Tiago Granja

Animais de estimação | “É quase humano!”

Animais de estimação | “É quase humano!”

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Diana adora animais. Talvez por isso ame tanto o seu cão. Simples e vegetariana vê no seu “mais que tudo” o símbolo vivo da sua luta contra a indústria da carne. Yoga, natureza e música Zen constroem o seu melhor cenário de vida.

“Zeca” é o nome do bicho que dá azo a tantas a confusões engraçadas nos seus longos passeios de domingo com os seus amigos. Ser lambida pelo Zeca em público é um ato de liberdade e de ternura. E tantas vezes incompreendido pelo seu namorado. Foi numa manifestação contra a exploração dos animais que se conheceram. Um amor à primeira manifestação. Dizem.

O Zeca adora humanos. Sempre viveu e dependeu deles. A sua coleira, estranhou-a de início; e agora não pode passar sem ela. É feita de restos mortais de uma vaca, mas dizem que é o que há de melhor. A sua prisão domiciliária passou, com o tempo e a habituação, a chamar-se lar. Só muito raramente lhe é permitido conviver com outros da sua espécie. A última vez foi para praticar sexo ao vivo e reproduzir cachorros de raça superior e com valor de mercado relevante. Depois disso retiraram-lhe os testículos. Era para ser uma vasectomia mas havia uma promoção no veterinário nesse dia. Faz as suas necessidades numa caixa de areia, caso contrário esfregam-lhe lá o focinho e reprimem-no. O “dá a pata” e o “passeio acorrentado” são os jogos de submissão mais queridos pela sua senhora. O momento do dia é quando lhe é permitido comer cadáveres de outros animais misturados com transgénicos e químicos. Desde pequeno que lhe injetam coisas no corpo através de agulhas. A última foi uma cápsula eletrónica no pescoço, um género de livrete ou caderneta predial.

É quase humano.

 

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Categorias: Sociedade

Acerca do Autor

Tiago Granja

Em Famalicão foi vencedor absoluto da primeira corrida de espermatozóides em que participou nos idos anos 70. Desde cedo se interessou pela respiração do mundo e das coisas. Trabalha no financiamento da vida alheia e adora música ao ponto de compor e tudo. "Amestrou-se" em estratégia empresarial e tem um MBA porque é bem e dá-lhe jeito. Gosta de questionar o inquestionável. Não gosta de mau sushi. A espiritualidade e a filosofia perseguem-no. A sua pergunta preferida é : Qual a origem da inteligência?

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