pluralização de sentidos que nos fazem sair ininterruptamente das trilhas, dos eixos para capturar, reaver-mundo nos lances do acaso, resistindo a qualquer tipo de poder.

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O pensamento, como o frevo e o maracatu, não comporta centro nem unidade, não convida, arrasta-nos, transportam-nos para o mundo-dos-mundos da razão ardente afectada por diferentes formas de vida, pelas línguas dançantes. Entre semióticas mutantes em holomovimento, temos a urgência de reinventar novos conceitos, novas visões ondulatórias, novas dobraduras que nos desviam e nos situam simultaneamente no mundo dos mundos, sim, sentiremos a fascinação do abismo do futuro, a transposição do tempo puro, do tempo sem movimento, tentaremos plantar rosas na barbárie e na loucura, a loucura que diz sim à vida, libertando-nos do encarceramento, do normativo, do tautológico.

As RAIAS capturam as transgeografias afectivas, os desvios do tempo-larvar, as fendas ultrapassadoras de consciências, as aprendizagens inventivas dos curto-circuitos das sensações que nos perfuram, nos atravessam durante o processo de escrever e ler simultaneamente. Não escrever sobre a vida, mas sim, viver a arte da vida, adentro de planos de imanência, produzindo riscos sedutores, criando concomitantemente reaparições, retornos, recomeços, fugas acopladas em zonas desfocantes, em ritmos das entrepausas da visão do não-vivido-vivido, dos arrancos dionisíacos: é na plasticidade de golpes topológicos que sentiremos a avalanche das composições éticas-estéticas por meio de falas in-decifráveis e de contra-significações, intercalando memórias-mundo com as cartografias vazadoras de múltiplas ressonâncias intervalares do que-há-de-vir: aqui-agora, rasgaremos o sedentarismo reinante, nutriremos as forças das expressões de um dizer-desdizente, emancipador de vida que nos leva para a interrogação contínua, para o inclassificável, para o saber órfão, nómada, rascunhado, transposto por desertos eliminadores de “interpretoses classificadoras” porque não há literatura, há escritas trespassadas, escarificadas com todos os tempos que convergem num só tempo, há partituras de ritornelos, bifurcações fundidoras de contrários, há excriptas, ex-critas que produzem lugares nos intervalos do tempo, deslizam intensamente na correnteza das renascenças, espiraladas, suspensas onde os corpos-hápticos entre coexistências de visibilidades intersticiais, de multidimensionalidades activas se recortam metamorficamente, refazendo o mapa cósmico, o vaivém indeterminado das palavras, sim, urgente pensar em risco, intensificar o desejo, questionar as interpretações, abalar o mundo sensível, destruir as anestesias dos sentidos, os determinismos por meio de uma miríade de ressonâncias afectivas sem percepções objectivas, sem metas nem chegamentos, porque todo o pensamento tem que provocar crise nos sistemas teóricos, nos esquemas sensório-motores, sim, misturar fronteiras estéticas, campos problemáticos, atravessar heterogeneidades imanentes, transvocalizações do mundo, vizindades das incomensuráveis adivinhações fundidoras da matéria-espiritual, zonas movíveis combinam fluxos desterritorializados com potências afirmativas da transmutação para evitar que a consciência tome conta!

Espaços fragmentários, estriados-lisos, geradores de laços vivos de forças acontecimentais, de deslocamentos paradoxais desmoronam hierarquias, representações totalizadoras porque as metamorfoses intensivas,  envolvem fulgurantemente as potências responsáveis pelo pensamento rupturador, ultrapassador de razões puras, de essencialismos, subvertendo as identidades, seduzindo as ruínas da língua materna, sim, quem somos nós adentro das multiplicidades do inesperado, da imprevisibilidade  e o que somos nós no jogo de espelhos trans-históricos, nas fendas de experimentações estéticas-éticas?

PENSAR-RAIAS é sentirmos o extremo, o infinito em cada perspectiva que cria multiperceptividade perfuradas, intermitentes. Para isso temos que nos escutar entre jogos-Thaumazein e partículas a-significantes! RAIAS são movimentos de extrema vitalidade, são ritmos nervosos intensíssimos, rasgadores do empírico, do percepcionado, do experimentado para que possamos entrever, visionar novas possibilidades de existência!

O signo-RAIAS compõe relações de forças, joga dados, povoa o invisível, presentifica o mundo antes do seu surgimento, faz reaparecer inexistências numa coreografia de forças que potencializam os afectos nos movimentos da sua des-aparição, sim, é uma relação corpo a corpo com as forças desidentificadoras do mundo: substituir a interpretação significativa pela experimentação de forças que roubam o acaso adentrando-se na inquietação do real, nas germinações dos sentidos, nas invaginações topológicas, nos ricochetes do tempo puro que fazem das quedas, das distâncias, das elevações-hápticas, danças de solos indecifráveis, assintaxias perfuradoras das vozes que se arremessam contra os gritos da matéria musicada pelas forças espirituais: religar a lógica das sensações com a vocação sintomatológica e a irrigação cósmica-verbal-geodésica!

RAIAS são RESISTENTES obliquidades sensórias, tecelagens esfiadas,  polimorfias da percepção imperceptível, das presenças fugidias, das correntezas abismadas, dos paradoxos repletos de coexistências, tentando desvelar o invisível no visível entre hemorragias semióticas e as intermitências dos vazios onde objecto e sujeito se destronam num mundo fabular, sim, RAIAS resistem à morte, resistem a tudo que impulsiona a morte, sim, o ARTISTA-RAIAS dá voz às intensidades que retornam por meio da recriação ética-estética onde cada perspectiva é atravessada por vidas singularmente absolutas!

SENTIR RAIAS é experimentar transversalmente, compulsivamente, impulsivamente as golpeaduras do caos, sim, é problematizar por meio de forças de signos avassaladores, de variações histéricas-afectivas que nos forçam a sentir a diferença tangenciadora do infinito, a heterogeneidade ritmável, conquistadora, criadora, resistindo, RE-existindo e construindo novos afectos imprevisíveis, assim, cartografámos o tempo das indiscernibilidades e de indecifrabilidades que excedem nossos espaços sensório-motores, FORTALECENDO o criativo porque nos faz abrir e nos afectar amplamente pelas forças intensivas do mundo( recomeçar perpetuamente no irrecomeçável, assimilar as tessituras do interior do corpo por meio de monadologias do animal órfico de infinitas tonalidades).

É URGENTE retirar o corpo dos sistemas fechados, dos modelos encarceradores, do “civilizatório tirocínio” que avança tresloucadamente, calculisticamnete ao serviço da razão determinista, da consciência sentenciadora, das classificações, das formas! HAJA RAIAS, haja cartografias intempestivas, turbulentas, plissadas, labirínticas,  ANORGÁNICAS____ANDAR-NAS-RAIAS, no intermezzo, no entre-dois: tornar visível o invisível, tornar audível o imperceptível, tornar dizível o indizível, o intraduzível! Haja cirandas estéticas-éticas-hápticas! Haja potências de pensamento e potências do impensado! Haja intensidades, experimentações e acontecimentos críticos! Haja paradoxalidades, contágios-fluxos das diferenças, alegria dos encontros, composições afectivas! Haja tempo puro, conexões-desejantes, dobras aberrantes, heterogeneidades! Haja línguas analfabetas-agramaticais e antropologicamente abertas! Haja inconsciências, afectologias, complexidades, problematizações, transgeografias, cartografias afectivas! Haja sensações, coexistências de loucuras que dizem SIM à vida! Haja forças singulares, alógicas, aformais: haja corpos indomáveis! Haja devires, espaços lisos e processos migradores. É urgente perdermo-nos nos lances do acaso!

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Imagem em destaque: José António Passos.

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Outras imagens: Josefina de Candia, Urândia Aragão, José António Passos, José António Passos, Timothy Hawkesworth, José António Passos, Stephen K, Cory Poole, José António Passos e Emma Lindsröm.

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Luís Serguilha

Excriptou 14 livros de poesia e ensaio. Participou em encontros internacionais de arte e literatura. Seus processos criativos têm sido objecto de estudo, de crítica e ensaio por parte de académicos, críticos, poetas, pensadores, artistas, escritores de Língua ibero-afro-americana . Possui textos publicados em diversas revistas de literatura e arte. Alguns dos seus textos foram traduzidos para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão e catalão. Criador da estética do LAHARSISMO. Pesquisador da Poesia Brasileira Actual. É Curador do RAIAS-POÉTICAS: Afluentes IBERO-AFRO-AMERICANOS de ARTE e PENSAMENTO. Nos últimos anos fez conferências, palestras, conversações em várias universidades ibero-americanas focando as problemáticas do corpo, da arte, da literatura e do pensamento!

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