‘As Autárquicas são as eleições em que a democracia mais se aproxima do seu sentido participativo’

Votar em liberdade, uma das ‘coisas mais belas que um homem pode fazer na vida’

Votar em liberdade, uma das ‘coisas mais belas que um homem pode fazer na vida’

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“Quando chega domingo faço tenção de todas as coisas mais belas que um homem pode fazer na vida”, declarava Mário Viegas a quem o queria ouvir, quando dizia o delicioso poema de Manuel da Fonseca.

Todos nós o sabemos, em particular aqueles que são eleitores: 1 de outubro de 2017 é dia de eleições autárquicas.

É dia eleitoral, mas é dia também de mil e uma possibilidades mais. Podemos ir à missa, por ser domingo e tantos portugueses o fazem, podemos ir ao futebol, e tantos outros o fazem, podemos fazer a nossa caminhada ou volta de bicicleta matinal, sozinhos ou em pequeno grupo; e tantos, tantos de entre nós o fazem.

Domingo é dia de folga, dia de volta, dia de descanso, dia de diferente. Talvez por essa razão, em Portugal, se vote sempre ao domingo. Para quê fazer eleições às terças, quartas ou quintas-feiras se as podemos realizar nesse dia especial, diferente de todos os outros que é o domingo? Para quê, de facto, vulgarizar um dia eleitoral, desvalorizando o que não é vulgar?

Há que aproveitar o domingo! Aproveite este dia! Não o deixe passar em branco. Entre outras possibilidades, faça o seu almoço familiar de sempre num dos seus restaurantes favoritos ou em casa de um irmão, sogra ou cunhada, aproveite para fazer o que habitualmente não pode e vá namorar, calmamente, enquanto é dia e sentir também os cheiros a jardim ou a maresia, visite um museu – ou uma igreja que, durante as tardes também estão abertas e são menos local de culto e mais museu, sozinho ou em boa companhia, aproveite até para fazer as pazes com a leitura, hoje em dia cada vez mais difícil, e leia um livro.

Mas, no fim de tudo, não deixe apenas aos outros uma dessas “coisas mais belas que um homem pode fazer na vida”. Dirija-se, logo pela manhã, ao meio-dia ou apenas durante a tarde a uma das mesas eleitorais que se encontram espalhadas por Famalicão (ou por outro lado qualquer que em todo o Portugal é dia de votar) e vote.

Vote num dos 4 candidatos e respetivos partidos e/ou coligações candidatos à Câmara Municipal. Vote e escolha uma de entre as equipas, por vezes constituídas por dezenas de homens e mulheres, dispostas a trabalhar por si, e para si, durante os próximos 4 anos. Vote e aproveite bem aquele momento de poesia que o 25 de abril também lhe deu, aquele momento em que só, perante o boletim de eleitor, assume a liberdade de escolher se e quem quer que trabalhe em prol de si e da sua comunidade; ou até mesmo de não o fazer, embora sabendo que outros o farão (e, assim sendo, também por si). Tem, nesse momento, a oportunidade, e a possibilidade, de colocar parte da sua vida nas mãos do seu amigo de infância ou juventude, do vizinho em quem confia, naquele homem ou mulher que apenas conhece de vista, mas de quem lhe disseram muito bem ou apenas que, pura e simplesmente, é da cor do seu partido de eleição. É que as Autárquicas são as eleições em que a democracia mais se aproxima do seu sentido participativo, em que todos nós temos a oportunidade, e possibilidade, de influenciar de forma mais direta as transformações  que a nossa comunidade viverá nos próximos tempos.

Ou, então, não vote – o 25 de Abril também lhe deu essa possibilidade – e deixe essa oportunidade, e possibilidade, fugir.

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Categorias: Editorial, Política, Sociedade

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Pedro Costa

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