Espaço 60 + | Depressão na velhice

Espaço 60 + | Depressão na velhice

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A gerontóloga Tânia Silva (re)lembra neste artigo que o apoio e carinho (…) são muito importantes para incentivar o idoso a não entrar em estado depressivo (…). 

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As sociedades ditas civilizadas e modernas privilegiam a juventude em relação à velhice. Os idosos são excluídos da produção, muitas vezes contra a sua própria vontade, porque ninguém lhes dá emprego, tornando-se pouco consumidores porque não têm dinheiro, consumindo recursos de saúde porque ficam doentes, adoecendo mais porque não têm recursos para a saúde.

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Tal como a população idosa tem vindo a aumentar, segundo a OMS, também a depressão tem sofrido um acréscimo, nas últimas décadas. A depressão está a tornar-se num dos principais problemas de saúde nos países desenvolvidos, situando-se em quarto lugar na lista de encargos com a saúde, em 2001, e com tendência para acentuar a sua importância, nos próximos anos, perspectivando-se uma subida ao segundo lugar, em 2020.

Esta patologia está associada ao aumento do risco de morbilidade e suicídio, à diminuição das capacidades físicas, cognitivas e sociais e à maior auto-negligência, por parte dos idosos. Estes factores, por sua vez, estão associados à diminuição da qualidade de vida e ao aumento da mortalidade geriátrica.

Do ponto de vista vivencial, o idoso está numa situação de perdas continuadas, como seja a diminuição do suporte sócio-familiar, a perda do status ocupacional e económico, o declínio físico continuado, a maior frequência de doenças físicas e a incapacidade pragmática crescente. Estas perdas provocam, muitas vezes, sentimentos de desânimo e tristeza que, como refere BALLONE (2002), acabam por gerar síndromes depressivos.

As sociedades ditas civilizadas e modernas privilegiam a juventude em relação à velhice. Os idosos são excluídos da produção, muitas vezes contra a sua própria vontade, porque ninguém lhes dá emprego, tornando-se pouco consumidores porque não têm dinheiro, consumindo recursos de saúde porque ficam doentes, adoecendo mais porque não têm recursos para a saúde. Neste cenário forma-se um deplorável círculo vicioso, que leva a que os idosos não vivam, mas sobrevivam numa sociedade quase sempre hostil, recebendo as ajudas caridosas que esta se digna oferecer-lhe.

A população idosa com depressão apresenta menos sintomas afetivos e mais alterações cognitivas, perda de interesse e sintomas somáticos do que os adultos jovens com a mesma patologia. [Hasin et al. (2005)]. Sintomas somáticos, como perturbações do sono, falta de apetite, apatia, fadiga e dores inexplicadas que são, frequentemente, subestimadas nos idosos, porque são atribuídas ao normal processo de envelhecimento. Os sintomas individuais significativamente mais comuns são a fraqueza/vertigem, a sensação de massa na garganta, o peso nas pernas, o entorpecimento/formigueiro e dor muscular. Noutros casos existe ativação psicomotora, caracterizada por agitação, cruzar de mãos, preocupação obsessiva, comportamento compulsivo e/ou inquietação. O que importa realçar das alterações verificadas no comportamento do idoso é o alerta quanto à possibilidade de estarmos perante uma doença depressiva.

A depressão é uma condição potencialmente prevenível e modificável, através de intervenções psicossociais e farmacológicas eficientes [Menchetti et al. (2006)]. Na revisão de Diefenbach e Goethe (2006), a maioria dos medicamentos usados no tratamento da depressão major na população adulta em geral, também pode ser usada nos idosos. Lenze et al. (2002) afirma que o tratamento da depressão geriátrica pode diminuir a manifestação de sintomas somáticos, promover a melhoria da percepção de saúde e aumentar a funcionalidade, mesmo na ausência de melhorias significativas nas patologias médicas. Assim, é importante unir esforços para que o tratamento seja o mais adequado e eficaz possível, proporcionando uma melhor qualidade de vida ao idoso.

Lembre-se que o apoio e carinho de familiares e amigos são muito importantes para incentivar o idoso a não entrar em estado depressivo, um ambiente estável é garantia de boa saúde mental.

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Imagem de destaque: Maria Rita Pimentel (ilustração).

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Categorias: Sociedade

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Tânia Marisa Silva

Gerontóloga Clínica. Especialista em Envelhecimento e Saúde Mental.

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