Observatório de Cinema de Famalicão – 2º episódio ‘A Viagem’

Grande Entrevista | ‘Close-up’ a Álvaro Santos e Vítor Ribeiro: observar o cinema mais de perto, ver o real mais ao longe

Grande Entrevista | ‘Close-up’ a Álvaro Santos e Vítor Ribeiro: observar o cinema mais de perto, ver o real mais ao longe

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Close-up ‘A Viagem’: Entrevista a Álvaro Santos e Vítor Ribeiro


 

 

O Close-Up – Observatório de Cinema de Vila Nova de Famalicão, vai na sua 2ª edição. Ou melhor, no seu 2º episódio, como os organizadores Álvaro Santos, Diretor da Casa das Artes, e Vítor Ribeiro, Programador e Diretor do Cineclube de Joane, gostam de se lhe referir.

Depois do grande sucesso do ano passado, em que “A Memória” foi a chave para o diálogo com os espectadores, mediante um formato inovador a que público e comunicação social aderiram, conseguindo transformar este evento local na área do cinema num acontecimento de relevância nacional, é tempo agora de olhar o presente e nos dedicarmos e deliciarmos com “A Viagem”.

Edgar Pêra – O Espectador Espantado, na sua versão 3D, deverá ser, assim se espera, um filme surpreendente. Está no Observatório, episódio 2, em ante-estreia e promete colocar mais questões do que respostas.

 


Vítor Ribeiro (VR): Quisemos voltar a centrar e a colocar o cinema como protagonista, daí essa ideia de observatório. (…) Há ligações mais ou menos implícitas entre o convidado e o filme escolhido. (…) Uma das coisas que mais nos interessa é a interação entre linguagens.

Álvaro Santos (AS): (..) A Casa das Artes (..) propõe-se (…), a partir de uma determinada linguagem, desenvolver e apresentar, bem como acrescentar, outras artes a um espaço em que o cinema é apresentado e desenvolvido, em que o centro é o próprio cinema.


 

 

Entrevista Close-up

Pedro Costa (PC): O Close-Up está na ordem do dia. Para usarmos linguagem cinematográfica, digamos que se inicia amanhã, 14 de outubro, o 2º episódio de uma série que se espera ter um longo futuro pela frente. Assim sendo, poderíamos começar a nossa conversa-entrevista pela própria ideia do conceito Close-Up.

O filme Close Up, de Abbas Kiarostami, foi o mote principal para o nascimento deste exercício do olhar que é ver cinema em Famalicão.

VR: A designação surgiu da interceção de duas ideias. Em primeiro lugar, o filme que influenciou claramente esta designação, o filme de Abbas Kiarostami, de 1990, que tem o mesmo título, essa curiosidade, é um filme quase perfeito, uma grande parte da filmografia dele é quase perfeita para quem escolhe e dá filmes a ver aos outros. Porquê? Os seus filmes são ao mesmo tempo humanistas, com temas capazes de falar com as pessoas, e ao mesmo tempo são muito desafiantes em termos de linguagem; são muito ricos nesses níveis. Não existem muitos casos em que estas duas características se juntam na mesma filmografia. Esse filme, em particular, por ser um filme muito importante nas questões de ficção e do documentário, nesse esbater de barreiras entre essas duas mais famosas divisões do cinema, por ser um filme tão rico, foi o título que deu o mote. Depois, Close-Up também, por ser um dos movimentos de câmara, essa coisa da lente que se aproxima do assunto e é capaz de o olhar mais em detalhe.

A ideia do Close-Up, enquanto Observatório de Cinema, contraria a ideia de evento e de que um festival, às vezes, serve para tudo menos promover o olhar para e sobre o cinema.

PC: O conceito de festival, de facto, está mais associado à ideia de promoção do cinema enquanto espetáculo ou dos filmes apresentados. Aqui não será tanto esse o objetivo, segundo parece.

VR: Sem querer estar a exemplificar, muitas vezes, os festivais, também para criar comunicação, começam a derivar noutros aspetos que são laterais ao próprio cinema. Colocam-se certas coisas nos programas que pouco ou nada têm a ver com o cinema. Nós quisemos voltar a centrar e a colocar o cinema como protagonista, daí essa ideia de observatório. Por outro lado, pelo lado prático da questão, também abdicamos deliberadamente do setor competitivo. Não há prémios no Close-Up! Não quer dizer que um dia não tenhamos uma secção competitiva, mas apenas enquanto acharmos que este modelo faz sentido e que não somos capazes de promover uma competição de valor. Nestas primeiras edições não iríamos conseguir ter uma secção competitiva forte e em que estivéssemos a dar a ver aos outros algo de qualidade. Em Portugal, há 4 ou 5 festivais apenas que são capazes de ter uma secção competitiva interessante. Não quisemos ter essa pretensão de acharmos que nestas primeiras edições iríamos ter uma secção competitiva forte, portuguesa ou estrangeira, e, portanto, pusemos a tónica no programa e colocando a responsabilidade em quem escolhe e menos a responsabilidade nas coisas que eventualmente chegariam através de nós.

PC: Nesse caso, são as pessoas que vêm comentar os filmes que os escolhem?

Orlando Grosseguesse, leitor atento de Peter Handke, é o comentador do primeiro filme a ser exibido neste Observatório, no sábado à tarde, 14, pelas 16h00. “A mulher canhota” relata-nos a história de uma mulher de 30 anos, a viver numa cidade industrial da Alemanha Ocidental, que se quer separar do seu marido e recomeçar uma nova vida. O realizador do filme é o próprio Peter Handke.

VR: Não, a escolha é nossa. As pessoas que vêm comentar os filmes são uma espécie de curadores. São pessoas em que nós encontramos ligações com as obras dessas pessoas através desse filme, ou então em essas pessoas já escreveram sobre o filme. Há ligações mais ou menos implícitas entre o convidado e o filme escolhido. O convidado também não é escolhido por ser mais ou menos mediático ou conhecido; é antes escolhido pela relação que tem com o filme. Um dos exemplos é Orlando Grosseguesse, um alemão que vive em Guimarães, professor de Estudos Germânicos, e vem apresentar o filme “A mulher canhota”, de Peter Handke; é o primeiro filme que vamos apresentar, no sábado à tarde. Orlando Grosseguesse conhece bem a obra do Peter Handke, dramaturgo que escreveu diversos guiões para o Wim Wenders. Uma das premissas do programa é articular essa relação entre Wenders e Handke. Há múltiplas relações que vemos entre um e o outro; então desafiamos as pessoas nesse sentido. Elas próprias não contam com este tipo de convite.

VN: A esse propósito ocorre-nos o FamaFest em certo sentido, pela relação entre literatura e cinema. Não me parece que aqui este seja propriamente o centro da questão. É apenas uma casualidade?

VR: Não se trata de uma casualidade. As ligações entre cinema e literatura interessam-nos bastante, mas não é o tema do Close-Up. É antes uma das variantes. Já no ano passado foi explorada.

AS: O Close-Up não tem exatamente um tema; possui um mote orientador. Este ano o mote é a viagem, o ano passado foi a memória. Não tem essa pretensão, pelo menos até agora nunca se pensou propriamente no assunto, no sentido aglutinador partindo desse pressuposto. Todos os anos esse mote vai acontecendo. A forma como o Close-Up está organizado é o de um evento estável e bastante equilibrado, muito na sequência do que é também a realidade programática da Casa das Artes. Temos aqui uma pluralidade, mas em que um dos elementos diferenciadores é esta possibilidade de termos aqui este diálogo no final de cada filme, de termos aqui um conjunto de pessoas que têm uma relação com a obra, que podem contribuir com a sua ligação à obra, e que muito gostaríamos de manter.

A interação entre diferentes linguagens, sejam elas a escrita, a música, a fotografia ou a pintura, por exemplo, é um dos objetivos do Close-Up. André Príncipe, realizador, mas sobretudo fotógrafo reconhecido, dá a conhecer ao público, no foyer da Casa das Artes uma exposição original que é resultado de complementos ao seu filme “Campo de flamingos sem flamingo”, apresentado na anterior edição do Observatório..

VR: Em relação à questão que colocaste sobre a literatura, uma das coisas que mais nos interessa é a interação entre linguagens. Mas não nos ficamos pela literatura. Entre outros, iremos apresentar um exemplo relacionado com a fotografia – o Traces of a Diary, de Marco Martins e André Príncipe -, que os realizadores foram fazer ao Japão com cinco dos mais importantes fotógrafos japoneses. Boa parte deles são famosíssimos e quase não têm aparições públicas. Essa relação entre linguagens é um dos eixos principais. Chegamos mesmo a pensar numa secção própria. Mas não há tantos filmes assim a estabelecerem essa relação entre artes; hoje em dia começa a haver um pouco mais. Em próximas edições iremos tentar aprofundar esta ligação.

PC: Algo que o Close-Up tem tentado, este ano é evidente, é multiplicar o número de concertos e a ligação entre a música e o cinema. Essa ligação passa mesmo por criar música específica para certos filmes.

VR: Essa ideia é mais um exemplo da interação possível entre linguagens. Este ano temos as noites de abertura e fecho com filmes-concerto em estreia, mediante encomendas nossas. Isso tem a ver com esse apelo e interesse para a criação artística através do cinema e que tem a vantagem de pôr as pessoas a ver filmes importantes, da época do mudo, que não veriam numa situação normal. E essa ideia de ter uma banda sonora, criada por músicos interessantes, permite-nos também atingir um público mais vasto. Transforma aquele filme em concreto num espetáculo diferente. Já não se trata só de um espetáculo de imagens em movimento, também tem essa questão de tornar o espetáculo de cinema em algo diferente.

PC: O Cineclube de Joane teve aí uma palavra de avanço.

VR: O Cineclube fez isso pela primeira vez, salvo erro, no seu décimo aniversário. Alguns desses filmes-concerto também foram encomendas; nem todos. Outros festivais têm perdido um pouco nesse aspeto, pois têm apostado antes em concertos paralelos, o que é menos apelativo, uma vez que estes acabam por ser desvios ao próprio cinema. Acabam por ser pouco incisivos e a relação com o cinema é muito menos interessante.

PC: Curiosamente todos eles têm sido grupos de pop alternativa.

Os Dead Combo, hoje uma instituição da pop nacional contemporânea, irão (quase) encerrar o Close-Up 2017 com um filme-concerto. O desafio foi lançado a partir do filme Três Curtas-Metragens, de Reinaldo Ferreira, o famoso Repórter X.

VR: Os Dead Combo já são uma instituição!

PC: Quando vieram cá, da primeira vez, não tinham ninguém na plateia. Teriam talvez uns 30 espectadores; ou pouco mais.

VR: Os Dead Combo são uma banda quase perfeita para isto. O som por eles produzido nasce da ideia de banda sonora ela própria. Apesar de se encontrarem ligados a uma ideia de Portugal, e de Lisboa, em concreto, ao seu imaginário presidem (Ennio) Morricone e a ideia civilizacional americana. Eles têm uma mundividência muito relacionada com as imagens em movimento.

AS: Há aqui uma questão inerente, que é a de musicar um filme, o próprio filme a que os espectadores se encontram a assistir. Os Dead Combo são eles próprios, sobretudo, uma banda instrumental; aliam o som à imagem mesmo por si criada e apresentada. Aqui, nos próprios filmes-concerto, existe uma dificuldade, uma vez que estes podem, eventualmente, ser cantados. À partida, a questão é musicar o próprio filme. Há imagens riquíssimas que estão por detrás; na base temos as imagens, os frames a correr.

Fazer um filme-concerto, ou propô-lo – o que foi pensado -, também obriga a pensar a quem se propõe. Nem sempre há um universo específico, mas da última vez que estiveram cá, os Dead Combo criaram as suas nuances e uma disposição em palco completamente diferente do habitual, apresentando uma espécie de clube em palco, num conjunto de imagens muito peculiares.

Quanto à questão da encomenda, há uma certa diversidade que a própria Casa das Artes também possui e se propõe. A partir de uma determinada linguagem – e hoje isso é muito valorizado, mas também em simultâneo muito banalizado -, é possível desenvolver e apresentar, bem como acrescentar, outras artes a um espaço em que o cinema é apresentado e desenvolvido, em que o centro é o próprio cinema. É o caso da exposição “O perfume do boi”, do próprio André Príncipe (realizador de “Campo de flamingos sem flamingos”), forte e sugestiva tal como o seu título indica.

VR: Essa ideia de forte e de margem é algo que André Príncipe pretende atingir. Quando referi o Traces of a Diary poderia também ter referido esta exposição. Pretendemos que a programação seja consequente e relacionada. No ano passado, o André Príncipe esteve cá a apresentar o “Campo de flamingos sem flamingos”, numa das sessões mais interessantes, moderada pelo Vasco Câmara, filme que se fazia contra o Portugal transmitido pela televisão. O filme começa numa espécie de café em que as pessoas olham para as notícias e em que o André Príncipe sai para a rua, e sai para o país lá fora, não apresentado pela televisão, e que é provavelmente um país muito mais real, das margens, do interior, das caçadas. Esta exposição – O perfume do boi – é uma espécie de contra-campo desse “Campo de flamingos cheio de flamingos”. Enquanto ia filmando, André Príncipe também ia fotografando. É fotógrafo de formação e editor fotográfico. De certo modo, é mais um realizador por acidente do que o contrário. Ele ia fotografando enquanto ia filmando e nós vemos isto como uma espécie de continuação da programação do ano passado. Essa exposição que vai estar aí e apresenta sete fotografias de grandes dimensões também corresponde à ideia do cinema fora da sala; ainda é cinema.

PC: São imagens do filme?

VR: Não! São imagens de complemento às filmagens. São uma espécie de contra-campo. Uma das coisas que marcou, segundo as pessoas que estiveram cá no ano passado, no primeiro episódio que ocorreu em outubro, foi a instalação de Luciana Fina, um tríptico que instalou um ambiente particular no foyer e na própria Casa das artes, com essa respiração do cinema fora da sala.

PC: De facto, causava um certo impacto. Aquelas imagens gigantes, com olhares e expressões faciais algo surpreendentes, com o seu quê de inquisitivas e refletivas em simultâneo.

Segundo Álvaro Santos, a Casa das Artes, local onde decorrer o Close-Up, como os demais teatros, é um espaço de inquietude, uma vez que traz um sentido reflexivo e potenciador da crítica.

AS: A inquietude faz parte deste espaço. Poderíamos quase definir os teatros como espaços de inquietude, trazem um sentido reflexivo e potenciador da crítica. Mas podem e devem causar algum incómodo, mesmo do ponto de vista físico. A mobilidade é importante.

Voltando um pouco atrás: Os festivais de cinema apresentam frequentemente atividades paralelas, mas não vale tudo. Há uma série de atividades hoje em dia propostas: rappel, escalada… É possível fazer cruzamentos, e vejo-os com bons olhos, mas também é preciso ser criterioso. O rappel e a escalada têm que ter um sentido, têm que ter a ver com as coisas como elas acontecem e são planeadas. Dá um certo trabalho pensar. Mais do que isso, devem ser valorizadas as pessoas que pensam; e não estou a falar exatamente em nós. O Close-Up é um processo, é um projeto, e com a intenção que temos de ter uma utopia o mais perfeita possível, também temos de ter a capacidade crítica de perceber que nem tudo corre como exatamente pensamos e, quando assim é, é preciso fazer alguns ajustes. Foi o que aconteceu, mesmo em função do ano passado. Mas este formato, este projeto está já próximo daquilo que ambicionamos.

VR: Para rematar a ideia do cinema fora sala: É difícil pensar. Uma das características que pensamos quando estávamos a falar da conceção do Close-Up, e o Observatório de Cinema de Famalicão muito em particular porque é feito dentro de um teatro municipal, é que este não vem ocupar um teatro durante uma semana e se vai embora. Não! O cinema toma conta deste espaço durante uma semana, mas as pessoas pensaram no projeto durante todo o ano; e depois desta semana vai ainda reaparecer ao longo do ano seguinte. Este projeto é todo ele feito cá dentro.

PC: A Casa das Artes esteve durante muito tempo arredada do cinema. A partir da chegada do Cineclube de Joane passou a ter essa ligação, mas como sendo uma entidade externa que apresentava a sua própria programação. A partir de determinada altura, a Casa das Artes passou também a apresentar um cinema não alternativo, mais comum. O Close-Up surge como um aprofundamento dessa programação, como uma forma de dar ao público uma visão diferenciada do que é o cinema?

AS: Efetivamente, o Close-Up surge de uma forma muito natural. Porque estavam criadas todas as condições, até do ponto de vista técnico. Na cidade, mal ou bem, sempre tivemos cinema mais comercial, com um cariz muito mais direto e mais próximo das pessoas. Não vai assim há muito tempo, mas ainda há alguns anos havia a sala do Shopping Town. Eu próprio lá ia. Depois abriram algumas salas que entretanto fecharam. Quando cheguei à Casa das Artes, o Cineclube só tinha sessões à 5ª feira, mas depois, em conversa, há 12 anos atrás, resolvemos fazer um pouco diferente. O Cineclube já desenvolvia as suas sessões regulares de forma autónoma. O auditório era mais destinado às artes de palco, apesar da existência da máquina de cinema. Isto não era bem um cineteatro. O cinema nunca foi um dos centros da atenção. Depois, começamos a aprofundar a aposta nesta vertente, com outras sessões e secções: Foi criada a secção Cinéfilos, que era mais um dia adicional de sessões de cinema, o Cineclube começou a convidar comentadores, até que chegou a uma determinada altura em que a Casa das Artes e o Cineclube quase se confundem, e ainda bem. O Close-Up é da programação da Casa das Artes porque também temos a possibilidade, desde maio do ano passado, de termos esta mais-valia importante que é o Engº. Vítor Ribeiro. Que também era nossa intenção dar um cariz mais aprofundado e atenção absolutamente diferente a esta área do cinema, e criar algo especial, verdade se diga que sim, que era, e muito baseado nas ideias do próprio Vítor. Mas tudo isto tem um caminho e, hoje em dia, todas as demais salas fecharam. Na verdade, a Casa das Artes sempre teve uma programação de cinema.

Sessão para ver e ouvir será a de Mullholand Drive, a fascinante obra-prima de David Lynch, comentada por Vasco Câmara, autor do blogue do Público “câmara escura”. No seu retrato, Vasco Câmara afirma que “sem os filmes não saberia o que fazer”.

VR: Com C maiúsculo!

AS: Até se pode pôr tudo com letras maiúsculas. Agora o falar com os públicos é que passa um pouco ao lado – às vezes. Mesmo noutros géneros de programação as pessoas ficam admiradas. Mas agora vem cá a Malu (Magalhães).

VR: Pois! Estas coisas do estrelato agora são muito rápidas. É tudo de um imediatismo muito rápido.

AS: Também, ainda hoje, existem coisas deste género: Não sei se o público tem a noção que o Rui Veloso comemorou os 35 anos da sua carreira na Casa das Artes, uma atividade muito popular, ainda muito recentemente. A estratégia da Casa das Artes, para além de uma programação regular que ela própria sempre quis que fosse assim, muitas vezes de forma sistemática e permanente, com esta questão da continuidade, do movimento e persistência da nossa parte, passa também por apresentar momentos âncora, que trazem atualidade e modernidade. Isto hoje passa-se em muitos lados! O que vemos isto é frequentemente ao contrário. Quando as pessoas deixam de pensar, passam a vender só os pacotes, investe-se o dinheiro na foguetagem; mas não precisamos de fazer isso, ou tanto isso, pois de seguida passamos o ano em modo depressivo e soturno. No cinema é o que acontece. O Close-Up começou no ano passado; e é um orgulho enorme termos este programa em movimento.

VR: Tentando sintetizar, uma das coisas que se deve, em grande medida, à direção artística da Casa das Artes e até as próprias opções do Município relativamente a isso, o que distingue claramente a Casa das Artes, o que quase não acontece em teatro municipal nenhum, é o facto de o cinema aqui tentar ombrear com as outras artes. Normalmente, o cinema é olhado em último lugar. O habitual é a música, o teatro e a dança terem um lugar predominante; depois o cinema mete-se para lá, mas aqui o cinema está no mesmo plano. O cinema pode, por isso, ser apresentado num plano tão protagonista quanto as outras artes. O cinema é apresentado aqui sob três formas. Regularmente, para um público mais transversal, passa um tipo de cinema mais comercial, em geral cinema americano. Mas o cinema de autor está igualmente presente, aqui na Casa das Artes numa vertente bastante lata através do Cineclube. Por último pode ainda ser visto mediante uma programação mais intensa, próxima da ideia do festival que é o que o Close-Up pretende ser. Estas três vertentes que pretendem dar protagonismo ao cinema estão aqui na Casa das Artes; e também por aí se distingue a própria Casa das Artes. O Close-Up também vai distinguindo isto porque tem programação própria ao longo do ano. Não se fica por aquela semana de outubro. De dois em dois meses vai tendo nova programação. Num diálogo contínuo com a comunidade continuamos a trabalhar as secções já trabalhadas em outubro.

AS: Há uma ideia muito clara, ligada ao Close-Up. O Observatório tem essa parte muito vincada, e que se pretende trabalhar cada vez mais, que é também esse lado da formação de públicos. Não queremos impor nada a ninguém. Nós convidamos e seduzimos – chamaram-me a atenção que em inglês não se pode seduzir -, nós tentamos seduzir, porque estes processos de formação têm de ter esta constância de continuidade, de modo a que ao longo do ano, da temporada, no cinema e nas outras áreas, o público vá elaborando e desenvolvendo o seu gosto. E nunca se sabe, no futuro, o que poderemos tentar!…

PC: Pretendem criar extensões aqui no concelho?

AS: Há uma questão do ponto de vista técnico e, também, obviamente, do ponto de vista financeiro; não vale a pena escamotear a questão. O nosso universo é um negócio muito honesto e muito sério. Sabemos que estamos nesta comunidade e queremos potenciá-la. A todos os níveis! Acreditamos que as pessoas têm a potencialidade de serem mais críticas sobre a realidade que as rodeia, mas também desenvolvendo algum gosto que, porventura, as pessoas nem sabem que o têm.

PC: Quando não se prova….

Programação diversificada para públicos diversificados. Como linha comum a toda a programação estão “A Viagem” e a qualidade das escolhas.

AS: Costumava dizer sobre os meus que eles nunca saberiam o que é uma “Posta à Mirandesa” se não a experimentassem no Artur de Carviçais. É indispensável estar em contacto, o experienciar experienciando, que é a nossa ideia, no fundo é a nossa grande missão. Os projetos nunca acabam; trata-se sempre de um comboio em andamento. Esta ideia da viagem é linda, é uma ideia lindíssima. É um processo que está em curso, mas ao mesmo tempo um renovar do empolgamento, da motivação e da aprendizagem. Às vezes, as pessoas surpreendem-nos quando nos enviam certas sugestões, sejam elas gente nova, ou menos nova, que está atenta, muito atenta. Este é um processo que tem de continuar de forma séria e planeada.

VR: Deixa-me fazer aqui um pouco de propaganda ao nosso sucesso! (sorrisos). Gosto pouco desta palavra, quando se fala em causa própria ela não faz muito sentido, mas uma coisa que é muito satisfatória é a forma como o Close-Up entrou claramente, logo na 1ª edição, no calendário dos grandes eventos do país, e nota-se isso pela forma como a comunicação tem sido gerada. Até porque facilita bastante o trabalho que estamos a fazer junto da comunidade.

AS: O que nos responsabiliza bastante! Gostamos do desafio. O Vítor referia há pouco o próprio teatro e a forma como as coisas acontecem. Isto funciona quase como um vaso. Quando a coisa está em campo aberto, ela vai alastrando. Mas ao mesmo tempo, temos uma noção muito precisa, e sempre tivemos esta consciência muito séria, de que gostamos deste acompanhamento. E ainda bem que isso aconteceu, mas também é mérito de quem está a fazer o seu planeamento. É preciso ter know-how, saber o que se anda a fazer. Já disse aqui uma do pensamento, agora estou aqui a dar esta, parece que até estou aqui a dar alguns recados, mas não estou; estou apenas a fazer uma reflexão, sobre a forma como as coisas acontecem. Toda a gente anda, na nossa sociedade, à procura do mito e do ídolo. Não fazemos plágio, não fazemos cópias. Esta criação traz mais responsabilidade, mas é confortável porque existe este processo de intencionalidade. E não faço mais referências a nada!…

VR: Este formato desafiante correu bem em termos de comunicação, bem como nessa relação com o espectador e a comunidade em geral.

PC: Nos filmes do ano passado, por vezes, não havia muito público, mas também creio que não será o essencial da vossa proposta. Parece que, embora se queira captar público, não terá que haver forçosamente sempre casa cheia. O observatório é um conceito diferente do de festival.

VR: Há plateias muito diversas. Queremos ter sempre muito público! Não trabalhamos para nichos, tentamos sempre distanciar-nos dessa ideia porque trabalhamos com uma comunidade em geral. Há filmes que provavelmente falam com uma maior quantidade de pessoas do que outros; não vamos deixar de os escolher apenas por causa disso.

AS: Não vamos culpar ninguém! Se é uma questão da própria sedução… As portas estão abertas.

VR: A ideia dos filmes serem comentados é mesmo trazer mais gente, ter aí um fator de atração porque acrescenta valor.

PC: Uma vez que abordamos a programação: Quais são então os dois ou três destaques essenciais de entre o geral da programação que está previsto acontecer? O que é que, de facto, não se pode ou não deve perder?

Marco histórico na História do Ciema, o filme de Dziga Vertov, O homem com a câmara de filmar, é um trabalho poético documental da vida nas grandes cidades russas do início do Séc. XX. Será apresentado sob a forma de filme-concerto, com música original dos Sensible Soccers na noite do 1º dia do Observatório.

VR: Para além dos filmes-concerto de que já falamos, na secção principal, “Tempo de Viagem”, fomos buscar um documentário de preparação do filme Nostalgia, em que basicamente esse documentário é uma conversa entre Tarkovsky e Tonino Guerra. Este serviu de ideia que acionou esta chegada ao mote da viagem. Essa secção é uma secção enorme, tem 13 filmes. Está muito presente o tema da viagem e também apresenta cinematografias muito diferentes, de todos os continentes, com cinema contemporâneo e da História do cinema. Este é claramente um dos destaques.

Depois, nas Histórias do Cinema, temos vários ciclos de cruzamentos. Já falamos há pouco, aqui, do Wim Wenders e do Peter Handke.

Outro dos destaques é o David Lynch. Um dos destaques do cinema deste ano é a 3ª série de “Twin Peaks” e, felizmente, foram entretanto repostos dois filmes do Lynch muito relacionáveis com esta série: o “Mulholland Drive”, provavelmente a sua obra de excelência, a sua obra-prima, e o “Twin Peaks | Fire walk with me”, em português “Os últimos sete dias de Laura Palmer”, uma espécie de prequela da própria série, para além de um documentário sobre “The Art Life of David Lynch”, que fala um pouco da sua vida e obra dando destaque a uma característica: a sua atividade principal atual, a pintura. Conseguimos aqui uma série de relações com a filmografia do David Lynch que nos interessa bastante.

“Armindo e a Câmara Escura” é uma das curtas-metragens da autora Tânia Dinis a ser apresentado, e por si mesma comentado, bem como por Catarina Laranjeiro, na sessão que lhe é dedicada. Tânia Dinis é famalicense, motivo de curiosidade extra para a presença no Close-Up, no sábado, 13, pelas 15h30.

Deixa-me também, aqui, dar nota da secção Fantasia Lusitana, que representa o panorama de produção portuguesa e que este ano entregamos a mulheres cineastas. Este ano demos conta que há muita produção portuguesa feita por mulheres. A função de realizador já foi mais masculina, até dava a sensação que era precisa uma disponibilidade física (para se ser realizador). Com efeito, Portugal, mesmo comparado com outros países, em especial europeus, tem (proporcionalmente) mais mulheres realizadoras, em especial no setor documentário, o que é salutar. Encontramos aqui uma série de filmes que lidam com essa ideia do cinema português no feminino. Vamos ter cá um filme em estreia absoluta! Iremos apresentar uma sessão de curtas-metragens de Tânia Dinis, uma famalicense. Tânia Dinis é uma artista que tem já uma carreira estabelecida na área cinematográfica. Começou como atriz; é até uma atriz até bastante relevante no panorama do cinema português. Como realizadora começou há uns anos a trabalhar com um arquivo de fotografias e a construir narrativas a partir desses arquivos. O seu percurso começou como algo fora da intimidade até chegar, mais recentemente, a coisas que lhe são próximas. Começou por comprar álbuns fotográficos em feiras e a construir narrativas a partir daí. O que nos fez interessar pelo seu trabalho foi o facto de, não só nos filmes, mas também no teatro e noutro tipo de performances, estar sempre relacionado com esta ideia de memória, de arquivo. O próprio processo de construir a narrativa e o próprio filme também fazem parte do filme ele mesmo, o que tornou os filmes ainda mais interessantes. Este filme que Tânia Dinis vai aqui apresentar – “O Armindo e a Câmara Escura” -, dá-nos a conhecer o seu avô. Ele era fotógrafo de casamentos com a ambição de ser artista. Até aqui, Tânia Dinis nunca tinha visto os seus arquivos, conhecia pouco do seu trabalho, e este filme foi o pretexto para tomar conhecimento da atividade do avô. Está neste momento a acabar o filme; estamos muito curiosos com o que vai ser apresentado.

PC: Essa faceta do Close-UP, o facto de apresentarem aqui filmes completamente novos ao público, é muito interessante! No 1º episódio, no ano passado, haviam apresentado um filme idealizado a partir da obra do realizador Abbas Kiarostami – o filme intitulava-se precisamente “Cinco para Kiarostami” – , no qual o Vítor Ribeiro também colaborava na realização.

VR: Sim! São novos e produzidos cá.

AS: É uma lição grande!

VR: Pretendemos dar continuidade a esse trabalho. No entanto, esse trabalho entronca com dificuldades no plano financeiro. Vamos conseguindo ultrapassá-las com alguma imaginação. No ano passado, esse filme até correu muito bem.

PC: Gostamos muito.

VR: Foi um filme quase sem orçamento, que dependeu muito de pessoas que nos são próximas. Também só foi possível porque um conjunto de pessoas habilitadas, e que são chegadas ao projeto, foram capazes de trabalhar sem auferir qualquer tipo de rendimento.

Temos que pensar que isto não é viável de fazer sempre. Mas a ideia é dar uma continuidade a esse trabalho. A ideia das produções próprias, parece-nos mais interessante do que a de um concurso.

AS: Partindo daí, algo ainda muito embrionário, mas que faz parte do processo, é tentar fazer uma parceria internacional. Caminhamos para o sonho, as nossas, próprias utopias. O caminho vai-se fazendo, vai-se contruindo. A ideia, de facto, é tentar encontrar ligações e parcerias de produção no plano internacional. Estamos a falar de produção! O mundo não é tão grande quanto parece, hoje em dia ainda menos. Pode acontecer uma parceria com algumas entidades. Pode acontecer! A Casa das Artes não tem autonomia jurídica neste momento, não sei como será o futuro. Não sei qual será a ideia do Município, nomeadamente, e do Dr. Paulo Cunha, em particular, que é um homem esclarecido sobre isso, muito inteligente e de ideias muito precisas. O Dr. Paulo Cunha tem-nos permitido uma certa autonomia. No entanto, e há que deixar bem claro, a Casa das Artes não é um barco com um leme autónomo; este é um departamento da Câmara Municipal. Mas ele dá-nos essa margem porque tem uma determinada visão e confia em nós. Temos esta forma empenhada de estar, e por vezes queremos até mais e reclamamos, porque queremos andar para a frente. No futuro, não sei se existe alguma possibilidade de ganharmos mais autonomia, não independência, do ponto de vista jurídico, o que acontece com muitos teatros dos países aqui ao lado. A Casa das Artes é um espaço municipal; nunca poderia ser independente.

Acrescentemos uma nota, por uma questão de esclarecimento: Enquanto município, podemos estabelecer parcerias com outros municípios, não com outro tipo de entidades, como o The Globe, o Teatro de Shakespeare, em Londres, por exemplo. Estas parcerias são realizadas entre entidades dentro do mesmo nível, do mesmo plano. Tivemos durante muitos anos uma parceria, na área da dança, com o EDge performance company, da London Contemporary Dance School, mas o Município não pode candidatar-se a fundos comunitários, por exemplo, na área da produção artística. Estas candidaturas têm de ser feitas em nome do teatro, mas uma vez que a entidade jurídica é o Município, já não nos podemos candidatar a fundos comunitários. A Casa das Artes, se fosse juridicamente independente poderia estabelecer uma parceria com um festival estrangeiro, por exemplo. No futuro quem sabe! Isto faz com que se possa crescer mais. Queremos aprofundar essa autonomia! Sabemos qual é o caminho que queremos trilhar. Referimos com frequência, esta discussão coloca-se a todos os níveis, que hoje é bastante difícil combater o mainstream direto e óbvio, quase rotativo, combater aquela caixinha tão fechada. Quando alguém tenta saltar um bocadinho da caixa surgem logo dificuldades. Há aqui um problema de inteligência da comunicação social. Ao não permitir essas oportunidades, provoca a entrada num processo autofágico. Se não têm nada para dizer, ninguém lhes dá atenção e morrem. Se tivermos coisas que podemos estar sempre a dizer, olha-se para aqui, olha-se para ali… Ninguém liga! Muitas vezes é um desafio ao próprio poder instituído, o que não tem nada só a ver com os poderes partidários, é um desafio à forma como estão instaladas as organizações e as instituições. Faça-se a escolha: Ou as pessoas entendem que o caminho não é este ou não nos podemos queixar. O que procuramos neste teatro, seguindo algumas normas, porque temos os públicos que queremos convidar, é trazer as pessoas e, depois de estarem aqui dentro, seduzi-las para novas propostas.

O Close-Up é um processo intencional destinado a criar e formar públicos de cinema. Ainda que não de forma exclusiva, tem já também o objetivo de dar o salto para a produção de imagens com qualidade cinetográfica, em especial na sua relação com o público escolar,

O Close-Up não é propriamente um acaso; é o caso do cinema. Ainda estamos numa fase muito inicial. Acabaremos por passar a um estádio superior. Tudo está assinalado para que assim seja. Ouve-se sempre a mesma coisa, e acha-se que é tudo espetacular. Mas não é, e não se valoriza ainda o suficiente quem tenta trabalhar todas as áreas da linguagem. Não se trata de uma questão de moda, nem apenas de sobrevivência. Temos de tentar sair desta base circular e andarmos em frente. O principal desafio que nos renova diariamente até a alma, a nossa atividade, é todo ele dirigido para o público, para as pessoas. Vamos dar-lhe sempre a mesma coisa? “O menino só quer ir ao McDonald’s!”. Só se pode ir ali. Mas então, repito, vamos dar-lhe sempre a mesma coisa? “Quero lá saber, amigo! Então o senhor não está a ver mais ao longe!?” Esta provocação é um bocadinho sistemática. Nem sempre a malta está com os píncaros da felicidade ao rubro. Mas é o nosso trabalho. Quando não estivermos para aí…

PC: Em complemento aos destaques atrás referidos, o Close-Up apresenta ainda uma série de atividades ligadas às escolas.

“Pronto, era assim”, de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues, é um dos filmes a ser apresentado ao público em idade escolar (1º e 2º Ciclos). O filme tem como ponto de interesse suplementar a realização de masterclasses apresentadas pelas próprias realizadoras.

VR: Esse é um dos eixos importantes da nossa relação com a comunidade, o cinema para as escolas. Temos nesta edição nove sessões para escolas, muito diversas. Temos cinema de animação, Chaplin, Victor Erice. Temos filmes para todos os escalões etários e temos convidados a comentar essas sessões de acordo com o público escolar. O Chaplin, por exemplo, fala para muita gente, fala para públicos muito diversos. O “Tempos Modernos” vai ter duas sessões, para o 1º e 3º Ciclos; é um filme riquíssimo a esse nível. Pode-se olhar só pelas acrobacias do Charlot, mas há também o mundo do trabalho, as transformações sociais entre as duas grandes guerras. Queremos usar isso! Claramente o cinema para as escolas é um dos eixos mais importantes do nosso trabalho. Estamos a apoiar a implementação do Plano Nacional de Cinema aqui no concelho. Já temos cinco agrupamentos a aplicá-lo; de entre os sete existentes em Famalicão. Quando começamos o nosso trabalho só havia um, o Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco. Queremos acreditar que demos bastante para esse peditório e que grande parte dessa adesão também se deve ao nosso trabalho. Achamos muito importante que o cinema comece a entrar mais nas escolas e não seja apenas usado para uso didático, que o cinema também seja parte integrante dos programas, bem como que também seja facultado o ensino da sua linguagem e o enriquecimento dos alunos como espectadores que já são e continuarão a ser no futuro.

O espírito da colmeia, do espanhol Victor Erice, filme incluído no projeto CinEd, será comentado e apresentado pela equipa da Associação Os Filhos de Lumière numa sessão exclusivamente dedicada a professores.

Apresentaremos ainda, no plano da ligação às escolas, uma sessão especial para professores, no dia 16, segunda-feira, à tarde. Será projetado o filme “O espírito da colmeia”, de Victor Erice. Vai cá estar a Associação Cultural Os Filhos de Lumière, uma das associações portuguesas com um trabalho mais relevante e duradouro junto das escolas. Esta faz parte de uma plataforma europeia, o CinEd, que liga o cinema e a educação e possui os direitos de um conjunto de filmes que podem ser exibidos em âmbito escolar. Essa sessão com os professores é uma forma de trabalhar com os interlocutores de cada um dos agrupamentos que trabalham o cinema nas escolas e será, com toda a certeza, uma sessão desafiante. Os Filhos de Lumière têm o trabalho não só de mostrar cinema; eles próprios também trabalham com os agrupamento de escolas a fazer filmes. Mas não é apenas fazer filmes, é fazer cinema; não se ficam por imagens em movimento desqualificadas.

Um dos projetos que no futuro próximo queremos tentar fazer é dar esse passo de os termos cá a fazer esse trabalho com os agrupamentos de escolas, ao longo do ano letivo, e produzir aqui filmes; e até mesmo apresentarmos no Close-Up os seus resultados.

AS: Tem de haver um plano, ver até que ponto é exequível e depois aplicá-lo.

VR: Não referimos ainda a secção Infância e Juventude. No ano passado, começou menos forte. Conseguimos ter 25 sessões em 4 dias, o que não nos permitiu expandir por onde queríamos, embora seja uma secção a que queremos dar relevância. Queremos mostrar essa ideia de como esta arte apresenta a infância e a juventude no cinema, de como decorrem esses períodos muito particulares de vivência do humano. Este ano, essa secção também está particularmente forte.

Numa das atividades propostas na secção Famílias, “Kubo e as duas cordas”, de Travis Knight, dará origem a um workshop de origami, técnica utilizada na produção do filme, apresentado pel’ A Casa ao Lado no final da sessão.

Destinado ao público mais geral, temos ainda a secção Famílias. Cruzando linguagens, vamos ter dois filmes de animação que expectamos cheguem a um público muito vasto, em que esperamos falar com toda a comunidade e várias gerações, “Kubo e as duas cordas” e “O Menino e o Mundo”. A ideia, relativamente ao primeiro filme, é aplicar um workshop de origami, o tipo de trabalho das animações do filme.

AS: No outro, Pedro Carvalho, um dançarino e performer, também professor de matemática, relaciona a dança com esta disciplina. Aliás, já apresentou na Casa das Artes “A Dança com Números” que, na altura, deixou o público muito-muito interessado.

VR: A ideia é ver o filme “O Menino e o Mundo” e, no final, dançá-lo. É indispensável realizar uma pré-inscrição de 10 pares de crianças e adultos.

AS: É preciso dispor de tempo para assistir ao filme e depois participar no workshop.

PC: Em jeito de conclusão desta entrevista, apetece dizer ao potencial espectador: Viaje! “Vá para fora, cá dentro”, como se afirma naquela campanha turística sobre Portugal. Esperemos que este Close-Up nº 2 seja um sucesso, tal como o nº 1 também já o foi, mediante o atingir dos seus objetivos de captação de público e de alteração do modo de olhar o cinema.

Andrei Tarkovsky, poeta do sentido da vida e da existência humana, deixou em Nostalgia, de 1983, uma inelutável marca na História do Cinema. Para comentar este filme, o Close-Up convidou João Catalão. Sessão às 15h00 de domingo, 15.

Inclusão | Educação especial e Escola para Todos

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Imagem de destaque: Pedro Costa

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