Vila Nova de Famalicão

Grande Entrevista | Domingos Costa: Trabalhamos para melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos e eleger um deputado municipal

Grande Entrevista | Domingos Costa: Trabalhamos para melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos e eleger um deputado municipal

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Domingos Costa, militante do PCP, é o candidato cabeça de lista à Câmara Municipal do nosso concelho pela coligação PCP-PEV. Homem de trabalho e convicções profundas de uma vida, vê-se pela postura e pela forma como fala que tem uma vida de dedicação militante à melhoria das condições de vida dos mais desfavorecidos.

 

 

Vila Nova (VN) – Estamos em Famalicão, em 2017. Sabemos que entre os partidos da esquerda famalicense decorreram conversações pré-eleitorais com o objetivo de tentar mais facilmente afastar Paulo Cunha da governação municipal, o que recorda anteriores eleições autárquicas, em Lisboa, que levariam Jorge Sampaio ao poder municipal e mais tarde à Presidência da República. Do seu ponto de vista, o que é que correu mal, ou que terá corrido menos bem de modo a impedir tal acordo?

Em 1997, uma aliança sui generis à esquerda afastou até agora a coligação de direita que desde as primeiras eleições autárquicas pós-25 de abril governava a cidade. Em Famalicão só acordos pós-eleitorais poderão, eventualmente, consegui-lo. A menos que, é claro, se dê uma surpresa e um só partido, à esquerda, consiga uma maioria absoluta.

Domingos Costa (DC) – Pode dizer-se que nada correu mal. De facto chegaram a existir contactos nesse sentido. A proposta de uma aliança pré-eleitoral chegou do PS, mas esta foi recusada porque contrária às determinações da CDU. A CDU poderá chegar a alguma forma de entendimento apenas após as eleições de 1 de outubro. A atual solução governativa nacional resulta de um suporte claro da CDU à mesma – recorde-se que Jerónimo de Sousa afirmou “O PS só não será Governo se não quiser” -, no entanto sob condições de permanente negociação.

VN – “CDU, A força necessária no concelho e no país” é o slogan de um dos vossos outdoors mais visíveis. Quais são as vossas aspirações para esta candidatura por si liderada à Câmara Municipal?

DC – O trabalho do PCP é sempre um trabalho de equipa. Com a colaboração de todos, esperamos conseguir eleger um deputado municipal. Esse é o nosso grande objetivo; e é possível que o concretizemos. O trabalho anteriormente realizado junto das populações, servindo os seus interesses e estando em contacto com elas, em particular aquelas que vivem com mais dificuldades, ajudará a concretizar este desejo e esta necessidade.

Os últimos anos assistiram a uma evolução positiva dos rendimentos e dos direitos dos trabalhadores, mas há imenso para fazer. No pós-25 de abril deram-se grandes transformações sociais. Em Portugal muitas pessoas viviam em condições pouco dignas. Tem-se dado uma evolução positiva, mas o fosso de desigualdades entre ricos e pobres ainda persiste. Os últimos anos de crise, agora atenuados ligeiramente, voltaram a aumentá-la. Por isso, dizemos também que é preciso “viver com dignidade em Famalicão”. Se conseguirmos eleger o deputado municipal a que nos propusemos nestas eleições teremos melhores condições para lutar nesse sentido. Por outro lado, uma votação reforçada na CDU a nível nacional seria uma garantia para o povo trabalhador e a classe operária de que a sua voz se faria sempre ouvir. Mas a melhoria das condições de vida dos trabalhadores não se esgota com a questão dos salários; é preciso respeitar os direitos dos trabalhadores e das famílias. No nosso concelho, por exemplo, não se respeitam os feriados. Veja-se a forma de trabalhar das grandes superfícies.

O PCP continua fiel aos seus princípios e valores. Esta imagem a decorar uma das paredes da sua sede é bem disso o exemplo.

VN – Quais são as áreas em que fazem incidir as vossas propostas para os próximos 4 anos, em que vos parece ser mais necessário intervir?

DC – Uma abordagem séria das questões laborais, isto é, da necessidade de fazer criar mais e melhor emprego, com salários mais justos, bem como com direitos e regalias acrescidas para os trabalhadores é indispensável. Famalicão tem o título de município amigo das famílias, mas tem-no à custa de uma política de indústria de caridade e subserviência dos pobres e remediados.

Cremos ainda ser essencial agir em alguns pontos-chave do nosso concelho. Há ainda diversas zonas não cobertas pelas redes de água e saneamento – há localidades que esperam ainda por essas obras há vários anos, por exemplo em Gondifelos, Mogege e Pedome, algumas das freguesias mais afastadas da sede do concelho, mas até mesmo em Moledo, uma localidade de Gavião.

Parece-nos também muito importante melhorar a rede de transportes e a rede viária. Resolver, à pressa e próximo do período eleitoral, os problemas de algumas estrada e caminhos não é solução. Por outro lado, boa parte dos autocarros que servem as populações fazem-no em horários pouco adequados.

Igualmente muito importante é aproximar a rede de cuidados de saúde às populações, contrariando o que tem sido feito com o encerramento de diversos centros de saúde. Resolver problemas de atendimento no Hospital é também preciso, renovando o investimento em instalações, mas também equipamento e pessoal de forma a defender o serviço público.

A entrevista de Domingos Costa, ao Vila Nova, foi também pretexto para uma reunião de trabalho em que estiveram presentes, para além do próprio, o candidato da coligação PCP-PEV à Assembleia Municipal, Daniel Sampaio, e três jovens militantes.

VN – Domingos Costa, estes são problemas concretos das populações que você e o partido ou coligação que representa gostariam de ver resolvidos. Nas anteriores Autárquicas o mapa de freguesias foi reformulado. Continua(m) a discordar do mapa desenhado?

DC – No plano administrativo, consideramos urgente repor a organização administrativa existente antes das uniões de freguesias em que os cidadãos não foram tidos nem achados. É indispensável maior proximidade das Juntas de Freguesia aos cidadãos, bem como reforçar as verbas que lhes estão a ser atribuídas. Recorde-se que desde 2003 estas se mantêm iguais. Infelizmente, parece-nos também que esta Câmara Municipal, liderada pelo Dr. Paulo Cunha, trata de forma diferenciada as freguesias que lhe são politicamente mais próximas, o que não deveria acontecer.

VN – Há algumas áreas que são de relevo e não referiu: o ensino e as questões ambientais, o desporto e a cultura. A CDU terá algo também a propor sobre estes assuntos.

DC – Em relação ao ensino, pensamos que a municipalização do ensino não será a forma mais correta de tratar os problemas que surgem nessa área. Defendemos um ensino público de qualidade, capaz de abrigar todos os alunos e de lhes dar a possibilidade de se realizarem e almejar sucesso na vida mediante uma melhor e mais completa formação. Para além disso, a Câmara deveria também fornecer gratuitamente os manuais escolares a todos os alunos que frequentem o ensino obrigatório. As autarquias devem, de facto, ser responsáveis pelo edificado e sua manutenção. Parece-nos, por outro lado, que a diferenciação pedagógica entre as várias zonas do país não deve ser acentuada. Por último, em relação a este assunto, os quadros de pessoal devem manter-se centralizados.

Na esfera das questões ambientais, registamos um pequeno apontamento – o atual Parque da Devesa poderia e deveria prolongar-se para sul, realizando-se um alargamento das margens do rio Pelhe. Em especial, parece-nos que a defesa dos rios e das florestas do nosso concelho devem merecer a maior atenção.

Quanto ao desporto, achamos que é importante reforçar os apoios ao movimento associativo, enquanto grupo dinamizador da prática desportiva generalizada e com acesso fácil. Hoje em dia, crianças e adultos pagam pequenas fortunas para praticar desporto porque muitas destas práticas estão associadas a formas de exploração comercial, isto é, lucrativas.

Por último, em relação à cultura, pensamos que a Câmara Municipal deveria restabelecer condições para o uso do Teatro Narciso Ferreira, em Riba d’Ave, reabilitando-o. O apoio ao teatro deve também não ser esquecido, não mediante apadrinhamento apenas pela via de subsídios, mas pelo apadrinhamento de associações que se revelem capazes de implementar os seus projetos.

Em resumo, e para concluir, a CDU tem sido uma força política que está sempre ativa no terreno em prol das pessoas e cidadãos mais desfavorecidos. Esperamos conseguir o apoio popular suficiente para elegermos um deputado municipal e, deste modo, melhor podermos continuar a defender os seus interesses.

 

 

 

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Categorias: Política

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Costa

Diretor e editor.

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