‘Nos últimos anos a especialidade evoluiu de forma extraordinária, em paralelo e em função da informática’

Imagiologia, a radiologia do Século XXI

Imagiologia, a radiologia do Século XXI

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A imagiologia é uma especialidade médica (…) e como tal deve ser enquadrada.

Deverá ser, pois, exceção a realização de um exame por iniciativa do utente. 

 

A radiologia, como especialidade médica, abrange os serviços e investigação  relacionados com as imagens médicas que interessam aos problemas de saúde em geral e potenciam a resolução dos mesmos em particular.

Nos últimos anos a especialidade evoluiu de forma extraordinária. Essa evolução decorreu paralelamente e em função da informática, isto é, dos computadores.

Há 30 anos atrás, a radiologia baseava-se em pouco mais que em imagens analógicas obtidas por emissão de radiações (raios x) com sensibilização de películas fotográficas cuja revelação era efetuada por métodos químicos.

Atualmente a especialidade é muito mais vasta, abrangendo imagens com base noutras energias e radiações, nomeadamente a ecografia, a tomografia computorizada e a ressonância magnética. Por outro lado, a própria imagem “clássica” evoluiu para “radiologia digital”, em que os mesmos raios x impressionam detetores que produzem informação digital em computadores, configurando a “radiologia digital” de hoje, que é também a natureza das novas técnicas.

Por estes contextos, nos nossos dias esta especialidade médica deverá ser designada de forma correta por Imagiologia, embora o termo radiologia se mantenha na prática.

Exames imagiológicos

Os exames de Raios X consistem em projeções (planos) de áreas do corpo, obtendo-se imagens para estudo do tórax e estudos dos ossos e articulações, sem necessidade de qualquer tipo de preparação e sem utilizar produtos de contraste, designando-se estes por estudos “simples”. Já nos aparelhos digestivo e urinário, os estudos simples são limitados em relação aos resultados obtidos, pelo que são frequentemente utilizados produtos de contraste.

A Mamografia, por exemplo, é uma técnica de imagiologia específica, baseada em raios x. Esta é o melhor método de diagnóstico de patologia da mama possibilitando deteção de lesões mamárias não palpáveis e infraclínicas, isto é, não detetáveis clinicamente. Por isso esta é a técnica utilizada nos rastreios do cancro da mama. Em especial as mulheres devem realizá-la de acordo com uma periodicidade definida pelo seu médico de família em função de diversos fatores, tais como a idade ou a genética.

Por seu lado, a Ecografia utiliza os ultrassons. Em concreto a sua propagação ou as suas reflexões (ecos) nas estruturas orgânicas, formam imagens digitais com valor diagnóstico; permite detetar lesões focais ou difusas em órgãos sólidos, como o fígado, pâncreas, baço, rins, próstata, mama, tiroide, útero e ovários.

Ecografia

A avaliação ecográfica decorre “em tempo real”, sendo realizada tanto em repouso como em movimento. Permite realizar uma avaliação da parede dos vasos, observando placas de ateroesclerose e trombos, existência de estenoses (apertos) e, com o efeito de Doppler, avalia e quantifica os fluxos, índices de resistência de grande valor no estudo das artérias carótidas e dos membros inferiores, bem como no estudo da insuficiência venosa (varizes) dos membros inferiores.

A ecografia cardíaca (ecocardiografia) permite a observação dinâmica das paredes e das válvulas do coração, avaliação de débitos, de fluxos regurgitantes, de estenoses e resistências, permitindo obter informações decisivas nesta área clínica.

É muito importante também a utilidade da ultrassonografia no acompanhamento da gravidez, detetando precocemente anomalias funcionais e morfológicas do feto.

A ecografia é utilizada para a realização de citologias aspirativas e biópsias com o controlo da agulha em relação à lesão, permitindo a recolha de fragmentos representativos da lesão, reduzindo os falsos negativos destas técnicas. Aplica-se na tiróide, mama e outras glândulas. Na próstata quase todas as biópsias são guiadas por ecografia.

No conjunto dos vários meios complementares de diagnóstico, a ecografia sobressai pela sua versatilidade, acessibilidade, custo reduzido, pelo facto de ser indolor e nada invasiva e ser praticamente inócua. Excetuam-se os exames endocavitários, realizados, por exemplo, para avaliação do útero ou dos ovários, que causam algum desconforto, que a forma dos equipamentos e lubrificação devida tendem a minimizar.

Tomografia Axial Computorizada – TAC

Por sua vez a Tomografia Axial Computorizada, vulgarmente identificada como TAC ou TC, consiste na obtenção de dados por equipamentos de raios x com detetores, que, após processamento informático/computorizado, originam imagens  de secções dos vários segmentos do corpo nos diversos planos: axial, coronal, sagital e oblíquo e até mesmo reconstruções tridimensionais.

A TAC pode ser utilizada em todos os segmentos do corpo. Em caso de necessidade, podem mesmo obter-se imagens de corpo inteiro.

Nos exames de TAC é muito frequente a utilização de contrastes. Dentre estes o contraste  endovenoso merece ser destacado; trata-se de um composto que contém iodo e que serve para opacificar os vasos e mostrar a atividade e a vascularização dos tecidos normais ou doentes. É utilizado numa pequena percentagem de exames e a decisão dessa utilização é da responsabilidade do médico radiologista, com o devido consentimento do paciente.

A injeção de contraste iodado provoca por vezes algum calor passageiro na garganta, que se estende ao resto do corpo, geralmente de pequena intensidade, mas na maioria dos casos não é sentida qualquer reação. Em casos pouco frequentes pode conduzir a algumas reações alérgicas de pequena gravidade, mas em casos extremamente raros pode conduzir a reações alérgicas de gravidade.

Por esta razão, geralmente não é administrado contraste a doentes com condições cardíacas graves, insuficiência renal, bem como também a pacientes com história de reações alérgicas significativas e/ou asma brônquica.

Ressonância Magnética

De entre o conjunto de exames utilizados nos nossos dias pela Imagiologia, destaca-se a Ressonância Magnética (RM). Esta utiliza uma tecnologia muito complexa, a qual se baseia em ondas de radiofrequência num forte campo magnético. Obtém imagens do corpo humano nos vários planos (axial, coronal e sagital) e estudos funcionais.

Não utiliza radiações X nem outras radiações ionizantes e é considerado inócuo, isto é, inofensivo para o organismo. Por esta razão, alguns médicos defendem mesmo que hoje em dia se deveria utilizar esta técnica como ponto de partida para a realização de diagnósticos em detrimento de outras mais simples, como o raio X. Evitar-se-iam, assim, riscos desnecessários, no longo prazo, para os pacientes.

A ressonância magnética tem indicações vastas, de que são exemplos mais frequentes a patologia articular (joelho, tornozelo, ombro, anca, por exemplo), a patologia do sistema nervoso central (cérebro e medula espinal), e a patologia abdominal, entre outras.

Para a realização da RM, o paciente deita-se na mesa de exame e é lentamente encaminhado para o interior do aparelho, onde serão adquiridas as imagens dos órgãos a analisar. É muito importante seguir as instruções do radiologista que executa o exame e permanecer imóvel durante os períodos de 5 a 10 minutos que dura cada fase ou “sequência” do exame. O exame é indolor e não há nenhum contacto do equipamento com o corpo.

O tempo de exame é variável, podendo durar de 20 a 40 minutos. O técnico e/ou o médico radiologista estarão na sala de comando, sempre em contacto visual e auditivo com o paciente.

Durante o procedimento, ouvir-se-á um som intenso proveniente do aparelho, que é normal e comum a todos os aparelhos. Por este motivo, e para proteção auditiva, são fornecidos auscultadores, com música de fundo ou outro protetor contra ruído.

As dimensões do interior do aparelho podem limitar a colaboração de doentes que sofrem de claustrofobia severa. Nesse caso, pode ser útil uma visita prévia, guiada, às instalações, incluindo uma familiarização com o equipamento, para ultrapassar este inconveniente.

De significativa importância, pelo alcance da sua análise na prevenção de certas doenças dos ossos, o radiologista dispõe ainda da Densitometria Óssea. Esta é uma técnica que permite medir a quantidade de osso nas diferentes partes do esqueleto e predizer assim o risco de fraturas. É ainda possível monitorizar as modificações na densidade mineral óssea devido a doenças que interferem no metabolismo ósseo ou na resposta a terapêuticas, com o intuito de minimizar os efeitos da osteoporose.

Existem variadas técnicas para predizer o risco de fratura óssea. Contudo, nem todas têm a capacidade de avaliar a densidade mineral óssea nos locais mais atingidos pela osteoporose como as vértebras, a anca ou o punho.

Durante a realização de um exame de Densitometria Óssea, o doente deita-se confortavelmente sobre uma mesa enquanto o aparelho percorre uma ou mais áreas, geralmente as regiões mais suscetíveis a fraturas, como as vértebras ou a anca.

Ao contrário dos aparelhos convencionais de Radiografia, a exposição aos Raios-X durante a realização de uma Densitometria Óssea é extremamente baixa, podendo ser inferior à que é recebida, por exemplo, durante uma viagem de avião.

No entanto, como em todos os procedimentos com radiações, a mulher que considere a possibilidade de estar grávida deve informar o médico ou técnico de radiologia.

Imagiologia de intervenção

Por último, cabe ainda uma referência para um campo  da imagiologia que é a radiologia de intervenção. Esta conjuga todas as modalidades de imagem médica em procedimentos não só de diagnóstico, antes sobretudo na vertente de tratamentos invasivos sim, mas que se posicionam como opção ou, muitas vezes, como alternativa única  a procedimentos cirúrgicos. A radiologia de intervenção é uma técnica importante, mas com necessidade obrigatória de enquadramento em ambiente hospitalar.

A imagiologia é uma especialidade médica. Como tal deve ser enquadrada, isto é, os exames de diagnóstico deverão ser requisitados por médicos das diversas especialidades clínicas. Em seguida são efetuados por médicos radiologistas ou sob a sua supervisão, os quais elaboram os respetivos relatórios. O relatório é o instrumento fundamental de todo o processo, retornando ao clínico que o despoletou e que, em conjugação com outros elementos, implementará um plano terapêutico ou configurará orientação devida em outros procedimentos médicos.

Deverá ser, pois, exceção a realização de um exame por iniciativa do utente, uma vez que ao relatório haverá que dar seguimento clínico adequado, já que de outra forma pouco ou nenhum valor possuirá.

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15/10/2017 | Para bem de Famalicão e dos famalicenses

Imagem de destaque: Maria Rita Pimentel (ilustração)

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Categorias: Ciência, Saúde

Acerca do Autor

Fernando Gonçalves

Especialista em radiologia desde 1996. Entre outras unidades, exerce atualmente a sua atividade profissional no Hospital de Riba d'Ave.

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