Poesia | Agostinho Fernandes. Viver de pé no meio dos homens e das coisas do mundo / Poemas à margem do tempo

Poesia | Agostinho Fernandes. Viver de pé no meio dos homens e das coisas do mundo / Poemas à margem do tempo

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Manuel Augusto Martins Araújo, atual presidente da Direção da Engenho – Associação de Desenvolvimento Local do Vale do Este,  é amigo pessoal de Agostinho Fernandes, o antigo edil famalicense. Há alguns dias atrás, apresentou o último livro de Agostinho, Poemas à margem do tempo – 50 anos de poesia, recentemente dado à estampa e acabado de chegar às livrarias. Este artigo corresponde à comunicação efetuada aquando da referida apresentação.

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Agostinho Fernandes (…) assume a escrita como parte de si, como semeador de ideias, como espaço de reflexão, como meio de intervenção, como forma de pedagogia, como exercício de cidadania.

Agostinho não escreve para ele. Escreve para os outros, sendo todos convocados. Projeta o seu eu no outro, sempre com a intencionalidade de procurar e descobrir os desígnios das coisas do homem, dos homens e da terra, (…) tendo sempre o Homem e a sua condição no centro de tudo.

“não sou grande nadador/Como não sou, de igual modo, grande poeta/Mas decidi hoje banhar-me na água das palavras/que por magia me permitem voar…”

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No seguimento da sua atividade literária, a que se tem dedicado com intensidade, paixão e sentido dever para consigo e para com os outros, desde que deixou o longo e absorvente exercício de autarca, presidente da Câmara Municipal, Agostinho Fernandes acaba de nos presentear e de nos surpreender com a antologia poética “Poemas à margem do tempo”, embrulhando com delicadeza e estima 80 poemas guardados e escolhidos desde 1967, perfazendo 50 anos de poesia.

Agostinho Fernandes, com toda a sua versatilidade, e lavra própria, assume a escrita como parte de si, como semeador de ideias, como espaço de reflexão, como meio de intervenção, como forma de pedagogia, como exercício de cidadania, como afirmação de quem é livre, como amante da liberdade, liberdade que quer para si e reivindica para todos, numa linguagem e mensagem sempre plenas de atualidade e de universalidade.

Todos sabemos que o autor tem mantido sempre uma relação umbilical com a leitura, com a escrita e com os livros, confessando mesmo que, numa fase da sua vida, foi salvo por eles.

Em “Poemas à margem do tempo”, com contornos de registo biográfico, e numa perspetiva holística, Agostinho afirma, como sempre, a sua coerência, a sua forma de ser e de estar, porque nunca deu forma ao ter ou haver, os seus princípios e os seus valores, firmando-se num percurso e projeto de vida, que desde cedo interiorizou e assumiu pela educação, pelo estudo e reflexão dos grandes mestres greco- romanos e da cultura judaico-cristã, matriz com que, de forma incontornável, se construiu e se identifica.

Na estrutura desta obra, o autor arquitetou um friso cronológico e espacial dividido em quatro lanços, equivalentes a outras tantas gestações.

Neste friso orientador e de suporte sucedem-se, e sempre ligadas pelo mesmo fio da cúmplice autenticidade estabelecida entre Agostinho e o leitor, acontecimentos, factos e pessoas, evocações, tributos e memórias, lugares e sítios. Espaço também de sentimentos, amores e amor, ideias, desejos e sensações, reflexões e interrogações, exclamações, desafios, sonhos, dores de alma, revolta e denúncia, nomeadamente quando, entre outros, estão em causa princípios da mais elementar justiça social. Tudo imbuído numa pedagogia de intervenção e de proximidade. Num ato libertador. Com amor, muito amor aberto e profundo humanismo, que, a par da sabedoria, marcam o seu caráter e forma de ser, feitos destino.

Na sucessão dos poemas, onde Agostinho se vai expondo, num intimismo controlado, deparamo-nos com diferentes geografias em várias escalas e dimensões, observadas, descritas, interpretadas e sintetizadas pelo autor numa geografia do sentimento cartografada com emoções e desejos, numa poética “entre o lirismo e a filosofia existencial”, conforme reconhece o Agostinho, um homem torneado pelo saber filosófico e humanístico.

Agostinho não procura a poesia. Amarra-a e abraça-a quando ela aparece. Quase sempre, e por paradoxal que possa parecer, em “horas de ponta” como afirmava, há dias, a uma jornalista, e não nos habituais momentos e horas de silêncio.

A poesia, para Agostinho, é um processo de expressão artística onde se ressalva a seriedade e sobriedade na palavra, no verso, na forma e no tamanho. Há toda uma elasticidade e estética que se ajustam ao tema, ao assunto, à mensagem e ao estado de espírito, nunca perdendo a noção do equilíbrio, a capacidade de saber discernir, focando-se na essencialidade das coisas e dos homens.

Na poesia de Agostinho são valorizados aspetos e registos que, à partida, poderiam passar despercebidos e considerados irrelevantes, como uma velha oliveira ou uma pequena ermida algures encastrada na vertente de uma montanha, que aproveita para relativizar a idade avançada de sua Mãe. Agostinho escreve muito com o seu olhar.

As palavras são escolhidas, pesadas, calibradas e buriladas conforme o tema e a circunstância, numa escrita levada pelo pulsar e pelo querer, recorrendo, preferencialmente, ao verso solto e livre e a um tom coloquial que estabelece com o leitor, com laços de cumplicidade que deseja manter.

Agostinho não se deixa levar, nem condicionar a sua escrita pela forma, pelo estilo, pela métrica ou pela rima. Não gosta de artifícios linguísticos, nem de brincar com as palavras. É austero, sobrelevando sempre a palavra e a mensagem, porque para o autor a palavra, o verbo devem ser meios de transmitir e partilhar sentimentos, olhares, emoções e gestos, com o dom de uma generosa partilha.

Agostinho não escreve para ele. Escreve para os outros, sendo todos convocados. Projeta o seu eu no outro, sempre com a intencionalidade de procurar e descobrir os desígnios das coisas do homem, dos homens e da terra, a quem chama mãe, das naturezas e da Natureza, de Deus e dos deuses, tendo sempre o Homem e a sua condição no centro de tudo.

Com uma inconformidade tranquila, Agostinho questiona-se, levando o leitor a fazer o mesmo. Autor e leitor, num jogo feito teia bem urdida de palavras debruçam-se sobre o ser que fomos, que somos e que devemos ser, no nosso mundo, no mundo de cada um, seguindo uma pedagogia que herdou do conhecimento dos clássicos do pensamento e da escrita, mas também das palavras simples do povo anónimo, que sempre soube escutar e com quem sempre aprendeu.

Este livro de poemas e esta poesia apresentam uma linguagem aberta e fácil de interpretar. Foge a modernismos discutíveis, mas em voga, de versos blindados e encriptados, palavras estranhas e difíceis que obrigam o leitor a desfolhar o pesado dicionário aberto ao lado. Aqui, o leitor, para ler, não precisa de cerrar os dentes nem franzir o sobrolho. A escrita é corrida e percetível, até porque, por paradoxal que possa parecer, difícil é saber escrever simples, mesmo quando se possui grande erudição. Transpondo a escrita para a pintura, vem-nos à ideia Picasso, quando afirma: “Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças”

No que diz respeito a influências, face ao arcabouço intelectual do autor, à sua formação e experiência de vida, Agostinho Fernandes que se formou e construiu homem e cidadão respigando conhecimento e saber nos clássicos do pensamento, das artes e das ideias de todos os tempos e com toda a sua intemporalidade, as suas estrelas maiores, tem uma forma muito própria de abordar a escrita. Não escreve de forma nebulosa e abstrata. Gosta da natureza, com os seus mistérios e pormenores, das pessoas, dos outros, das coisas simples, dos amigos, enfim, da vida na sua plenitude, sem perder a sua espiritualidade, centrada na sua Casa – “recinto sagrado” e “ fonte de Vida e de Fecundidade”

Fazendo um breve relance aos quatro tempos compassados, tudo começa, ainda o autor era jovem, com uma Guia de Marcha deixando o cais onde “Ninguém se despede no escuro da noite/que desce ao coração de quantos vão/não sabendo se há regresso ou não.” Destino: Moçambique. Guerra colonial. Milange, “no cu de judas”. A guerra. “Aquele monstro” de que fala Vieira. “É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta.” E Agostinho a dizer, em Quase 3 anos de prisão, “Que raio de vida é esta/em que me sinto desterrado?”. Ele que, e a propósito, já tinha escrito: “Não quero morrer/não quero matar.” O colonialismo. A revolta. A evocação a Álvaro Castelões: “Como tu vagueio por estas paragens/esperando bem que não me dê o berro/O que eu quero é regressar vivo/Porque não há aqui caminho-de-ferro?” Para se escapulir. Pelo Natal. Milange, com uma paisagem onde “montanhas ingentes tocam o céu” e onde “Há cobras e macacos por todo o lado/E riem-se de nós, empoleirados nas árvores”. Foi prisão, revolta e medo, com dias riscados no calendário da existência, confessando-se desorientado em Angústia nos caminhos… ”Vivi pouco ainda/Cavalgo sem norte na correnteza da vida/Os homens azedaram-me e ela… ”.

No segundo tempo – Enfim…25 de Abril. Democracia. Liberdade – Agostinho, logo no início, encontra-se com o Primeiro Amor, onde diz “Sinto a poesia a pairar e a queimar/a raiar dentro de mim. Sem compromisso dela/Que faço? Agarro-a com vigor/antes que fujam as asas das palavras/e me diga, nunca mais”. É o momento da Sagração da Casa, “espaço real onde me aninho… recinto sagrado onde me visita o Divino”. Canta o 25 de Abril e os poetas, e, em De mão dada contigo, falando com a sua Mãe, já muito entrada na idade sofrida, quer estar ao pé dela ”o nosso tempo é todo o tempo do mundo… e a morte não é o fim de nada/Da morte renasce sempre a Vida:/a vida que nos faz ansiar pela eternidade/e entrar nela de mão dada contigo, Mãe!”

Bucólica é o momento e sítio do afeto, da ternura, da felicidade contemplada, a casa, a família, os amigos, o jardim, as árvores, as flores, os livros, a música, os pássaros, a natureza, o horizonte. “Perdeu-se em mim um agricultor… mas viveu sempre um jardineiro sensível/para adoração da Terra-Mãe” aqui “onde a aurora rompe/à procura da minha alma e de mim.” Aqui, ama muito. Amor/Amor. Amor/Ternura. Com palavras, gestos, olhares, afagos e carinho de homem esposo, pai e avô.

Daqui voa pelo mundo em Viagens Cósmicas. Reflete, questiona, desafia, evoca. Deus e os Homens. O Bem e o Mal. A Existência. A Razão e a Fé. E, desorientado e confuso, clama por Deus: “Deus, ó Deus, onde moras?/Quem quer que sejas/e onde quer que estejas/onde moras que não te encontro?”

O terceiro tempo – O Mundo … “pula e avança”… Gedeão – são momentos de tributo e de evocações: a escritores, poetas, amigos e árvores floridas: Camilo, várias vezes, a quem chama “Broca endiabrado”, onde Seide “foi para ti casa, amor e guarida”; Sebastião da Gama, poeta da Arrábida, “onde nos arroios…/ouço ainda teus ensinamentos/prenhes de luar e de esperança”; Álvaro Castelões, dos Beijos e Rosas; A camélia de Beatriz, que à semelhança da acácia de Camilo “todos os anos pelo tempo reverdece… e “O que eu queria é o que tu querias/que a minha Beatriz a cuide/e eu continue a revisitá-la”; Poetas do Sado; Ao genial poeta F. Pessoa, ”Naquela praça de Durban cruzei-me contigo”; Parnaso famalicense, com os nossos maiores, nem Cerejeira esquecendo; Rosa Colaço, amiga, e Ana Plácido, mulher fatal.

No tempo último, “Novo século e milénio”, Agostinho aborda a poesia e a sua necessidade, como que de um Diário se tratasse, numa poesia que quer “aberta e livre, irreverente e sentida” e “sem esquadro, pauta e partitura”. Nunca se assumindo como poeta, diz que a poesia, “faísca que acende e água que brilha” sempre o assaltou “no silêncio branco das noites intemporais”. Encontra-se de bem consigo, “de mão dada com Bernadette”… “e juntos vermos Beatriz a crescer e a florir/ perfumando os nossos passos já maduros” e com os outros. Reforça a admiração e o gosto pelas coisas simples da vida, não deixando, contudo, de pugnar sempre pela justiça social, de indignar-se com as maldades do homem, com todas as injustiças e tudo que viola a condição sagrada do ser.

Da sua filha, que é mãe, em Tu sabes, Ana …, afirma: “Tu sabes, Ana, como recriaste o Mundo/quando em dezembro para nós nasceste!”, concluindo “nem sabeis como brilha o caminho quando sorris!”

Depois da Dança das Letras, onde começa por atirá-las ao vento que as volta a dar, Agostinho olha e vela pela neta, enquanto escreve, conta histórias, histórias de vida, viaja “umas horas de avião e estou no Brasil”, em Convocatória chama velhos amigos para a conversa à mesa com seus sabores “Dia 28, como de costume, no Outeirinho”. Passa pela ”bem assentada” Casa branca de Montalvão, do seu amigo monsenhor Joaquim Fernandes, “que nesse dia 6 de setembro/comemora o seu longínquo nascimento/Que role tão bonito…”. Três vezes seguidas, evoca a Mãe, “mulher valente, mulher forte, mulher mestra”, Mãe que traz sempre amarrada ao seu peito e que recorda, “não para chorar mas para fazer festim”.

De resto, e a caminhar para o fechar do livro, Agostinho, depois da Elegia para a minha irmã, chamada pelas “frias badaladas tristes”, conta uma história de vida de um amigo emigrado, escuta e fala com o seu coração, “no silêncio da noite, como nas horas mortas”, fala em dias de contentamento em Melhor que tudo isto…: “Entre a caneta, tesoura, pincel ou martelo/assim vou passando os meus dias tranquilamente”, a casa, o jardim, os canteiros floridos, os livros e música, como, entre muitos “Aranjuez e seus amavios de amor” e passar dias tranquilos, passear, viajar, só reunir com os amigos, de preferência na praia, onde o desemboca o Ave.

Mas ainda há tempo para uma festa de batizado das netas gémeas de um velho amigo: ”é a família Martins quem manda tocar/as cordas e os sinos do campanário”. Depois de dizer em A vida é uma miragem que “já fui senhor do tempo todo/de todos os sonhos a céu aberto”, continua disposto para os combates “entre a guerra e a paz de todos os dias/entre a procura eterna e a esperança” como as árvores que morrem de pé, ”no mar azul do tempo”. Depois de Utopia, que é sonho e quimera, diz “não sou grande nadador/Como não sou, de igual modo, grande poeta/Mas decidi hoje banhar-me na água das palavras/que por magia me permitem voar…” num registo poético e transcendente. Fecha o livro À sombra de Job, com admiração e humildade, e, como muitos poetas, “procurando consolo para os seus infortúnios… pois

“Neste palco dos dias

somos menos do que uma areia de praia

e menos ainda que uma cana seca,

agitada pelas paixões do quotidiano.

E versos não passam, não passam de folhas

caídas na linha do comboio

que desaparece na curva

qual outono em bosque macio

onde caem todas as castanhas

e dançam os esquilos e ouriços cacheiros.”

Apesar do cunho próprio dos seus versos, linhas, no dizer de Camilo, sentimos, entre muitos outros, e só referimos portugueses, Vieira na força da palavra e da mensagem; Torga nas coisas telúricas; Pascoais na natureza contemplada; Gama no sonho; Régio no berro e determinação; Gedeão da pedra filosofal; Antero com tempero. E até Eugénio quando evoca sua Mãe.

Como nota de rodapé, só pode titular um livro com Poemas à margem do tempo, quem nunca viveu à margem das coisas do mundo e das dos homens com as suas circunstâncias, mas no seu meio e de pé. E com memória, seguir um conselho amigo. Com palavra.

“Meu caro Peixoto Fernandes,

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Não espere pelo “Livro das Tentações”. Abra as portas à memória e deixe-se levar por ela. Em geral é boa conselheira, embora tenha o defeito de se deixar moldar com excessiva facilidade, de maneira que às vezes não sabemos bem se recordamos o que vivemos ou se vivemos o que estamos recordando. A memória também fantasia. Um grato e cordial abraço,

José Saramago

Lanzarote, 24 de Fevereiro de 2005”

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Manuel Augusto Martins Araújo

Manuel Augusto Martins de Araújo, 58 anos, casado, natural de V.N.de Famalicão, residente em Arnoso Santa Eulália. Licenciado em Geografia pela Universidade do Porto. De 1981 a 2013 foi professor de Geografia, no Externato Infante D.Henrique /Alfacoop-Cooperativa de Ensino, CRL, onde, a par da atividade docente, desempenhou funções de natureza pedagógicas e administrativas. Membro da direção da Escola Profissional CIOR. De 1991 a 2001 integrou o Gabinete de Apoio ao Presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, D. Agostinho Fernandes. Desempenhou funções autárquicas como Presidente da Assembleia de Freguesia de Nine e de Arnoso Santa Eulália. Membro fundador da Engenho - Associação de Desenvolvimento Local do Vale do Este; Presidente da Direção desta instituição, desde 2010. Membro do Conselho Fiscal da Associação Dar-as-Mãos e do Conselho Fiscal da União Distrital das IPSS de Braga. Membro do Conselho Municipal de Educação de V. N. de Famalicão.

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