26 a 28/3 | Sementes de Esperança. Ciclo de Cinema da Semana Santa de Famalicão

26 a 28/3 | Sementes de Esperança. Ciclo de Cinema da Semana Santa de Famalicão

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No âmbito da programação cultural associada à programação religiosa da Semana Santa de Vila Nova de Famalicão, a Confraria das Santas Chagas de Santo Adrião, organizadora deste evento religioso, incluiu um ciclo de cinema, intitulado Sementes de Esperança, organizado em colaboração com a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

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Assim, foram escolhidos três filmes de grande valor temático e que propõem um outro olhar sobre o mundo e a vida; com ESPERANÇA. Como afirma o poeta Chileno Pablo Neruda, citado na documentação de divulgação deste ciclo: “A esperança é o novo dia, a extirpação da imobilidade, a sacudidela duma prostração negativa.”.

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Programação

26 de Março, 21h30: Le Havre, de Aki Kaurismäki (2011, 93 min), M/12

Vila Nova Online | Sementes de Esperança .. Le Havre, de Aki KaurismakiLe Havre foi considerado o melhor filme europeu de 2011 pela Signis – Associação Católica Mundial para a Comunicação. O problema da migração é aqui colocado pelo realizador finlandês, sob forte olhar críitico, como sendo passível de soluções desde que os homens tenham, ou sejam de, boa vontade.

Le Havre arrecadou diversos prémios, em diferentes festivais, nas categorias de melhor filme, melhor realizador e melhor argumento, entre outros e chegou mesmo a ser nomeado para os Oscares.

Cansado da sua pouca sorte como escritor, Marcel Marx (André Wilms) deixa a sua vida para trás e parte com a mulher Arletty (Kati Outinen) para Le Havre, uma pequena cidade portuária da Normandia, França. Ali, num recomeço incomum, ele torna-se engraxador de sapatos, algo que faz alegremente e sem perder o optimismo nem a dignidade que lhe é característica. É então que conhece Idrissa (Blondin Miguel), uma criança africana refugiada, que planeia chegar a Londres, onde encontrará a família. Sem saber o que fazer àquela criança, decide levá-la consigo para casa e tornar-se seu protetor. Porém, mesmo contra o cinismo da sociedade, dos problemas que acabam por surgir com a polícia e da doença que ameaça a vida de Arletty, ele não desiste da sua luta por um mundo melhor.

Realizado pela finlandês Aki Kaurismäki e estreado na última edição do festival de Cannes, onde foi aplaudido pelo público e pela crítica, “Le Havre” ganhou o Fipresci – Prémio da Crítica Internacional e o Prémio Louis Delluc, um dos mais prestigiantes galardões franceses.

Segundo Vasco Câmara, do Público, em Le Havre, “Aki diz que não tem respostas para a “crise financeira, política e sobretudo moral que originou a sempre por resolver questão dos refugiados” na Europa. Le Havre não é filme de respostas e é seco como um carapau se se procura discussão de “tema do dia”. Mas fala-nos de outras maneiras e por todos os lados, apesar de ser quase sempre mudo, e sempre para nos dizer que o mundo é feito ao contrário daquilo que o filme mostra, com os silêncios, com as cores e com os cenários e não só com os (poucos) diálogos dos actores.”

Obs: O filme foi previamente programado pelo CineClube de Joane em 21.06.2012.

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27 de Março: Fátima, de João Canijo (2017, 150 min), M/12

Vila Nova Online | Sementes de Esperança .. Fátima, de João canijoNo início de Maio de 2016, um grupo de 11 mulheres – composto pelas atrizes Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Vera Barreto, Teresa Madruga, Ana Bustorff, Teresa Tavares, Alexandra Rosa, Íris Macedo, Sara Norte e Márcia Breia – parte de Vinhais, em Trás-os-Montes, em peregrinação a Fátima. Durante nove dias, e ao longo de quatrocentos quilómetros, fazem o seu caminho individual, superando as adversidades com estoicismo, coragem e fé.

Com realização de João Canijo – “Ganhar a Vida” (2001), “Noite Escura” (2004), “Mal Nascida” (2007), “Fantasia Lusitana” (2010), “Sangue do Meu Sangue” (2011) ou “É o Amor” (2012) –, um “road movie” semidocumental que tem como pano de fundo a relação entre mulheres e que tenta refletir sobre as “coisas extremas que se podem fazer por necessidade de fé”. Segundo o realizador, o projeto iniciou-se com “um texto que foi construído ao longo de dois anos, porque as atrizes fizeram peregrinações reais que documentaram. E foi a partir dessa informação, dos incidentes e dos acidentes das várias peregrinações, que se chegou ao guião do filme”, conta. Canijo explica também que “as atrizes estiveram em Vinhais para serem de Vinhais. As suas personagens têm vidas que elas viveram em Vinhais.”

João Lopes, do Diário de Notícias, afirmaria sobre Fátima que, ,”mesmo considerando que os resultados ficam aquém dos resultados da experiência anterior, não há dúvida que este Fátima ilustra uma singularíssima via criativa na paisagem do atual cinema português. Podemos, talvez, defini-la como um exercício a meio caminho entre a carnalidade do drama e o didatismo do retrato sociológico. A conjuntura religiosa em que ocorre[u] o lançamento do filme apenas reforça a importância dos seus temas.”

Por outro lado, Luís Mendonça, em À pala de Walsh, afirmaria: “Não há imagens em Fátima, apenas um preenchimento de tempos com cenas de exasperação e gritaria dignas de um reality show. Passamos assim de uma proposta desafiante de negociação entre estetismo e realismo – dos filmes anteriores do cineasta, salvo o premonitório É o Amor – para uma linguagem paratelevisiva, algures entre a reportagem, o sociodrama e o reality show, que tem Fátima como objecto.”

Obs: O filme foi previamente programado pelo CineClube de Joane em 22.06.2017.

 

28 de Março: Minha Alma Por Ti Liberta, de François Dupeyron (2013, 120 min), M/12

Vila Nova Online | Sementes de Esperança .. Minha Alma Por Ti Liberta, de François DupeyronQuando a mãe de Frédi morreu, legou-lhe um dom: o de curar outras pessoas usando nada mais do que as suas mãos. Mas ele está longe de se rever no papel de curandeiro. Preferia levar a existência simples de um homem normal e trabalhador, de preferência ao volante da sua moto. No entanto, vive num dilema, porque também quer honrar a memória da mãe e não lhe parece correco desperdiçar aquele imenso poder de ajudar o próximo. Uma sucessão de acontecimentos vai fazê-lo perceber que não tem alternativa senão abraçar a sua condição. E é esse mesmo processo de aprendizagem e autodescoberta que vai levá-lo à cura dos seus próprios males.

Protagonizado por Grégory Gadebois – interpretação que lhe valeu a nomeação para o César de Melhor Ator –, um filme dramático escrito e dirigido pelo francês François Dupeyron (“La Chambre des Officiers”, “O Sr. Ibrahim e as Flores do Corão”).

Marie-Noël Tranchant, do Le Figaro, disse sobre este filme que o mesmo “se assemelha ao seu título, na sua construção instável, na sua inversão rara, na sua maneira estranha de flutuar no ar, como um fragmento de música, um vestígio de um poema. (…) É necessário segui-lo e confiar nele sem saber exatamente onde se está ou o que pode acontecer.”

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A entrada nas várias sessões, a acontecerem na Casa das Artes, é livre.

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Ligações:

Le Havre, de Aki Kaurismaki – trailer

Fátima, de João Canijo – trailer

Minha Alma Por Ti Liberta, de François Dupeyron – trailer

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Imagem de destaque: Rita Blanco tem o principal papel em Fátima, de João Canijo.

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Outras imagens: Capas ou cartazes dos filmes do Ciclo Sementes de Esperança.

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Categorias: Agenda

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Costa

Diretor e editor.

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