Vítor Finisterra

Saúde | Osteoporose: o que é, como saber se tenho, o que fazer para evitar e tratar

Saúde | Osteoporose: o que é, como saber se tenho, o que fazer para evitar e tratar

Pub

 

 

 

A osteoporose é, em si, uma doença silenciosa, ou seja, não dá sintomas. Na maior parte dos casos, o diagnóstico é feito após o aparecimento de uma fractura resultante de uma queda insignificante. (…) (Para a evitar e minimizar), em termos de medidas gerais, é necessário praticar exercício físico, evitar o álcool, o fumo, ter uma dieta equilibrada com aporte de cálcio e vitamina D.

 

Há várias perguntas que ocorrem quando pretendemos falar de osteoporose.

O que é a osteoporose?

Quem tem a doença?

Como sei se tenho, ou não, osteoporose?

Tenho osteoporose, que cuidados tenho que ter?

Como posso tratá-la?

Osso normal e osso com Osteoporose (Imagem: autor desconhecido*; ilustração).

Vamos procurar responder a estas questões seguidamente, e de forma compreensível a todos.

O que é a osteoporose?

Fratura dupla do fémur.

A palavra osteoporose tem origem grega cujo significado é “ossos porosos”. É, portanto, uma doença dos ossos, que se caracteriza pela diminuição da carga mineral (mineralização) destes.

O osso é composto, por células (osteoblastos, que são responsáveis pela mineralização do osso, e osteócitos e osteoclastos, que estão implicados na reabsorção óssea).

A outra parte (extra-celular) é composta por uma matriz orgânica (colagénio) e por uma parte mineral composta por sais de fosfato e cálcio, sendo o principal a hidroxiapatite. A proporção é de sensivelmente 30% de colagénio e 70% de sais.

.Como sei se tenho, ou não, a doença?

A osteoporose é, fundamentalmente, uma doença da mulher após a menopausa. É nas últimas décadas de vida que a doença aparece. Tal tem a ver com a baixa de estrogénios característicos da mulher pós-menopáusica. É essencialmente este grupo que deve ser alvo de diagnóstico e tratamento.

Um segundo grupo importante é o da população que faz medicação de longa data para tratamento de outras patologias. Medicação com corticóides (“cortisonas”), alguns antiepilépticos e anticoagulantes estão associados a uma maior predisposição para desenvolver a doença.

Fratura de uma vértebra.

A osteoporose é, em si, uma doença silenciosa, ou seja, não dá sintomas. Na maior parte dos casos, o diagnóstico é feito após o aparecimento de uma fractura (do punho, de uma vértebra, da anca), resultante de uma queda insignificante. No caso da anca implica, quase sempre, a necessidade de cirurgia e respectivo internamento hospitalar.

É uma importante causa de morbilidade e de mortalidade no idoso, quer directa, quer indirectamente, pelas consequências resultantes do acamamento daí resultante.

Há vários métodos para saber se se tem ou não osteoporose. O Rx convencional (pouco eficaz no diagnóstico precoce, pois só numa fase avançada da doença aparecem as alterações) é o mais habitual.

Na região da anca e coluna lombar, o método mais divulgado consiste no estudo pela densitometria óssea (DEXA-scan). A O.M.S. definiu Osteoporose como a situação em que existe um desvio igual ou menor a 2.5 de massa óssea quando comparada com o de uma população jovem.

A densitometria deve ser pedida a mulheres com mais de 65 anos e, em mulheres com idade inferior, desde que tenham factores de risco.

Na mulher com mais de 65 anos, que já fez a sua fractura, não é mandatório, pois esta deve iniciar logo o tratamento independentemente da densitometria.

Tenho Osteoporose. Como posso tratá-la? Que cuidados devo ter?

O tratamento da osteoporose, em geral, implica uma mudança nos hábitos quotidianos, assim como o uso de medicação.

O objectivo principal é a prevenção de fracturas, devidas à perda de massa óssea.

Assim, é preciso acabar com o mecanismo da perda, promover o aumento da massa óssea e consequentemente aumentar a resistência do osso.

Em termos de medidas gerais, é necessário praticar exercício físico, evitar o álcool, o fumo, ter uma dieta equilibrada com aporte de cálcio e vitamina D.

Para o metabolismo da vitamina D, é fundamental uma exposição diária ao sol que não necessita ser superior a 30 minutos.

O cálcio pode ser obtido através dos alimentos, sendo a ingestão diária recomendada de 1200mg.

Tabela – Quantidade de cálcio por 100 mg

O tratamento medicamentoso da osteoporose assenta em medicamentos que vão impedir a reabsorção óssea, por um lado, e que aumenta a sua formação, por outro.

Dos primeiros, e hoje já em desuso – por serem menos eficazes – e por isso já a fazerem parte da história, há a realçar a calcitonina (de salmão e humana). Os mais antigos lembram-se seguramente do spray nasal com doseador que se “tomava para os ossos”.

Nos tempos actuais falamos essencialmente do grupo dos bisfosfonatos, associados, ou não à vitamina D. Dentre estes, salientamos: de uso diário, o alendronato, de uso semanal, o alendronato também, de uso mensal,  o ibandronato e, até, de uso anual, o zoledronato.

Como terapia alternativa, existem os moduladores selectivos dos receptores de estrogénio (raloxifene).

Em relação aos medicamentos usados para aumentar a densidade óssea, e depois de termos tido o ranelato de estrôncio, que foi entretanto retirado do mercado, por recomendação da PRAC (Comité para a avaliação de riscos em farmacovigilância europeia). Na actualidade, os únicos medicamentos disponíveis são a teriparatida (que é um derivado da hormona paratiróide) e o denosumab (ambos em forma injectável).

Fratura em osso osteoporótico e osso com corticais normais.

.

Vítor Finisterra, médico ortopedista no Centro Hospitalar do Médio Ave, aborda um grave e silencioso problema de saúde que atinge sobretudo mulheres, mas também homens mais velhos. Nesta síntese, Vítor Finisterra dá-nos a conhecer a doença e informa-nos sobre os cuidados a ter para a evitar e minimizar os seus efeitos quando já se encontra instalada.

Imagem de destaque: Representação não figurativa mas ilustrativa do conceito, da Osteoporose (Paula Costa; ilustração).

Outras imagens: Ficheiros de uso médico (arquivo do autor).

 

Se chegou até aqui é porque provavelmente aprecia o trabalho que estamos a desenvolver. 

Vila Nova é generalista, independente, plural e gratuita para os leitores e sempre será. 

No entanto, a Vila Nova tem custos associados à manutenção e desenvolvimento na rede, com um registo de qualidade no serviço oferecido aos leitores.

Se considera válido o trabalho realizado, não deixe de efetuar o seu contributo, ainda que simbólico, sob a forma de donativo através de multibanco ou netbanking.

NiB: 0065 0922 00017890002 91
IBAN: PT 50 0065 0922 00017890002 91
BIC/SWIFT: BESZ PT PL

.

Pub

Categorias: Ciência

About Author

Vítor Finisterra

Assistente Hospitalar no Centro Hospitalar do Médio Ave. Nascimento, em 1959, na Póvoa de Varzim. Residente, desde 1987, em Vila Nova de Famalicão. Especialista em Ortopedia e Traumatologia, desde 1993.

Write a Comment

Only registered users can comment.