Isabel Areias

Ciência e Humanismo | As 7 Leis Herméticas

Ciência e Humanismo | As 7 Leis Herméticas

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Isabel Areias é diretora da Nova Acrópole – Famalicão. Reflete sobre a atualidade das antigas 7 Leis Herméticas do conhecimento e a forma como estas permitem ao Homem estabelecer uma ligação entre a Terra e o Universo.

 

“(…) as 7 Leis Herméticas permitem a cada aventureiro (…) realizar o seu próprio estudo e retirar as suas próprias ideias e conclusões, pois a Verdade, enquanto arquétipo e virtude interior, não se encontra aprisionada na visão limitada e fragmentada que cada Ser Humano possui.”

 

Existe, na Antiguidade, um legado humano e cultural muito vasto e cuja descoberta ainda se encontra um pouco indefinida e incerta. Um legado onde o mito se une à História e onde a certeza dos factos conhece um percurso labiríntico de dúvidas e questões.

Quando o Ser Humano se dedica à Arte do Conhecimento, transforma-se num eterno viajante, pois a procura é incessante e inconclusiva. “Só sei que Nada Sei” é a máxima que acompanha o aventureiro da Sabedoria, pois o Amor apresenta-se como o único impulso capaz de vencer os mais diversos obstáculos. Mas se encontramos esta procura nas distintas áreas de estudo é porque existe no interior do Ser Humano um impulso natural para a descoberta do desconhecido.

O motor que move a própria História e as suas descobertas traduz-se na incessante Vontade do Ser Humano atingir um maior e mais profundo conhecimento sobre a “causa das causas”. A partir de certo ponto, não basta aceder ao conhecimento superficial e material das coisas. Há que entrar na essência do que vemos e do que se esconde por trás de um pano de fundo denominado realidade, donde a expressão de um conhecimento milenar, trazido pelos antigos Egípcios, e que apresenta a existência de uma única Lei para tudo aquilo que existe na Natureza, integrada nas denominadas 7 Leis Herméticas.

O conhecimento destes princípios, guardados nas antigas Escolas de Sabedoria Egípcias, permitia ao Ser Humano estabelecer uma ligação entre o Macrocosmos (Universo) e o Microcosmos (Terra). O motivo era simples: estando a natureza regida por determinadas leis, também o Ser Humano, integrante da Natureza, se encontra inserido nessas mesmas Leis. A dificuldade que sentimos em captar esta ideia surge pelo desfasamento que a sociedade materialista e de interesse puramente económico colocou entre o Ser Humano e a Natureza. Mas curiosamente, o reino Humano é aquele que se encontra em menor quantidade e em menor importância. Entender que toda a vida, incluindo naturalmente a humana, depende unicamente da existência das abelhas, leva-nos a perceber o quão insignificante somos neste planeta, isto para não citar o exíguo tamanho do nosso sistema solar na imensa galáxia que integramos. A necessidade do Ser Humano se colocar no centro, seja no pessoal ou colectivo, acabou por criar o abismo que separa o Ser Humano do universo visível e invisível, ou seja, a separação entre o Humanismo e a Ciência pois esta encontra-se em tudo aquilo que existe.

Acreditando que o Conhecimento é um caminho distante do intelectualismo, tal como o afirmavam os verdadeiros filósofos e pensadores da antiguidade, a prática de um movimento interior rumo a ideias nobres e profundas, valida para os antigos escritos orientais, como o Mahabharata ou a Voz do Silêncio, o acesso ao verdadeiro Saber. Por outro lado, a integração do conhecimento por um processo de estudo comparado das diferentes áreas de estudo, surge como uma forte oposição à estagnação e à especialização académica que o próprio Max Weber já referia na sua conferência “A Ciência como Vocação”.

Se criar um paralelismo entre o Humanismo e a Ciência é algo difícil de realizar no momento atual, o mesmo não acontecia para os pensadores, astrónomos, físicos, matemáticos e engenheiros das antigas civilizações cuja mestria estava ao serviço do Macrocosmos. O conhecimento das 7 Leis Herméticas, cujo paralelismo encontramos com facilidade na ciência, leva a uma necessária reflexão sobre uma unidade que liga e conecta o Ser Humano entre si e entre a Natureza que o rodeia. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e o Universo” uma máxima colocada no Templo de Apolo em Delfos reflecte esta unidade tida como Verdade indiscutível para os antigos Filósofos, da mesma forma que a Lei Hermética da Correspondência afirma que o “o miscoscosmos (plano terreno) é um reflexo do macrocosmos (planos cósmico, da natureza visível e invisível)”. A Lei Hermética da Causa e Efeito, que surge como um principio muito difundido pela filosofia oriental com a designação de Karma, retrata uma realidade escrita em muitos ditados populares portugueses como “cada um colhe aquilo que semeia”.

Se olharmos para a própria Ciência e as Leis da Natureza percebemos que toda a acção gera uma reacção. Podemos referir também a Lei da Polaridade ao afirmar que tudo na existência possui uma dualidade integrada em opostos. O próprio Ser Humano vive difíceis conflitos interiores devido ao seu pensamento dual de onde brotam as suas dúvidas e anseios. Na Ciência e na natureza a matéria possui também o polo positivo e negativo. E da união destes dois polos surge a vida, surge o movimento e surge a vibração. Tal como o Ser Humano se move na vida quando atinge um estado de decisão e harmonia pela cessação das suas dúvidas criando um único pensamento, ou seja, uma certeza.

Podemos dizer que o Conhecimento é um caminho que se realiza pela união de várias áreas de estudo. Cada uma tem a sua visão, a sua verdade e a sua cor. Da mesma forma que a união de todas as cores do Arco Iris reflectem o Branco, também a união de todas as cores do saber reflectem a Sabedoria, ou seja, a prática do conhecimento adquirido pelo estudo comparado, neste caso, entre a Ciência e o Humanismo, ou seja, daquilo que se encontra fora e dentro de nós.

Em forma de síntese deixamos as 7 Leis Herméticas para que cada aventureiro possa realizar o seu próprio estudo e retirar as suas próprias ideias e conclusões, pois a Verdade, enquanto arquétipo e virtude interior, não se encontra aprisionada na visão limitada e fragmentada que cada Ser Humano possui. Pelo contrário, ela coexiste na combinação integrada e tolerante de uma partilha de ideias a opiniões.

 

Lei do Mentalismo –“O Todo é Mente; o Universo é mental.”

Lei da Correspondência – “O que está em cima é como o que está em baixo. O que está dentro é como o que está fora.”

Lei da Vibração  – “Nada está parado, tudo se move, tudo vibra.”

Lei da Polaridade – “Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados.”

Lei do Ritmo – “Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação.”

Lei do Gênero – “O Género está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o género se manifesta em todos os planos da criação.”

Lei de Causa e Efeito  – “Toda a causa tem o seu efeito, todo o efeito tem a sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei.”

 

As 7 Leis Herméticas encontram-se descritas no livro Caibalion que contém as ideias e pensamentos de Hermes Trimegisto, um dos grandes sábios e filósofo do Antigo Egipto. Os seus ensinamentos são denominados Herméticos derivado do seu nome que significa “O Três Vezes Grande”.

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Isabel Areias

Para deixar pegadas é importante conhecermo-nos a nós próprios! Mestre em Gestão Educativa e Diretora Nova Acrópole Famalicão. Após terminar o Curso de Ciências de Educação pela Universidade do Porto, em 2004, avançou para Angola onde colaborou na área do voluntariado social. Regressada a Portugal, em 2014, desenvolve o seu estudo na área da psicologia evolutiva. Com Mestrado em Gestão e Administração Educativa pela Universidade Católica, Com Mestrado em Gestão e Administração Educativa pela Universidade Católica, inicia em Portugal o seu projeto enquanto Diretora da Nova Acrópole Internacional, em Famalicão, organização que integra há 16 anos. Encontra na Natureza, na Cultura, na Filosofia, nas Antigas Civilizações e nas Histórias de vida que inspirem, os alicerces da sua motivação. É mãe de 3 filhos, 2 meninas e um menino.

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