O simbolismo do 1º de Dezembro de 1640

O simbolismo do 1º de Dezembro de 1640

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5 de Outubro de 1143, o primeiro dia de Portugal, (…), 1º de Dezembro (…), o feriado mais patriótico de todos.

Viva a Restauração!


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A história lusitana reveste-se de inúmeros episódios que marcaram, por diversas vezes, com romantismo e impiedade, o rumo do nosso país, ao longo de mais de oito séculos de existência, nem sempre pacífica. No entanto, permito-me salientar duas datas: o 5 de outubro de 1143 e o 1 de dezembro de 1640.

Independência de Portugal

Relativamente ao 5 de Outubro de 1143, podemos atestá-lo como o primeiro dia de Portugal já que em Castela é assinado o Tratado de Zamora que reconhece aos olhos de D. Afonso VII, Rei de Leão e Castela, seu primo D. Afonso Henriques como primeiro Rei de Portugal. O mesmo primo que simultaneamente combatendo a sul contra os mouros, lhe impôs heroicamente várias derrotas no Alto Minho e na Galiza, tornando Portugal um reino independente, apesar de o mesmo só ser confirmado oficialmente em 1179, pelo Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum. Inicia-se, deste modo, a história da monarquia portuguesa que terminará curiosamente no mesmo dia e mês, após mais de 750 anos, a 5 de outubro de 1910, com a vitória dos republicanos, embora esta já estivesse ferida de morte após o regicídio de D. Carlos, em 1 de fevereiro de 1908.

Restauração da Independência

No que concerne ao 1º de Dezembro de 1640, vejo-o como o feriado mais patriótico de todos já que nesta data, depois de dezenas de motins organizados contra o jugo espanhol e de D. João IV assassinar, em Lisboa, os representantes de Filipe IV, o último e mais cruel dos Filipes, liderados por D. Miguel de Vasconcelos e aprisionar a Duquesa de Mântua, os portugueses libertaram-se finalmente, após 60 anos de crueldade, das amarras «filipinas» que nos privaram da nossa independência política e económica, já que tivemos de lutar em guerras que não eram nossas contra os inimigos de Castela (Holanda, França e Inglaterra) depauperando, assim, o erário público lusitano que canalizava vergonhosamente para a corte castelhana os pesados e abusivos impostos cobrados aos portugueses. Neste turbilhão da história portuguesa, ceifaram-se milhares de vidas, perderam-se inúmeras colónias brasileiras para os holandeses, retraíram-nos vários domínios territoriais e comerciais na África e no Oriente e sofremos a humilhação de simbolizarmos a mais importante e desejada província castelhana. Felizmente, recomeçamos de novo sob a liderança da 4ª dinastia da Casa de Bragança e com D. João IV ao leme, tendo, ao fim de 28 anos, após uma longa Guerra da Restauração e com a ajuda de alguns dos inimigos de Castela, restabelecido a soberania da qual hoje muito nos orgulhamos.

Viva a Restauração!

Sou um republicano convicto, mas, acima de tudo, um português com memória e sem qualquer preconceito monárquico. Viva a Restauração!

Imagem de destaque: Entronização de D. João IV após a Restauração (Veloso Salgado / Museu Militar de Lisboa; pintura a óleo / fotografia de autor desconhecido).

José Leite é graduado em História e exerce as suas funções profissionais no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, em que desempenha um ativo papel na organização dos eventos organizados por esta instituição. Desde sempre ligado à ação política, há alguns atrás foi também deputado municipal.

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Categorias: Cultura, História

Acerca do Autor

José Leite

Natural da freguesia de Bairro, concelho de Vila Nova de Famalicão, José Leite foi, durante mais de uma década, Professor da disciplina de História, no Externato Delfim Ferreira, em Riba de Ave, tendo sido um dos responsáveis pelo Clube de Imprensa desta escola, pelo que foi editor do jornal escolar “O Boca Aberta”. Orientou cursos de formação profissional em algumas entidades formadoras e empresas, com destaque para a Riopele SA. Completou o Curso Superior de Ciências Históricas na Universidade Portucalense do Porto. Aí desempenhou inúmeros cargos associativos e académicos, como o de representante dos alunos no Senado e Conselho Universitário e o de Secretário-Geral da Associação de Estudantes desta academia portuense. Foi Deputado da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão durante dois mandatos autárquicos (2005-2013), tendo participado em várias comissões e grupos de trabalho, com especial enfoque na Comissão eventual de análise da situação socioeconómica na área do município de Vila Nova de Famalicão (2009-2011). Possui duas Pós-Graduações, uma em Gestão Pública e Autárquica, pela Universidade Lusíada do Porto, e a outra em Comunicação e Redes Sociais, pela Universidade Lusíada de V.N. de Famalicão. Foi presença assídua, escrevendo vários artigos de opinião sobre política, atualidade e história, no semanário famalicense Opinião Pública. Neste momento reside em Antas, Vila Nova de Famalicão, assumindo funções de Técnico Superior do Município de Famalicão, no Museu Bernardino Machado, onde tem estruturado exposições temporárias e permanentes, coordenado tecnicamente catálogos e edições, dinamizado e organizado colóquios, ciclos de conferências e atividades culturais, para além de efetuar junto do público adolescente e adulto visitas guiadas à Sala de Exposições Permanente deste museu.

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