Music Hall | Typical Me lançam The Way, o primeiro EP, e deixam boas indicações sobre os caminhos a seguir

Music Hall | Typical Me lançam The Way, o primeiro EP, e deixam boas indicações sobre os caminhos a seguir

A banda famalicense Typical Me acaba de trazer a público neste mês de abril o seu EP The way. Com um título que incorpora o seu quê de simbólico, este pretende dar a conhecer o seu som e o seu trabalho. Constituído por 4 faixas: Climax, Uncertainty, Lift Me e Thinkin’ About You, a estreia dos Typical Me, quinteto constituído por Aury Santos, Adriana Torres, Ricardo Azevedo, Filipe Ferreira e João Pedro Martins, soa fresca e agradável, apesar de recuperar ou ter na sua base sons da música negra dos anos ’70, ’80 e ’90. Os Typical Me estão aí e prontos a ser escutados.

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The Way é um disco que resulta fácil de ouvir. E digo fácil porque da sua audição resulta prazer na escuta repetida. Ouvi-o uma boa meia dúzia de vezes, consecutivamente, e sei que voltarei a ouvir em breve, mas também, com boa dose de probabilidade, mais à frente. Hoje em dia há imensa música disponível, tanta que nem a conseguimos absorver. O som de The Way consegue diferenciar-se do de muitos outros discos. Sente-se que ainda há ali bastante a apurar, mas envolve e balança quem o escuta.

Os Typical Me estão aí para se divertirem a fazer o que mais gostam: criar e tocar música para ser ouvida em qualquer estação do ano, música que veio para ficar no ouvido e que, embora permita vir a apresentar as suas variações, se possa ouvir sem cansar.

A banda nasceu, no ano passado, da conjugação de ideias e esforços de Aury Santos, jovem músico percussionista de Riba d’Ave, e Adriana Torres, vocalista de Vila das Aves, mas aresidente no Porto. Recorda Aury: “No início tínhamos apenas voz e percussão, mas  rapidamente percebemos que precisávamos de instrumentação que favorecesse alguma harmonia suplementar.”

Aury e Adriana decidiram então começar por procurar um teclista. “Conhecemos o Ricardo Azevedo e, logo após a primeira audição, começámos de imediato a trabalhar em conjunto.” Apesar disso, os jovens músicos, continuaram a sentir necessidade de alargar a sonoridade da banda, pelo que chamaram um baixista para integrar o projeto. “Como já conhecíamos o trabalho do Filipe Ferreira, convidámo-lo e ele aceitou.” Mas a banda ainda se encontrava incompleta e a procura de um som mais denso continuou: “Sentia-se a falta de uma guitarra. O João Pedro Martins veio ensaiar connosco e o quinteto ficou finalmente formado.”

Aury Santos prossegue, descontraído, fazendo a ainda breve história dos Typical Me: “Riba d’Ave tem sido, desde o início, o nosso ponto de encontro. É aqui que ensaiamos, apesar de um dos elementos ser do Porto e outro de Braga”; os restantes são de Joane, o João Pedro, e Guimarães, o Ricardo, ali bem mais perto.

“As nossas influências – sentem-se bem nas músicas dadas a conhecer no disco – são maioritariamente a música soul, o r&b, o funk e o neo-soul.” Aury Santos vive a música de forma intensa. Continua a comprar discos (físicos), como se fazia antigamente, e a colecioná-los: “Nas nossas colecções, temos CD de vários artistas que são fonte de inspiração para a sonoridade da banda, desde a Erykah Badu, Jil Scott, The Roots, Lauryn Hill, D’Angelo, e tantos outros, passando por grandes nomes da música, como o Stevie Wonder e o Ray Charles.”

Da mesma forma que acontece com tantos outros, todos os músicos dos Typical Me iniciaram os seus percursos musicais como músicos autodidatas.  No entanto, todos eles, conforme foram prosseguindo o seu caminho nesta atividade, procuraram obter formação musical, uns pela via clássica e outros pela via do jazz. Hoje em dia, explica Aury, “cada membro da banda está envolvido em diversos outros projetos musicais”, pelo que não existe uma dedicação exclusiva à banda, o que também mostra a sua faceta eclética e permite a cada um deles aprofundar a sua experiência musical.

O som final, aveludado e denso, resulta de uma “interação entre os músicos dos Typical Me que é diferenciada caso a caso”, continua Aury. “Mas a composição final resulta sempre de um trabalho conjunto. Às vezes começamos um tema com uma ideia que alguém trouxe de casa, outras vezes trabalhamos a partir de ideias que surgiram em jams que fazemos no início de cada ensaio. Gravamos todas as ideias e depois decidimos o que explorar.”

Aos poucos, o resultado foi-se consolidando e os temas foram ficando prontos. “Começamos, então, a pensar em gravar.” Aury Santos já conhecia o estúdio do vimaranense Pedro Mouga, experimentado produtor – entre outros trabalhou com Mário Laginha e diversas orquestras sinfónicas, mas também com o muito popular Zé Amaro – do SPL –  Estúdio de Gravação, bastante popular entre o meio musical por conseguir fazer ressaltar a essência dos músicos com quem trabalha. “Decidimos trabalhar com ele. Foi um processo que nos deu muito gozo. Estávamos a trabalhar com o profissional que queríamos, no qual confiávamos, e sentimo-nos bastante à vontade durante as gravações.” Pedro Mouga, produtor musical há mais de 20 anos, habituado a produzir e gravar todos os géneros de música, confirma: “Já tinha tido o prazer de trabalhar com o Aury em várias outras ocasiões. Mais recentemente tem trabalhado no meu estúdio como percussionista na produção de temas para vários artistas.”

Sobre o processo de gravação do EP The Way, Pedro Mouga, sorrindo, refere que este se desenvolveu “de uma forma muito natural e sem pressões. Desde o início, propusemo-nos gravar a banda a tocar em simultâneo, o que embora exija mais dos músicos, pois não podem falhar para obtermos o take perfeito, torna o resultado final mais humano e orgânico.” Pedro Mouga salienta essa sonoridade live por terem tocado todos juntos. Foi propositada a sonoridade final de conjunto que deixa a sensação de “estarmos a assistir a um ensaio da banda sem grandes truques de estúdio.”

O produtor do SPL deixa boas referências sobre a banda, ao considerar que ter “ótimas expectativas, pois apesar de os Typical Me serem um projeto recente, ainda em fase de evolução e coesão, apresenta já uma qualidade acima da média e uma sonoridade própria, o que é fundamental para qualquer projeto musical” referindo contar acompanhá-los”nas novas produções que venham pela frente.”

Pedro Mouga conclui considerando que o mais interessante neste grupo “são as personalidades tão diferentes de cada um dos elementos a cumplicidade que, apesar desse facto, existe entre todos”, esperando que se mantenha de modo a permitir um futuro radioso para a banda.

Em relação à importância da imagem, inclusive gráfica e visual em videoclips e/ou concertos, Aury Santos refere que, “no panorama actual, a banda acredita ser muito importante não só a parte musical, mas também a parte visual, daí ter surgido a decisão de gravar vídeos.” Com esse objetivo em mente, os Typical Me contactaram vários profissionais, tendo escolhido, para o efeito, Pedro Zimann e Dalila Dano, “decisão na qual estamos muito orgulhosos, pois adoramos o seu trabalho. O artwork do EP foi desenvolvido pela Francisca Rodrigues, uma designer que a Adriana já conhecia e que aceitou fazer esse trabalho com todo o gosto.” Assim, a banda partilhou com Francisca Rodrigues a sua visão sobre o projeto: “Ficamos muito contentes com o produto final. Achamos que a essência da banda foi muito bem capturada.”

Os Typical Me têm um passado ainda curto e vivem o presente com a naturalidade própria de quem tem expectativas positivas sobre o futuro. As perspetivas mais imediatas são, por isso, “continuarmos a compor”, revela Aury. “Esperamos, eventualmente, gravar um álbum com mais temas” um pouco mais à frente. “Até lá queremos tocar e partilhar o nosso trabalho com as pessoas. Para nós, o trabalho de palco é muito importante.”

O lançamento do EP The Way aconteceu por estes dias. Revela Aury Santos: “À medida que as coisas foram ficando prontas, começamos a pensar na criação de páginas para o Facebook e Instagram e em quais seriam as melhores formas de divulgar os nossos conteúdos.” Passo a passo, tudo foi evoluindo com naturalidade. Em finais de março passado, a banda sentiu já estar preparada para partilhar com as pessoas o que tinha vindo a fazer.  Por isso, se iniciou em abril a sua divulgação pública. “Estamos muito felizes com o feedback positivo que recebemos em tão pouco tempo.” Os Typical Me estão, também, “presentes na plataforma Youtube onde, de momento, estamos a partilhar os vídeos da gravação do EP em formato Live Session”, assim dando a conhecer a um público mais alargado o trabalho realizado.

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O EP The Way, dos Typical Me, encontra-se disponível em diversas plataformas digitais, onde as músicas podem ser escutadas, descarregadas e/ou compradas, entre as quais  Spotify, iTunes,  GooglePlay, Soundcloud, Bandcamp e Amazon, cujas ligações seguem adiante:

Spotify

iTunes

GooglePlay

Soundcloud

Bandcamp

Amazon

Deezer

Tidal

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Imagem de destaque: The Way (capa – detalhe) do primeiro EP dos Typical Me (trabalho gráfico de Francisca Rodrigues).

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Outras imagens: Pedro Zimann.

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Costa

Diretor e editor.

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