Avifauna do Parque da Devesa | Corvo-marinho-comum ou Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)

Avifauna do Parque da Devesa | Corvo-marinho-comum ou Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)

Empoleirado no ramo de uma árvore, exibindo o brilho colorido das suas penas, mergulhando demoradamente nas águas do lago, pescando o seu alimento, ou sobrevoando o Parque da Devesa, mostrando toda a sua imponência, o Corvo-marinho-comum ou Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo) proporciona aos observadores momentos de apreciável beleza.

Avifauna da Devesa | António Cruz - Vila Nova --- Corvo-marinho-comum (Phalacrocorax carbo), macho, em plumagem nupcial, no Parque da Devesa.

Corvo-marinho-comum (Phalacrocorax carbo), macho, em plumagem nupcial,
no Parque da Devesa.

Esta ave aquática é uma exímia pescadora, ao ponto de, no passado, alguns pescadores humanos a terem como uma concorrente e, por conseguinte, a perseguirem quase até à sua extinção em alguns locais. Tal situação foi invertida após terem sido desenvolvidos esforços no sentido da sua preservação.

Se umas pessoas veem os Corvos-marinhos-comuns como ameaças para as suas atividades, outras vêem-nos como oportunidades.

Na verdade, fazem jus ao ditado popular que diz “se não os podes vencer, junta-te a eles”, recorrendo no entanto a uma prática pouco consensual.

Em alguns países, nomeadamente no Japão e na China, o Corvo-marinho-comum é utilizado pelo ser humano para efetuar pescarias.

No Japão, no Rio Nagara, é praticado um tipo de pesca ancestral, o Ukai, em que os Corvos-marinhos-comuns, com um cordel apertado ao pescoço e atados a um fio seguro pelos mestres, são lançados à água para efetuarem mergulhos e capturarem os peixes.

Também na República Popular da China, na região autónoma Zhuang de Guangxi, os pescadores treinam os Corvos-marinhos-comuns para pescarem no Rio Li, utilizando uma técnica semelhante à dos japoneses.

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Corvo-marinho-comum (Phalacrocorax carbo), sobrevoando o Parque da Devesa.

Identidade

O seu nome científico é “Phalacrocorax carbo” e pertence à família “Phalacrocoracidae”, da ordem dos “Suliformes”.

Em Portugal, como em outros países da Europa, África, Ásia e Nova Zelândia, por onde a espécie se encontra distribuída, o seu estatuto de conservação é considerado “pouco preocupante”, apesar de ter como predadores, dos ovos e das crias, as gaivotas, as águias, os corvos e as raposas.

Características

O Corvo-marinho-comum é uma ave de médio a grande porte, com 77 a 94 cm de comprimento e envergadura de asas entre 121 a 149 cm. Os machos são visivelmente maiores e mais pesados do que as fêmeas.

Possuem um pescoço comprido e grosso, bico forte, amarelo na base e cinzento no restante, ligeiramente curvado na ponta, faces brancas, cauda comprida e patas curtas, com quatro dedos ligados por membrana interdigital.

Os olhos parecem pérolas de cor verde-esmeralda.

A plumagem dos adultos é preta, mas, quando exposta à luz, apresenta reflexos esverdeados no dorso. Os juvenis têm o peito branco. Em plumagem nupcial, o macho adquire uma mancha branca nos flancos e outra na cabeça.

Habitat

Como ave aquática, o Corvo-marinho-comum é uma espécie que procura zonas costeiras e estuários, mas também, ainda que com menos incidência, zonas interiores onde existam lagos, rios, albufeiras, charcos, entre outros. Quer sejam zonas marinhas, zonas de águas salobra ou zonas de água doce, cumprem um requisito comum: a existência de peixes em abundância.

A sua presença no Parque da Devesa é, por isso, um sinal que revela a vida existente nas águas do lago e do Rio Pelhe, reforçando a importância da sua preservação.

Habitualmente, os Corvos-marinhos-comuns têm zonas de dormida, onde pernoitam em grupo, mas, durante o dia, procuram outros locais, ricos em alimento.

Essas deslocações, entre os locais de descanso e os de alimentação, e vice-versa, são efetuadas isoladamente ou em pequenos bandos desordenados e acontecem às primeiras horas do dia e ao anoitecer, respetivamente.

Corvo-marinho-comum (Phalacrocorax carbo), na margem do lago.

Alimentação

Como já referido, o Corvo-marinho-comum é um excelente pescador. Normalmente efetua mergulhos, os quais podem durar cerca de meio minuto e atingir profundidades próximas dos seis metros, para capturar os peixes com o bico e de seguida os engolir inteiros. É impressionante a capacidade de ingestão de peixes de grandes dimensões. Apesar de os peixes constituírem a base da sua alimentação, a sua dieta também pode incluir anfíbios, crustáceos e moluscos.

Normalmente, depois de sair da água, o Corvo-marinho-comum expõe-se ao sol, com as asas abertas, para secar as suas penas que não são impermeáveis.

Corvo-marinho-comum (Phalacrocorax carbo), numa pose em que frequentemente é observado, a secar as suas penas.

Reprodução

O Corvo-marinho-comum não se reproduz em Portugal. Aproximando-se a época da reprodução, que ocorre normalmente entre abril e junho, as aves migram para o norte da Europa, nomeadamente para a zona do Mar Báltico, onde formam colónias e constroem os seus ninhos em locais próximos da água, em ramos de árvores, em rochas ou até no chão, neste caso, em zonas que se encontram livres de predadores, como por exemplo em ilhas. Habitualmente, os casais nidificam no mesmo local todos os anos.

Cada postura tem em média três a cinco ovos, de cor azul-claro ou esverdeada, com dimensões aproximadas de 63 por 41 milímetros, os quais são incubados por ambos os elementos do casal, durante um período de 27 a 31 dias. Nos primeiros dois meses de vida, as crias ficam ao cuidado dos progenitores, que garantem alimentação e proteção dos predadores.

Corvo-marinho-comum (Phalacrocorax carbo), numa árvore na margem do lago.

Ocorrência

O Corvo-marinho-comum é essencialmente uma espécie invernante, todavia, ainda que não seja muito frequente, algumas aves imaturas ou não reprodutoras poderão ser observadas também nos meses de primavera ou de verão.

De acordo com a informação obtida no âmbito do Projeto Avifauna do Parque da Devesa e dos dados recolhidos do portal e-Bird, o Corvo-marinho-comum tem visitado o Parque entre os meses de novembro e abril, sendo 2017 o quarto ano consecutivo em que são registadas observações.

O local com maior probabilidade de observação é junto ao lago, conforme assinalado no mapa seguinte, quer a sobrevoar a área, a nadar e a pescar ou pousado nos ramos das árvores.

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Categorias: Ciência

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

António Cruz

António Cruz, auditor de profissão, dedica parte do seu tempo livre à observação e fotografia de aves. Em junho de 2013, criou o projeto “Avifauna do Parque da Devesa – Observação e Registo”, com o objetivo de promover a observação, a identificação, o registo fotográfico e a divulgação das espécies que residem ou visitam o Parque.

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